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Guilherme Ravache

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

NFL aposta no streaming e deve acelerar fuga de audiência da TV

Tom Brady (à dir.) em ação pelos Buccaneers no Super Bowl LV - Kevin C. Cox/Getty Images
Tom Brady (à dir.) em ação pelos Buccaneers no Super Bowl LV Imagem: Kevin C. Cox/Getty Images
Guilherme Ravache

Guilherme Ravache é consultor digital. Jornalista com passagens pelas redações da Folha de S. Paulo, Revista Época e Editora Caras. Foi diretor de atendimento da Ideal H+K Strategies e gerente sênior de comunicação e marketing de relacionamento da Diageo.

Colunista do UOL

08/03/2021 04h00

Resumo da notícia

  • NFL negocia novo contrato de transmissão dos jogos de futebol americano dobrando os preços para emissoras de TV
  • O movimento pode parecer estranho, visto que o recente Super Bowl teve sua pior audiência desde 2006
  • Mas streaming explica o fenômeno e Amazon ganha peso nas negociações e deve passar a transmitir alguns jogos com exclusividade no Prime Video
  • No Brasil, onde a Globo tem perdido direitos de transmissão de esportes como a F-1, tendência também é visível e deve acelerar
  • TVs abertas e a cabo terão crescentes dificuldade para controlar os custos de investimentos em transmissões esportivos e reter a audiência
  • A mudança pode ser boa para os fãs de esporte, que devem ganhar mais opções por preços mais acessíveis

A National Football League (NFL) está prestes a assinar novos acordos de direitos com seus parceiros de mídia. E esse acordo deve definir os rumos da TV aberta e do cabo nos Estados Unidos, mas com consequências globais.

Embora os acordos de direitos de mídia da NFL ainda não tenham sido anunciados oficialmente, tanto o WSJ quanto o SBJ afirmam que tudo, exceto o Sunday Ticket, já está acordado. A CBS e a FOX mantêm o domingo à tarde, a NBC mantém o domingo à noite, a ESPN mantém o Monday Night, mas adiciona um Super Bowl em rotação e transmite simultaneamente jogos selecionados na ABC, enquanto o Thursday Night Football muda para Amazon Prime em parceria com a NFL Network.

Ou seja, a Amazon deverá veicular muitos jogos exclusivamente e as redes de TV deverão pagar até o dobro de sua taxa atual para mostrá-los na TV aberta e cabo.

A Amazon já transmite jogos da NFL desde 2017. Mas agora terá o direito de transmitir exclusivamente em sua plataforma Prime Video O movimento reflete ainda o crescente interesse da NFL pelo streaming, uma vez que esses jogos não estariam disponíveis na televisão tradicional fora dos mercados locais das duas equipes que estajam jogando.

A Amazon tem cada vez mais licenciado conteúdos esportivos. Além da NFL, a empresa tem direitos de transmissão em outros mercados e modalidades, como o futebol na Europa.

A queda da TV linear e por assinatura é visível, mas o movimento da Amazon no futebol americano, a liga esportiva mais "cara" do mundo, mostra como a mudança deve impactar rapidamente outros mercados.

No Brasil, a Globo, líder na transmissão de esportes, tem sofrido seguidas derrotas no segmento. Perdeu a F-1 e jogos da Seleção Brasileira, além de outros campeonatos de futebol.

Uma das razões para a F-1 ter ido para a Band, conforme divulgado por Gabriel Vaquer, seria o desejo da Liberty Media, empresa dona da F-1, de aumentar sua aposta no streaming. A Globo tentou a renovação, mas não aceitava que a Liberty lançasse seu próprio streaming no Brasil.

Queda livre

E por que as ligas estão tão preocupadas em levar seus esportes para o streaming? A resposta está na rápida queda de audiência da TV e crescente número de pessoas que consomem conteúdo em plataformas digitais. A final da NFL neste ano teve sua pior audiência desde 2006.

A CBS disse que o jogo atraiu 96,4 milhões de espectadores em várias plataformas, incluindo serviços de streaming. A emissora afirmou que sua audiência digital foi de 5,7 milhões, o recorde em uma transmissão ao vivo qualquer jogo da NFL, representando um aumento de 65% em relação ao Super Bowl do ano passado.

Um dos grandes fatores que ainda retém usuários na TV, no cabo e mesmo no Globoplay (e pacotes digitais de emissoras) são os esportes. À medida que novos players de streaming e as redes tradicionais disputam cada vez mais contratos de distribuição e assinantes, ganhar dinheiro com a audiência de esportes será um desafio cada vez maior.

Os direitos de transmissão tendem a ficar cada vez mais caros para as emissoras tradicionais, que ganham cada vez mais concorrentes interessados em transmitir os eventos.

Em 1993, Paul Tagliabue, ex-comissário da NFL responsável por negociar com emissoras de TV, disse: "Se você tem três pacotes e três licitantes, não vai se sair muito bem. É como a dança das cadeiras. Você sempre tem que ter mais uma pessoa procurando por assentos do que você. ? Quando você trouxe novos jogadores para a mesa, foi um conjunto diferente de negociações. Todas as redes entenderam isso, exceto talvez a CBS."

A notícia é ótima para as entidades esportivas que ganham maior poder de barganha, mas também pode ser boa para os fãs de esportes, a julgar pelo resultado do novo contrato da NFL. À medida que as transmissões se tornam menos concentradas em emissoras de TV, haverá mais opções esportivas em streaming, e no caso do Prime, por preços mais baixos comparados ao cabo. Ou mesmo a opção de assinar para assistir a somente uma categoria, não um pacote completo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL