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Luciana Bugni

No Limite: Bil mostra o tórax, mas público quer mais: tem que falar também

Bil Araújo, ex-BBB, atual descamisado, sempre calado - Reprodução Instagram
Bil Araújo, ex-BBB, atual descamisado, sempre calado Imagem: Reprodução Instagram
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Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no UOL. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

19/05/2021 09h11

O frisson meia bomba em Bil evidencia que a gente tem fetiche mesmo em inteligência.

O romance do brasileiro com o menino Arcrebiano, de apelido Bil, para facilitar justamente a retórica, foi interrompido antes da hora no BBB. Passou uma Karol Conká por ele, quando o descamisado ainda pairava como uma promessa de provocar desejos malucos nas mulheres e homens em isolamento no "BBB".

O Brasil foi privado de sua mariposa (vespa? abelha?) tatuada no esterno. Esse país foi impedido de ver as linhas definidas de seus braços 24h por dia, 7 dias por semana no pay-per-view. 2021 realmente veio para ser um ano injusto. Na entrevista com Ana Maria Briga, na manhã seguinte à eliminação do "BBB", o Brasil chorava. Diferentemente de Bil, que sorria ainda mais bonito e leve ao sair da casa.

A emissora, que não é boba nem nada, percebeu que tinha potencial no peitoral e dentição branca e levou o cara para o "No Limite", o reality que é tipo Olimpíadas do Faustão, mas com gente bonita seminua. Lá estava ele nas chamadas do programa: de braços à mostra, com o rosto pintado para a guerra, mais fetichizado impossível. Uma vingança das viúvas do "BBB": vê-lo se esfregar na areia, suar, carregar peso, se queimar ao sol — um reality pornô a céu aberto, sendo o céu, o céu do Ceará. É uma metapornografia.

Mas, durante o programa, esse público ávido por um bíceps ficou feliz? Até que ficou.

Uma amiga não conseguia se conter ao ver Du Moscovis nas novelas nos anos 90 e saía mandando beijos para as telas. A reação da moçada foi parecida quando Arcre apareceu na tela nas terças: um "oi, sumido" involuntário sozinha no sofá.

O desejo vira TT

A animação levou o nome de Bil o topo do Twitter. Mas peraí: eram elogios ao tórax? Eram confissões de desejos inconfessáveis? Eram constrangedoras baixarias? Nem tanto. Eram reclamações porque o moço não é dos melhores oradores.

O cara estava correndo sem camisa, carregando o corpo de uma mulher amarrada, mas a mulherada estava na rede social reclamando que ele não abre a boca para conversar!

O que nos traz outra teoria velha e batida, mas que não sai de moda: inteligência é afrodisíaca. Como dizia outra amiga: homem que fala bem mexe com a libido da gente.

Bil não está sendo explorado nesse sentido, já que o programa que faz não é a CPI ou qualquer outro reality onde o discurso é importante. Mas também não adianta estar na TV se não oferecer nada melhor do que uma pesquisa do Google Imagens.

Tiraram o cara do "BBB" antes que as linhas de seu abdome cansassem o público e teve reclamação.

Botaram num reality em que a fala é o recurso menos importante? Tem reclamação.

Mas se ousarem tirar o moço e privar o público de seu dorso definido, ah, vai ter reclamação também. A gente está aqui para reclamar. E dar umas olhadinhas também, que olhar não tira pedaço. Você pode discordar de mim no Instagram.