PUBLICIDADE
Topo

Luciana Bugni

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Talaricagem na novela: você já esteve no lugar de Jove, Juma ou Zé Lucas

Zé Lucas (Irandhir Santos) se aproxima de Juma (Alanis Guillen) em "Pantanal" - Reprodução/TV Globo
Zé Lucas (Irandhir Santos) se aproxima de Juma (Alanis Guillen) em "Pantanal" Imagem: Reprodução/TV Globo
Conteúdo exclusivo para assinantes
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no UOL. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

24/06/2022 04h00

Por que será que, mesmo sabendo que tem algo errado em dar em cima da mulher do irmão, parte do público acaba torcendo para Zé Lucas (Irandhir Santos) ficar, nem que seja só um pouquinho, com Juma (Alanis Guillen)? O peão aproveitou uma viagem de Jove (Jesuita Barbosa) para se aproximar da garota. Respeitosamente, sem forçar ou sequer encostar nela, ele sugere o tempo todo que gostaria de ser mais que amigo. A tensão sexual vai crescendo, mas Juma se esquiva e reforça que gosta mesmo do caçula dos Leôncio.

Para o público, o sentimento conflitante: é sempre bom ver um casal que parece ter química se pegando. Mas peraí, ficar com a cunhada na beira do rio não parece a coisa mais certa a se fazer. Ora bate aquela empatia com Jove, pobre homem às vésperas de tomar um chifre; ora com Zé Lucas, rapaz solitário que parece finalmente ter descoberto o amor; ora com Juma mesmo, ué, que tem dois gostosos atrás dela e, se fosse um pouquinho menos pudica, poderia pegar todo mundo. Eita, eu disse isso alto?

O triângulo amoroso familiar é recurso antigo nos romances. Eça de Queiroz trouxe um primo Basílio para bagunçar a história de Luísa lá no século XIX. E não precisa ser da família, não. Escobar era o melhor amigo de Bentinho antes de zoar (ou não) a cabeça de Capitu, em Dom Casmurro. Sabe como é: na falta de ter o que fazer do Pantanal de 2020 e tanto ou no Rio de Janeiro de 1800 e pouco, as pessoas acabam se distraindo com o que tem por perto mesmo.

E você, nas grandes metrópoles contemporâneas, vai dizer que nunca deu uma olhadela para a mulher do amigo em um momento especial de carência? Muita moça já cobiçou o marido da amiga — aqui, Seu Jorge entra cantando "eu juro, a carne é fraca, mas nunca rolou" em "Amiga da Minha Mulher".

A prática é mais comum na adolescência. No microcosmo da juventude, parece que a amizade se confunde com pegação o tempo todo e situações dramáticas como desejos incontroláveis por pessoas proibidas vivem acontecendo. Na vida adulta, a cobiça por pessoas comprometidas, especialmente no círculo familiar, ganha ares rodriguianos — consequências trágicas demais para que a pulada de cerca valha a pena. Mas o desejo tem uns movimentos próprios que às vezes escapam da moral e dos bons costumes. Aí, seu Jorge, não adianta cunhado avisar ou sogra orientar.

O bom é que quando um não quer, dois não fazem. Juma pode até se sentir meio balançada — e o cortejo do cunhado parece estar fazendo bem para ela. Mas já avisou que Jove é o homem de sua vida e não vai fazer nada além disso. Ainda. A ver.

Você pode discordar de mim no Instagram.