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Em série de Scorsese na Netflix, Fran Lebowitz faz rir de polêmicas

Martin Scorsese e Fran Lebowitz conversam na série "Faz de Conta Que Nova York É Uma Cidade" - Divulgação
Martin Scorsese e Fran Lebowitz conversam na série "Faz de Conta Que Nova York É Uma Cidade" Imagem: Divulgação
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

19/01/2021 15h36

Há pessoas que não precisam fazer muito para ganhar a atenção do espectador. Bastam abrir a boca para garantir risada, reflexão ou julgamento. Fran Lebowitz é uma destas. Escritora e polemista, a americana vive de dar opiniões controversas e sagazes sobre tudo. Mal humorada, acaba por arrancar risadas com seu jeito direto e sem cerimônia. Foi exatamente isso que fez com seu amigo Martin Scorsese a transformasse em protagonista de uma série documental da Netflix.

A relação entre os dois é antiga. O diretor já lançou, inclusive, um filme somente com as opiniões dela, chamado "Public Speaking". Nele, Fran discorre sobre os mais diversos temas. Ao falar sobre LGBTs, por exemplo, diz não entender como um grupo que queria liberdade e tinha medo do exército acabou lutando por casamento e alistamento. Tem sua razão, ainda que questionável. É divertida. Na nova série da plataforma de streaming, chamada "Faz de Conta Que Nova York É Uma Cidade", ela resolve abordar assuntos relacionados à vida na metrópole. E ninguém precisa ter ido aos Estados Unidos para se relacionar com a narrativa.

Ao longo de sete episódios, Fran Lebowitz fala sobre sua aversão por turistas e por férias. Sobre o envelhecimento, seu apego aos livros e sobre arte. Ao lembrar dos leilões em que foi, questiona porque aplaudem o lance mais alto e não a obra. Ao afirmar que boxe deveria ser proibido, diz que a única coisa boa das lutas era acompanhar os looks da plateia. Num mundo em que as redes sociais bombam, a escritora afirma não ter celular ou tablet. Diz que telefone fisico e endereço bastam. Sua opiniões são tão cirúrgicas - e controversas - que é impossível não rir delas. E é exatamente isso que Scorsese faz, a todo momento caindo nas gargalhadas.

Quem procura uma diversão leve e rápida tem em "Faz de Conta Que Nova York É Uma Cidade" uma ótima opção. É difícil no Brasil encontrar polemistas que sejam controversos e, ainda assim, respeitosos. Fran Lebowitz dá uma aula nesse sentido.