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Luciana Bugni

Sex/Life e as Olímpiadas: alguma coisa impede o jovem de transar?

Trecho da série "Sex/Life": o jovem é um ser humano transante - Divulgação
Trecho da série 'Sex/Life': o jovem é um ser humano transante Imagem: Divulgação
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Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no UOL. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

16/07/2021 13h40

Dia desses vendo a série Sex/Life, da Netflix, pensei: precisa ser muito jovem para transar no carro. A protagonista Billie (Sarah Shahi), uma animada lactante, pensa o tempo todo no ex-namorado Brad (Adam Demos). Com ele, em suas memórias, o sexo no carro era uma coreografia ensaiada e fluida que culminava no alerta do boy: "Tem gente vendo". E ela gemendo que não se importava em ser flagrada, só não queria que ele parasse. Animadíssima.

Ser flagrada, eu pensei, é de fato o menor dos problemas na cópula dentro de um automóvel. Joelhos em carne viva, hematomas em partes do corpo que você nem sabia que tinha e uma sensação de satisfação sexual aquém da desejada me parecem mais significativas.

Tanto que a tentativa de um revival dentro do carro com o próprio marido, Cooper (Mike Vogel), depois dos 30 anos, parece ser fiel à realidade. Desencaixe e constrangimento.

O jovem não liga para isso e transa onde tiver oxigênio. Quando vai amadurecendo, percebe que as ousadias são até legais, mas não tem nada melhor que uma cama confortável para sexo sem lesões graves.

Orgasmos ou medalhas?

Às vésperas das Olímpiadas, o assunto volta à tona. É possível evitar que os atletas transem? Estarmos na pior pandemia do século deixa as preocupações com o tema mais afloradas.

Sexo em eventos esportivos sempre foi um tabu. Tem uma galera transante que acha que não prejudica rendimento. Tem o pessoal mais careta que sabe que sexo não prejudica nada, o problema é o que vem junto com ele: álcool, papo furado, sono prejudicado e até o mais grave deles, a paixonite.

Um ser humano apaixonado não faz absolutamente nada direito. Nem bater recordes. Nem ganhar medalhas.

E não venha me dizer que é só sexo, que não precisa virar amor etc. Já aconteceu com todo mundo: depois de uma transa despretensiosa rola a conchinha, uma cheiradinha no pescoço e já era. Lá está você pensando na pessoa um segundo antes de correr 100 metros rasos ou de dar o melhor salto com sua vara (ui). Não dá para arriscar.

Para transar, basta estar vivo

A própria Billie de Sex/Life em suas memórias com o namorado tarado vive transando onde bem entende. É piscina, é carro, é sacada, é túnel do metrô (essa foi difícil de aguentar). O jovem, minha gente, não precisa nem de cama.

Agora imagina colocar juntos 18 mil jovens atléticos e dispostos depois de 5 anos de treinos frenéticos para as Olimpíadas (atrasou um por causa da pandemia). Coloque uma quarentena rígida no meio disso. Solte todos em quartos vizinhos. Até eu senti um acréscimo na minha energia sexual só de pensar nessas três semanas de orgia e medalhas.

Mas é isso: a pandemia é uma preocupação real — no Japão, por incrível que pareça, está longe de estar controlada. Não dá para trocar fluidos diferentes em vários idiomas por 21 dias seguidos, por mais vacinados que os atletas estejam. Se a consciência não agir diretamente na libido, não vai ser uma patrulha mais rígida que o fará.

Você pode discordar de mim no Instagram.

PS: Precisa ver Sex/Life, não. Tem uma gente branca bonita, umas catracadas interessantes? Até tem. Mas o resto é um machismo sem fim disfarçado de inverossimilhança. Passo. Mas há quem tenha analisado algumas cenas atentamente, como o nu frontal do episódio 3.