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Marcelle Carvalho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lícia Manzo: autora não deveria ter ficado tanto tempo longe das novelas

Lícia Manzo retorna e estreia no horário nobre da TV Globo - Globo/João Cotta
Lícia Manzo retorna e estreia no horário nobre da TV Globo Imagem: Globo/João Cotta
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Marcelle Carvalho

Marcelle Carvalho é jornalista que cobre, há duas décadas, o universo da televisão. Suas maiores paixões são novelas e séries, que serão abordadas aqui a partir da visão de quem vê e de quem faz.

Colunista do UOL

15/07/2021 04h00

Assistir à reprise de "A Vida da Gente" (2011) é ter a certeza do quanto a autora Lícia Manzo faz falta. O texto primoroso, os diálogos bem construídos nos dá a impressão, muitas vezes, que foram tirados da nossa própria vida, tamanha a identificação com as situações. E ao transformar em grande vilã as vicissitudes do destino, esse danado que vive nos pregando peça, como fez com as irmãs Manuela (Marjorie Estiano) e Ana (Fernanda Vasconcellos), a autora aproxima ainda mais a história do mundo real.

E o que falar do tempo, tão bem explorado na trama, embalado na música de abertura da novela e amarrado no tocante e tão profundo monólogo de Iná ( Nicette Bruno) no fim da história? Eu já perdi a conta de quantas vezes vi essa cena.

O mesmo aconteceu com "Sete Vidas" (2013) quando ela contou a história de meios-irmãos, filhos do mesmo pai, Miguel, (Domingos Montagner), que sabem do parentesco ao descobrirem serem frutos do mesmo doador de sêmen. Uma das cenas mais poéticas que não sai da minha memória é quando os sete irmãos vão para um parque de diversão. De maneira simbólica, entre carrossel e algodão doce, tentam recuperar o tempo perdido, aquilo que não viveram juntos quando crianças, momentos que sedimentariam a ligação ente eles. Foi de uma sensibilidade...

Lícia já foi comparada a Manoel Carlos, um autor que tratava com maestria das relações familiares, principalmente entre mães e filhos, e da simplicidade do cotidiano. Nas tramas da escritora, isso fica bem claro. E é o que faz com que a gente olhe e, de certa forma, veja a vida como ela é sendo retratada. Sem pirotecnia, efeitos especiais, correria ou 'quem matou'.

O que consola meu coração noveleiro é que Lícia está de volta, após seis anos de ausência da teledramaturgia. E seu retorno será em grande estilo com "Um Lugar ao Sol", sua merecida estreia às 21h, prevista para novembro. Nesta obra, mais conflitos familiares e, pelo horário, poderemos ver uma autora com menos da leveza típica das 18h. Na trama, gêmeos órfãos (vividos por Cauã Reymond) são separados e terão vidas diferentes. Enquanto Renato é todo trabalhado no luxo, Cristian é criado por uma família pobre. Anos depois, ele tenta encontrar o irmão rico e com a morte dele, vê a oportunidade de assumir sua vida.

Olha o imbróglio se formando aí, minha gente!

Torço muito para que Lícia, com sua sensibilidade, nos brinde com aquele texto redondo, combinando o trivial dia a dia com situações mais densas, e temperando com a emoção que todo noveleiro curte sentir.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL