PUBLICIDADE
Topo

Leonardo Rodrigues

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Maletinhas que tocam discos são sucesso de vendas. Mas elas são boas mesmo?

Pexels
Imagem: Pexels
Leonardo Rodrigues

Leonardo Rodrigues é jornalista do UOL, com passagem pela Folha de S.Paulo. Também é colecionador de LPs e luta para que, um dia, toca-disco deixe de ser confundido com vitrola.

Colunista do UOL

26/05/2021 04h00

Elas foram distribuídas por Anitta e viraram estrelas do Pinterest, do Instagram e de qualquer outro lugar em que exista um fotógrafo hipster com um disco na mão e uma ideia na cabeça. Faça o teste você mesmo: digite "vitrola" no Google e veja o que aparece no topo da tela.

Charmosas, com inspiração no design portátil dos anos 40, essas maletinhas hoje estão por toda parte. Provavelmente você conhece alguém que comprou ou ganhou uma de presente nos últimos tempos, seja da Crosley, da Raveo, da Pulse ou de qualquer outra marca.

Mas a pergunta fica: elas valem a pena? São uma porta de entrada satisfatória para quem quer desacelerar e começar a ouvir vinil?

Bem, não sou de respostas prontas nem verdades absolutas. Então vou te dar dois motivos para dar uma chance a elas sem medo de ser feliz e cinco outros para passar longe fazendo sinal da cruz. É só tirar as próprias conclusões.

Compre se...

você não tiver muito dinheiro

Não há concorrência. As vitrolas-maletas são os reprodutores mais baratos que você irá encontrar. E por muito. Os preços estão nas casas de R$ 300 e R$ 400. Há discos mais caros que isso.

Se você liga mais para o estilo que elas representam do que para a música em si

Você curte decoração retrô e tem poucos ou nenhum disco na estante? E os que tem provavelmente nem pretende tirar do lugar, já que eles também são de decoração? Sem dúvidas a maletinha deve ser sua.

Toca-disco - Unsplash - Unsplash
Toca-disco
Imagem: Unsplash
Evite se...

qualidade sonora for importante para você

Assim como todas as outras vitrolas, as maletas vêm com caixas de som embutidas, que são pequenas, tem pouca potência e definição. Contam ainda com cápsulas de cerâmica e agulha de qualidades baixas. Não espere alta-fidelidade. Nem se colocar fone de ouvido.

Se você tem apreço por seus discos

Por falar em cápsula e agulha, saiba que elas não são dotadas de contrapeso na base do braço nem de sistema anti-skating. E isso significa duas coisas:

  • A força de tração exercida sobre o LP na hora de tocá-lo é muito alta, cerca de 4,5 e 5 gramas. O aceitável, dependendo da especificação da cápsula, gira entre 1,5 a 3,5 gramas. A longo prazo, esse peso pode avariar seu amado vinil.
  • Sem o anti-skating, que impede o braço de "patinar" arranhando o disco, a vitrola perde estabilidade. Vinis empenados ainda que levemente correm o risco de nem tocar.

Se você quer um som sem distorção

O acabamento das maletinhas é feito com peças de plástico, e não de materiais sólidos como metal e fibra de carbono das concorrentes "ricas". O design da vitrola também torna impossível alinhar a agulha na extremidade do braço, que é curto demais e, por causa disso, pode causar distorções nas últimas faixas do LP.

Se você quer melhorar seu setup no futuro

Guarde essa informação: maleta não permite upgrade. Braço, cápsula e alto-falantes não são removíveis e nem podem ser melhorados. Mesmo quando dá para conectar um amplificador individual, o som não vai melhorar muito.

Se você quer um aparelho para a vida toda

Já falamos da fragilidade do material das maletinhas. E a pouca durabilidade delas tem a ver com isso. Talvez em dois ou três anos de uso sua "suitcase" simplesmente pare de funcionar. Encontrar peça de reposição? Desafio.

Veredito

Sem enrolação, respondendo à pergunta do início da coluna: não, eu não compraria.

Pelos motivos citados acima. Pelo fato de o hobby de ouvir discos ser maravilhoso e merecer um mínimo de qualidade. Afinal, quanto melhor é o toca-disco, melhor e mais prazerosa será sua experiência com ele.

Mas esses apetrechos portáteis funcionam e bem para uma coisa: fazer pessoas conhecerem um novo (velho) mundo, de forma acessível, e descobrir se funciona para elas. Isso acontece com MUITA gente, que tão logo percebe do que se trata e decide trocar a maleta por um aparelho mais robusto.

Sábia escolha.

Então qual som devo comprar? Como escolher?

Fácil. Clique aqui, leia a coluna do dia 14/5 e descubra.

E, como já mencionei anteriormente, continue tocando seu disco, seu CD, sua fita K7 e o streaming que roda no seu celular e mentalmente no interior do seu cérebro. O importante é não parar com a música.

E até o próximo post.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL