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Katylene fez LGBT rir de si mesmo e revolucionou quando internet era mato

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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

09/01/2021 13h31

Resumo da notícia

  • Ex-apresentador da MTV Brasil e da Band morreu aos 32 anos, em decorrência de problemas renais
  • Em um tempo em que as redes sociais engatinhavam, Daniel foi um dos primeiro produtores de conteúdo e influenciadores digitais do país
  • Muitos dos memes hoje usados no Twitter foram cunhados pela personagem Katylene, com sua linguagem divertida

No final da primeira década do ano 2000, quando a internet ainda era mato, uma turma ousada começou a capinar e preparar o terreno para os influenciadores de hoje. Blogs como "Te Dou um Dado?" e "Morri de Sunga Branca" transformaram o noticiário de celebridades em material humorístico. Junto deles, um se destacava pela linguagem específica cunhada para seus textos e também pela produção de conteúdo explicitamente LGBT: "Katylene", que, em pouco tempo, transformou a personagem numa febre e responsável pela criação de vários memes.

Duvida? Se hoje, por acaso, você cruza com alguém no Twitter se referindo a Britney Spears como "Neyde", é por causa da personagem. Se você usa expressões como "Traça ou Repassa", "Quem nunca?", "Aloka" e "Quem vê neca não vê ereção" também. Todas essas brincadeiras saíram da mente brilhante de Daniel Carvalho, criador dessa moradora de M'Boi Mirim, que sabia tudo sobre famosos, entendia bastante de moda e se mostrava a maior entendedora de Pajubá, a linguagem cifrada dos LGBTs.

Daniel pode ser considerado um dos primeiros influenciadores da internet. Em um tempo em que o Instagram ainda pensava em dominar o mundo e o Twitter não era tão tóxico, deu início a várias gírias e virou página inicial de muita gente, que vivia esperando a próxima atualização. Em tempos de famosos da internet apostando em ideias discutíveis, ele transformou a produção de conteúdo em negócio de maneira vanguardista.

A mente aguçada não demorou a ser percebida por outros meios de comunicação. Na noite paulistana, criou a Balada Mixta, festa que marcou a juventude de muita gente. Em 2010, ganhou programa próprio na MTV Brasil. Dois anos depois, estava na Band, integrando a equipe do "Muito Mais", atração comandada por Adriane Galisteu sobre celebridades.

A partida precoce de Daniel —ou Katylene—, aos 32 anos, deixa um grande vazio em muita gente. Além de querido, foi o responsável por fazer com que uma geração inteira ficasse confortável na própria pele e soubesse rir de si mesma. O humor foi parte fundamental para falar de preconceito e também para naturalizar a vivência LGBT em um tempo em que questões identitárias ainda engatinhavam nas redes sociais. Ele fará muita falta. Daniel Carvalho ainda tinha muito a produzir e a oferecer. Não por acaso ensaiava a volta de sua personagem mais famosa para a televisão.