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Luciana Bugni

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Luísa Sonza e Carla Diaz: ódio é tão grande que elas precisam defender ex

Luísa Sonza: ódio de fãs não ajuda ninguém - Imagem: Reprodução/Instagram@luisasonza
Luísa Sonza: ódio de fãs não ajuda ninguém Imagem: Imagem: Reprodução/Instagram@luisasonza
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no UOL. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

11/05/2021 16h11

O brasileiro sofre, o brasileiro erra, o brasileiro desconta no outro brasileiro na internet. Desde que o "hater" é "hater" é assim.

Se o outro brasileiro for famoso, melhor ainda. Só essa semana, aconteceu com Arthur Picoli, Viih Tube, Luísa Sonza e Whindersson Nunes. Na semana passada, a odiada era Tatá Werneck —tudo por que se protegeu contra o coronavirus para ir ao enterro do melhor amigo. Até onde pode ir o ódio online?

Ninguém está passando pela melhor fase na vida amorosa, mas é por isso que a gente vai descontar raivas internas em alguém que nem conhecemos? Imagina acordar frustrada com um casinho e descontar no Arthur, do "BBB 21", que não foi tão legal assim com Carla Diaz no relacionamento relâmpago que eles tiveram dentro da casa?

Arthur disse que até se desanima com as, ofensas que incluem ameaças de morte. Como pode alguém ameaçar de morte uma pessoa que não teve um relacionamento saudável com a outra? Sendo que você não é ou nem conhece nenhuma delas?

Carla Diaz foi sensata, como qualquer ser humano deveria ser. Explicou que não fazia sentido pregar o ódio. Que aquele comportamento não combinava com ela nem condizia com suas ações.

Eu acredito muito no diálogo, na comunicação. Sou completamente contra ataques e julgamentos. Vamos nos unir no afeto. Peço, por favor, para não disseminarem o ódio. O mundo já está tão complicado... Não precisamos disso.

Que situação: discreta desde que saiu da casa, ela teve que se colocar para defender o ex e pedir para os próprios fãs controlarem suas reações. "Pensar diferente não significa ser agressivo". Parece óbvio, mas o fã de internet pensa o contrário.

A novela Sonza

É raro que um fim de namoro ou casamento vire imediatamente uma relação saudável de amizade. Mas não é por isso que ela precisa ser uma relação de ódio.

Quando Luísa Sonza assumiu o relacionamento com Vitão, as pessoas piraram que estavam lendo "Dom Casmurro". O maior objetivo de vida de todos virou saber se Capitu (a personagem com olhos de ressaca do livro de Machado de Assis) tinha traído Whindersson Nunes.

A curiosidade não fazia muito sentido, já que o próprio humorista tinha declarado na época que não estava magoado e que não queria que Luísa sofresse ataques de ódio.

Adivinha... não adiantou: Luísa sofreu ataques de ódio por mais de um ano.

Ameaças de morte são corriqueiras. Agora, às vésperas de ter um filho com a atual mulher, Whindersson afirmou que não foi traição, que foi ele que terminou o relacionamento, dando satisfações mais precisas sobre um fim que só deveria dizer respeito aos dois. E falou que esse tipo de ódio aumenta a paranoia dos artistas —ele sempre comenta dos tratamentos psiquiátricos que faz.

No entanto, a declaração não foi um sinal de paz. Por vir tardiamente, os fãs de Luísa voltaram a ameaçá-lo e passaram a desejar coisas ruins para o bebê, que ainda nem nasceu.

Como pode ser que, na internet, as pessoas fiquem tão valentes para fazer coisas do mal? Não basta o mundo lá fora? Melhora a vida de alguém passar raiva para frente?

Luísa precisou levantar a bandeira branca:

Meus fãs, parem de atacar todo mundo. O que passou, passou, bola pra frente. Chega, pelo amor de Deus, ninguém aguenta mais isso.

Vamos superar, turma. Vocês conseguem.

Que tal obedecer Juliette?

Vencedora do "BBB 21", Juliette Freire é a musa do momento. Tudo que ela toca, se transforma em ouro. Ela foi campeã com 90% de aprovação do público enlouquecido de amor justamente pelo seu jeito espontâneo, gostoso de ver.

No discurso do último sábado no 101º episódio do "BBB 21", em frente a tantos ex-colegas de confinamento, Juliette pediu empatia. Na tarde de terça, postou um áudio no Twitter pedindo o fim do ódio com Viih Tube: "Respeitem a Vitória, respeitem as pessoas. Todos nós temos espinhos".

Se todo mundo é doido para usar as roupas de Juliette, cantar as músicas de Juliette, poderiam também se preocupar em se comportar um pouco como ela.

O ódio sempre volta.

O amor também.

Em 2019, o UOL fez uma campanha em Universa que fazia uma pergunta direcionada aos "haters". Uma mulher gorda, uma negra, uma trans, uma que estava amamentando e uma que não se depilava dançavam ao som de xingamentos de "haters" tirados de suas redes sociais. Ao final, elas viravam para a câmera e perguntavam: por que meu corpo te incomoda?

O questionamento, sem resposta, vale para o hater 2021, que elege inimigos online para destroçar.

Por que o outro incomoda?

Se pensar um pouquinho na resposta, para de falar besteira na internet.

Você pode discordar de mim no Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL