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Richarlyson precisou deixar o campo para dizer o óbvio: Há LGBTs no futebol

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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

24/06/2022 14h09

Nesta sexta-feira (24), o futebol brasileiro, enfim, viu um tabu ser quebrado. Em entrevista a um podcast do "Globo Esporte", chamado "Nos Vestiários dos Armários", Richarlyson se afirmou bissexual. "Já namorei homem e mulher. Mas e aí? Eu não queria ser pautado pela minha sexualidade, por ser bissexual. Queria que as pessoas me vissem como espelho por tudo o que eu conquistei no meu trabalho", disse.

O ex-jogador, hoje comentarista da Globo, passou muito tempo de sua carreira perseguido por especulações sobre sua sexualidade desde que se noticiou que o "Fantástico" teria uma entrevista com um craque que falaria abertamente sobre sua orientação sexual. Pouco depois, um dirigente do Palmeiras fez insinuações corroboradas por um juiz, que afirmou que não seriam aceitáveis homossexuais no futebol brasileiro porque prejudicaria o pensamento da equipe.

Antes mesmo de se sentir confortável para falar abertamente sobre sua sexualidade, Richarlyson foi violentamente arrancado do armário e teve prejuízos na carreira por causa disso. Afinal, poderia um grande clube ter em sua equipe um LGBT? A recepção de algumas torcidas foi igualmente violenta.

Não é de hoje que jogadores de futebol se envolvem em escândalos. Há de tudo: casos extraconjugais, filhos fora do casamento, amantes paralelas. Tudo isso parece ser aceitável para dirigentes e torcidas conservadoras. Um homossexual em seu time, não. Rycharlison só encontrou espaço para viver sua própria verdade e se afirmar no mundo depois que deixou os campos. Precisa, ainda, que um LGBT que jogue atualmente tenha a coragem de fazê-lo. A atitude do ex-jogador, no entanto, deixa claro o óbvio: há homens gays ou bis no futebol. Sempre houve. Sempre haverá.

Em seu depoimento ao podcast, Richarlyson reflete: "O mais importante, que é pauta, não vai mudar, que é a questão da homofobia. Infelizmente, o mundo não está preparado para ter essa discussão e lidar com naturalidade com isso". Passou da hora de o mundo machista do futebol engolir seu preconceito e sua LGBTfobia.