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'Cidade Invisível', da Netflix, é alvo de críticas por ativistas indígenas

Marco Pigossi (ao centro) é o protagonista de "Cidade Invisível" - Reprodução / Internet
Marco Pigossi (ao centro) é o protagonista de "Cidade Invisível" Imagem: Reprodução / Internet
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

18/02/2021 16h48

Bem recebida por público e crítica, "Cidade Invisível", nova série nacional da Netflix, abriu um debate nas redes sociais sobre representatividade indígena. Boa parte dos questionamentos diz respeito a como a produção, baseada no folclore brasileiro, não escalou atores ou consultores que conheçam melhor a cultura.

No Twitter, Lai Munihin, socióloga e pesquisadora nas áreas de relações étnico-raciais e encarceramento indígena, apontou falta de diversidade. "Se quisessem ter feito isso bem feito, teriam contratado indígenas para toda a parte de produção de roteiro, enredo, para além da questão de escolha de atores", escreveu.

A pesquisadora critica o fato de personagens como Saci, Boto, Iara, Curupira e Caipora, "consideradas cinco entidades pertencentes às espiritualidades indígenas, serem interpretadas por não-indígenas brancos e negros".

Para Fabrício Titiah, ativista da tribo Pataxó HãHãHãe, "Cidade Invisível" confunde quem assiste. "Há uma diferença muito grande entre exaltar uma produção nacional e colaborar para a venda da imagem de um Brasil onde a cultura sagrada de um povo é tratada como uma fantasia exótica, reforçando pensamentos equivocados que os gringos tem sobre nossa cultura", disse.

"É uma grande produção nacional, uma pena que erraram. Faltou estudar mais e ser respeitoso. Eu e outros parentes podemos contar a história que realmente representa as tradições originárias, a representatividade já começa aí."

A ativista e comunicadora Alice Pataxó seguiu a mesma linha de pensamento: "Nossa cultura não é entretenimento, nossas crenças não devem ser desrespeitadas, somos partes dela, não podem nos excluir da sabedoria que nos pertence".

Os críticos ao seriado são claros: faltou escalar atores e roteiristas indígenas, de maneira que o projeto pareceu flertar fortemente com a apropriação cultural.

Ambientada no Rio de Janeiro, a série é estrelada por Marco Pigossi e Alessandra Negrini, que interpretam um policial e a Cuca. O elenco conta ainda com nomes como Victor Sparapane, Fábio Lago e Jimmy London.

Desde a estreia, a produção figura entre as mais assistidas da Netflix e chegou a entrar no Top 10 de países como a França e a Espanha. A plataforma de streaming não se manifestou sobre o assunto.