PUBLICIDADE
Topo

Luciana Bugni

Dayane Mello narra pesadelo no BBB Itália: grupos afastam quem é diferente

Dayane Mello relembra experiência no "BBB Itália": solidão em uma casa cheia de gente - Reprodução/RecordTV
Dayane Mello relembra experiência no 'BBB Itália': solidão em uma casa cheia de gente Imagem: Reprodução/RecordTV
Conteúdo exclusivo para assinantes
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no UOL. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

17/09/2021 04h00

Se você não sofria bullying na escola, provavelmente é da turma que fazia. Dayane Melo descreveu mais ou menos essa situação, que viveu no BBB Itália, no programa A Fazenda, da Record. A conversa sobre solidão era com a peoa Liziane Gutierrez.

A participação de Dayane no "Grande Fratello" 2021 lembra um pouco a de Juliette no BBB, como bem citou o editor desse Splash, Leandro Carneiro. De certa forma, as duas foram excluídas pelos outros participantes no reality, sofreram xenofobia, foram acusadas de coisas que não fizeram, de más intenções que não tinham.

E ambas tinham aqui fora um fã clube considerável. A base de adoradores de Dayane fez uma campanha forte de votos para a modelo no programa europeu e deve repetir a dose por aqui no programa da Record. A de Juliette, bem, essa você conhece.

Não é algo novo: o diferente incomoda sempre. Mas basta que duas ou mais pessoas se voltem contra alguém para que esse grupo comece a crescer. Nós, humanos, temos essa tendência de querer participar do coletivo.

Se juntar a uma turma que tem atitudes ou pensamentos iguais garante que a gente evite aquilo que mais tememos: ficar sozinhos.

Liziane pergunta para Dayane: você se sentia sozinha? Ela diz que sim, o tempo todo. As possíveis vítimas de bullying da infância vão se identificar: dá pra sentir uma solidão absoluta dentro de uma sala de aula com outros 30 colegas. A necessidade de se encaixar em algo vem dessa época de nossas vidas.

Mas aí vem a maturidade (ufa!). Aos trancos e barrancos, a um custo que só a própria pessoa sabe bem, a gente cresce e aprende a lidar com a rejeição. É esperado que cheguemos à idade adulta com essa habilidade. Pois bem. Tem gente que não amadurece e se apega às amizades tóxicas, relacionamentos narcisistas e abusivos... tudo para ser aceito.

Mas há Dayanes, para nos ensinar com a maior simplicidade: "Na terceira semana eu saí do quarto e fui dormir na sala, não queria mais saber de ninguém naquela casa. Eu fiz o meu jogo sozinha, eu me excluí de tudo. Amor, era muito tenso, ficava todo mundo falando de ti. Era uma energia muito má, muito triste porque você não tinha amigos. Só porque você pegou uma estrada diferente das outras pessoas, você era a pessoa errada". Dayane passou vários meses na casa depois disso, encarando ofensas de todos os tipos. Quem teria essa resiliência para a solidão?

Eu costumo viver em bando desde que convenci a turma da escola de que era legal o suficiente para ser parte do grupo deles.

Digo ainda que somos sozinhos que andam juntos — a solidão a gente leva dentro de nós, mas é mais gostoso quando dá para compartilhar.

Já a força de Dayane, encarando a energia ruim de colegas tóxicos, dormindo sozinha em um sofá por meses... é digna de se admirar mesmo. Que seja o espelho de outros sozinhos, para a gente entender de uma vez por todas que tem grupo do qual nem vale a pena fazer parte.

Você pode discordar de mim no Instagram.