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OPINIÃO

Simaria nos lembra que brigar com irmão é normal, mas em público pega mal

Simone e Simaria: irmãos brigam, sim, mas no trabalho é feio Imagem: Reprodução/ Instagram @simoneesimaria @joaoalmeidac
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Luciana Bugni

Colunista do UOL

16/06/2022 09h03

Quando Simaria e Simone brigam em público, como aconteceu nas duas últimas semanas, levantam uma dúvida: afinal, quem está brigando ali são as irmãs ou as sócias de uma das duplas sertanejas de maior sucesso no Brasil?

É complicado separar as relações ao trabalhar com integrantes da família. Você acaba almoçando no domingo com um colega de firma e discutindo um planejamento no Excel em uma sexta à tarde com o irmão, com a filha, com o marido. E haja sentimento para administrar!

Simaria reclama para Léo Dias que é a empresária da relação. Diz que é organizada e tem visão estratégica enquanto "pra outra", em uma referência à irmã, Simone, "tudo está bom". Uma exposição danada do jeito que as duas lidam com situações profissionais.

Irmãs, negócios à parte?

Em seguida, ela defende que ambas são irmãs, que a irmandade é eterna, e que ela apenas está cansada de tanto trabalho — e também de organizar seu evento de aniversário de 40 anos com excelência. Ambas parecem ter visões diferentes do negócio que lideram, a música. E depois de tanto tempo de carreira e discussões que acabam sendo normais para sócias, têm dificuldades em manter isso entre elas e a briga acaba extrapolando para a esfera pública.

Na conversa com Léo Dias, dá para ver que há muito mais queixas a respeito da colega de trabalho do que da irmã. Ela reclama de cansaço, de montagem de clipe, de escolha de repertório, da demissão de funcionários e treinamento de equipe nova. Diz que é empreendedora porque Deus lhe o dom de ver lá na frente. E que sucesso não é só dinheiro, se referindo à necessidade que tem de fazer tudo muito certinho. Cansa mesmo.

Mas também diz algo típico de irmãs: se sente censurada e fala que não pode ser ela mesma.

"Tudo que vou fazer, sou recriminada. Sou comparada o tempo inteiro com Simone. Dizem que ela é incrível e eu não valho nada", afirma Simaria. Parece uma discussão de adolescentes reclamando para uma tia querida da relação com os familiares em casa. Ela cita até o fato de ter seus decotes criticados pela irmã!

Tem uma máxima corporativa que diz: a gente elogia alto e critica baixinho, só para o colega ou subordinado. Quando a briga profissional sai do escritório, que no caso delas é o camarim, e vai para o palco, entra em um limite meio complicado de reverter. Aí, é como Simaria defendeu em sua entrevista. "Se eu e a Simone tivermos que trocar essa carreira para ter essa paz, a irmandade, a gente troca. No dia em que Simone e Simaria quiserem encerrar a carreira, será lindo", ela disse.

Aí ficariam só as irmãs em cena, como Pedro Bial narrava naquele vídeo bonito sobre filtro solar: são os irmãos a nossa ligação mais forte com o passado. Outro dia mesmo eu me estranhei com o meu. Ficamos meses esquisitos, empurrando com a barriga e usando a nossa correria como desculpa para adiar o acerto de contas. Como não trabalhamos juntos, é mais fácil. Até que um dia convidei-o para ir para o bar e lá a gente ficou umas horas juntos fazendo uma coisa idiota de irmãos — no nosso caso, cantando umas musiquinhas velhas de Legião Urbana. Uma ligação com o passado e um acerto de contas que flui sem nem falar muito disso, muito menos em público. E quando tudo fica bem, é um alívio danado.

Tomara que Simone e Simaria achem logo sua ligação com o passado.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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