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Cocaína no bastidor e bacalhau: para filme, Chacrinha seria impossível hoje

Chacrinha tem história contada em novo documentário - Reprodução / Internet
Chacrinha tem história contada em novo documentário Imagem: Reprodução / Internet
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

21/01/2021 11h37

Resumo da notícia

  • Em documentário que estreia no dia 28 nos cinemas, Luciano Huck e Gugu Liberato afirmam que jamais poderiam fazer o mesmo que o apresentador
  • No filme, Tony Bellotto, dos Titãs, diz que bastidores tinham sempre cocaína e uísque falsificado paraguaio
  • Chacrinha foi o responsável por popularizar os programas de auditório e teve passagens por Globo, Excelsior, Tupi, Record e Band

Com legado inegável para a TV brasileira, Chacrinha (1917-1988) ganha mais um filme sobre sua carreira. Com estreia prevista para o dia 28 nos cinemas, "Chacrinha - Eu Vim Para Confundir e Não Para Explicar" se une a longas como "Alô, Alô, Terezinha" e "Chacrinha - O Eterno Guerreiro" para relembrar a história do homem que popularizou os programas de auditório. O documentário, dirigido por Claudio Manoel e Micael Langer, ouve ex-chacretes, filhos, esposa, músicos e abre espaço também para apresentadores. Todos são unânimes: seria impossível levar ao ar uma atração nos mesmos moldes hoje em dia.

Para Luciano Huck, na primeira jogada de bacalhau na plateia, haveria acusações de que desperdício de comida em um país como o Brasil. Para Gugu Liberato (1959-2019), o mundo estava ficando chato, mas ele reconhece que houve grandes exageros em nome da guerra de audiência, lembrando da época em que produções "sequestravam" e trancavam em um quarto de hotel o convidado do programa concorrente. Algumas das chacretes entrevistadas, como Rita Cadillac, lembram de brincadeiras como passar a mão na bunda de cantores - numa dessas, Tim Maia (1956-1998) abandonou o palco.

Nos créditos finais, Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, diz que havia coisas que só aconteciam no programa de Chacrinha: a certeza era de que haveria sempre cocaína e uísque falsificado paraguaio nos bastidores. De fato, outros tempos.

O filme tem ainda depoimentos de figuras como Wanderléa - que namorou um dos filhos do apresentador e esteve no dia do acidente em que ele ficou paraplégico -, Sylvinho BlauBlau - que, sem modéstia, diz que ele e Paulo Ricardo eram os mais bonitos da época -, Pedro Bial - grande conhecedor da história de Chacrinha - e Angélica - que começou a carreira em um concurso promovido pelo comunicador. Elke Maravilha (1945-2016) e Chico Anysio (1931-2012) também marcam presença, assim como Boni, que relembra o dia em que brigou com Chacrinha pelos corredores da Globo.

Em uma época na qual programas de auditório parecem passar por uma crise criativa, seria curioso ver se Chacrinha, que promovia disputa de cães pulguentos, ainda teria algum espaço na TV brasileira nos moldes de antes.