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Klara Castanho não precisa que a façam reviver trauma ao retomar carreira

Com várias novelas e filmes no currículo, Klara Castanho tem duas séries pela frente - @KLARAFGCASTANHO VIA INSTAGRAM
Com várias novelas e filmes no currículo, Klara Castanho tem duas séries pela frente Imagem: @KLARAFGCASTANHO VIA INSTAGRAM
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

01/07/2022 15h12

Passada quase uma semana desde que Klara Castanho teve de vir a público contar que sofreu um estupro e decidiu entregar o filho para adoção direta, muitas reflexões têm sido feitas sobre o papel da imprensa e das redes sociais no caso. Mudanças também têm ocorrido, com projeto de lei protocolado em São Paulo motivado pelo caso. Ninguém tem dúvida de que essa história mobilizou o país, mas ao olhar para frente, é preciso ter em mente de que a carreira da atriz não pode ser resumida a isso.

Klara estreou na televisão cedo, em 2006, ainda criança. Fez séries, filmes, novelas. Virou estrela mirim e adolescente. Tem pela frente um papel difícil na segunda temporada de "Bom Dia, Verônica" e está garantida na nova leva de episódios de "De Volta aos 15", ambas produções da Netflix. Talentosa, terá pela frente muitos papéis marcantes e, portanto, se envolverá na divulgação destes projetos. Será preciso um entendimento por parte todos - mídia e espectadores - de que não há necessidade de constantemente fazê-la reviver o trauma pelo qual passou.

Por muitas vezes, famosos ficam marcados por histórias difíceis e são instados a falar sobre elas em qualquer entrevista. Certa vez, num camarote de Carnaval, uma assessora me pediu para não falar com uma influenciadora sobre uma violência que ela havia sofrido e revelado meses antes. Respondi que nem pretendia, afinal, era um momento de folia. A resposta que tive foi que ela, na chegada ao local onde iria curtir o Carnaval, foi perguntada sobre o assunto.

Não existem perguntas proibidas no jornalismo. Pergunta-se o que se quer, com delicadeza, responde quem quiser e puder. E está tudo certo. Quando envolve um assunto tão delicado, no entanto, não há necessidade de prorrogar o sofrimento de quem é questionado. É preciso alguma empatia com vítimas de violência tão grave. Isso não se aplica apenas a imprensa, usada aqui como exemplo. Nas redes sociais, muito provavelmente, haverá quem escreva com constância para falar do assunto, quem questione e até mesmo quem ataque, perpetuando um ciclo de violência.

Klara Castanho é uma atriz com um enorme futuro pela frente. E essa trajetória não deve envolver reviver um trauma constante. Sua carreira é bem maior do que a barbaridade pela qual passou. É preciso haver empatia desde já, para lhe garantir a segurança de trabalhar em paz e voltar a viver tranquilamente, na medida do possível.