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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'BBB 21': Rejeição de Karol Conka não justifica linchamento fora da casa

Karol Conká do BBB 21 (Reprodução/Gshow) - Reprodução / Internet
Karol Conká do BBB 21 (Reprodução/Gshow) Imagem: Reprodução / Internet
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

23/02/2021 23h30

No terceiro dia de confinamento do "BBB 21", quando todos os participantes enfim se reuniram, houve um acordo de que esta edição seria sobre "cancelar o cancelamento". Mais velha, famosa e experiente da casa, Karol Conka tentou acalmar os colegas: "A gente está aqui para ser julgado, gente! Vamos falar a verdade. Vão julgar e não tem o que fazer. Todo mundo que está lá fora, que vai cancelar a gente, ou não, também erra. Talvez eles aprendam com os nossos erros e se sintam mais confortáveis de saber que pessoas como a gente estão dando a cara a tapa".

Passado um mês de programa, não só o discurso parece não ter surtido efeito aqui fora como a cantora deixará o programa cancelada. Karol será um dos poucos casos de pessoas que saem do "BBB" com menos seguidores do que entraram. Foi tirada do line up de festivais, perdeu campanhas publicitárias, teve um programa de TV suspenso, preocupou sua gravadora. Em dia de paredão, foi alvo de piada de repórter de afiliada da Globo comemorando sua eliminação e afirmando que votar nela seria "dever de cidadão". Sem saber, teve a família - especialmente o filho de 15 anos - ameaçada.

As razões que motivaram uma verdadeira catarse de ódio na audiência são muitas. A rapper foi acusada de xenofobia contra Juliette e constantemente criticou a paraibana, chegando a questionar se ela tinha problemas psicológicos. Indignada com o fato de Lucas planejar um grupo que priorizasse os participantes negros, o proibiu, aos gritos, de sentar à mesa com ela e depois o humilhou em rede nacional. Enciumada por causa de Arcrebiano, espalhou que Carla Diaz estava a fim dele e não de Arthur. Por vezes, distorceu o discurso de vários colegas, como Camilla de Lucas.

Reality shows são feitos de grandes vilões. Nos Estados Unidos, a maioria é bem recebida. Por lá, o "Big Brother" é considerado uma "casa de mentiras". Ou seja: falar pelas costas e promover traições é parte da estratégia. Aqui, no "BBB 5", o grupo liderado por Rogério Padovan foi acusado de homofobia e seguiu com sua vida. São inúmeros os acusados de falsidade e barraco. No "BBB 20", dois participantes acusados de assédio sexual tiveram de prestar depoimento a polícia e não sofreram metade dos ataques que Karol vem sofrendo. Em "A Fazenda", Andressa Urach promoveu guerra de cuspe e revelou intimidades de colegas, mas saiu aclamada.

Talvez nesta época o brasileiro soubesse separar melhor o jogo da vida. Talvez a audiência precise aprender a se revoltar com grandes problemas do mundo real, que tem impedido pessoas mais pobres de sentarem à mesa por não ter comida ou priorizam armas a livros ou vacinas. Talvez em alguns meses, com distanciamento, se avalie melhor tudo o que aconteceu neste programa.

Karol deixa o "BBB" com enorme rejeição, mas isso não justifica qualquer linchamento que ela venha a sofrer do lado de fora. Não é razoável que seus parentes e amigos sejam atacados ou que ela tenha de andar com escolta por medo de agressão. A punição pelas atitudes dentro da casa veio a galope, com alta rejeição e contratos perdidos. Ela tem o direito de seguir com a vida e, acima de tudo, ela precisa ter o direito de aprender com seus erros e promover uma autocrítica. Um cancelamento sumário impede qualquer tipo de evolução.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL