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Luciana Bugni

Gisele Bündchen, ódio na internet é errado, passar pano pra antivax também

Gisele Bündchen pede menos ódio após Doutzen Kroes dizer não à vacinação - Reprodução / Instagram
Gisele Bündchen pede menos ódio após Doutzen Kroes dizer não à vacinação Imagem: Reprodução / Instagram
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Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no UOL. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

22/09/2021 04h00

Não sei o caminho que você fez na internet hoje até esse texto, mas é muito provável que tenha esbarrado em algum discurso de ódio. A falta de sensibilidade nas redes é quase uma regra há alguns anos. Todo mundo diz o que quer acreditando que isso aqui é terra sem lei. Não é. Mas há linchamentos virtuais que acabam passando impunes mesmo.

Foi pensando nisso que a modelo brasileira mais famosa do mundo, Gisele Bündchen, tentou defender em suas redes uma colega de profissão, Doutzen Kroes.

Doutzen havia afirmado que não será obrigada a tomar a vacina. Em uma frase cheia de equívocos — não de opinião, mas científicos —, ela pede o respeito à liberdade.

"Não serei obrigada a tomar a vacina. Não serei obrigada a provar minha saúde para participar da sociedade. Não aceitarei a exclusão de pessoas com base em seu estado de saúde. A liberdade de expressão é um direito pelo qual vale a pena lutar", disse a modelo.

O mundo caiu em cima, claro. Não precisa muito para perceber que a liberdade não cabe na frase. Eu aprendi bem nova, quando minha mãe explicou, que a nossa liberdade vai até onde começa a do outro.

Simples demais: Covid-19 é uma doença fatal. A vacina não impede totalmente a transmissão da doença, mas diminui sua gravidade. Só que isso só funciona se todo mundo estiver vacinado.

Entendida essa parte, fica fácil entender o resto: não existe liberdade em não se vacinar pois a atitude impacta diretamente na vida de quem nem se conhece.

Quando se é uma pessoa famosa então (Doutzen tem anos de carreira e esteve por vários deles entre as mais bem pagas do mundo), a responsabilidade aumenta. Não basta se vacinar, tem que dizer para todo mundo que se vacinou, tem que incentivar os outros a se vacinarem, tem que fazer exatamente o contrário do que Doutzen fez. Uma pataquada, para ser educada e não dizer palavras que minha mãe condenaria.

Gisele foi paz e amor como costuma ser. Em vez de condenar a colega antivacina, condenou o ódio virtual. Linchamento de fato não acrescenta nada, não é pedagógico e não ensina a modelo holandesa que se vacinar é primordial em nome da mesma liberdade que ela defende — não seria a saúde a ferramenta número um para ser livre? Gisele poderia aproveitar a oportunidade para expor a colega e afirmar que seu caminho é outro. O da vacina, o da ciência, o de pensar no outro para viver em sociedade.

Doutzen já afirmou que a vida "não é sobre beleza o tempo todo". De acordo. É também sobre pensar um pouco antes de sair reproduzindo inverdades por aí em nome da liberdade. Gisele disse que o ódio não é o caminho. Certa também. Agora pedir compaixão e aceitação para quem é contra a vacina que vai nos tirar desse buraco, aí já é demais.

É paradoxal mesmo: a liberdade é importante, o ódio não é caminho para nada. Ambas estão corretas. Mas a vacina que salva nessas vidas, nesse momento. Não se tolera o intolerante e fim de papo.

Gisele veio de um país que acredita na vacina e na ciência. Deve ter ido visitar o Zé Gotinha em sua cidade Natal, antes de ir mora no exterior, aos 13 anos. O mínimo que pode fazer é usar sua visibilidade para espalhar a ciência por aí. Isso sim é amor. E amor combate o ódio melhor que qualquer frase feita.

Além disso, a gente sabe: Gisele não precisa pagar de brasileira alienada fora do país. Temos um líder que fez isso bem demais essa semana: disse que não se vacinou em frente aos líderes mundiais, não usou máscara e exibiu por aí uma comitiva contaminada.

Acho que já está bom de vergonha para brasileiro passar por esses dias.

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