PUBLICIDADE
Topo

Histórico

Fefito

'The Undoing' termina com artifício de novela das nove - com spoiler!

Nicole Kidman e Hugh Grant, protagonistas de "The Undoing", minissérie da HBO - Divulgação/HBO
Nicole Kidman e Hugh Grant, protagonistas de "The Undoing", minissérie da HBO Imagem: Divulgação/HBO
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

30/11/2020 00h46

Resumo da notícia

  • Minissérie da HBO recorre à velha estratégia de vilão que sequestra mocinho no último capítulo
  • Produção abre ainda uma reflexão sobre privilégio e como o dinheiro muda o rumo das histórias
  • Sem reviravoltas mirabolantes, série é menos sobre "quem matou?" e mais sobre como lidar com sociopatia

Minissérie em seis capítulos da HBO, "The Undoing" chegou ao fim neste domingo em ritmo de novela da Globo. Além de investir pesado no melodrama, a produção preparou um desfecho que utiliza um velho artifício dos folhetins brasileiros: o sequestro pelo vilão no último capítulo.

Girando em torno de um assassinato, cujo principal suspeito é um médico, vivido por Hugh Grant, marido da protagonista, interpretada por Nicole Kidman, a história desperta suspeitas e espalha pistas falsas pelo caminho. Afinal, o que o pai milionário da mocinha fazia em frente ao prédio da vítima? Seria a melhor amiga uma das amantes do acusado? Poderia a artista plástica ter sido morta pelo próprio marido? Ou seria o próprio acusado o assassino?

Embora crie possibilidades, "The Undoing" decide seguir no caminho contrário a reviravoltas mirabolantes. A história é menos sobre "quem matou?" e mais sobre identificar o comportamento de um sociopata, que, muitas vezes, pode estar debaixo de nosso nariz - portanto, sim, o mistério se resolve sem uma grande virada, mas com uma cena desnecessariamente gráfica. Parece haver certa fetichização da violência neste momento. É também uma trama sobre privilégio. Com apoio financeiro milionário, assassinos podem sair livres, a opinião pública pode ser comprada. E sofrer de frente para o Central Park, em Nova York, parece muito mais charmoso.

É curioso, no entanto, que o último episódio da minissérie recorra a um artifício já manjado por aqui. O vilão que sequestra alguém - normalmente mocinha ou criança - para desespero de todos à sua volta. Graças à atuação afiada do jovem Noah Jupe e do experiente Hugh Grant, o momento consegue gerar um bom entretenimento. Mas, no quesito dramalhão, as novelas das nove ainda superam tentativas como as da produção da HBO.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL