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Silvio de Abreu inovou ao levar comédia e o gênero policial para novelas

Silvio de Abreu (Divulgação) - Divulgação
Silvio de Abreu (Divulgação) Imagem: Divulgação
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

27/11/2020 18h50

Resumo da notícia

  • É inegável que a Globo tem uma dívida histórica com o autor de sucessos como "A Próxima Vítima" e "Guerra dos Sexos"
  • Com suas tramas policiais, Silvio de Abreu parou o Brasil, que queria saber a identidade de bandidos misteriosos
  • Autor foi também responsável pela revelações de novos nomes da dramaturgia da emissora

A dispensa de Silvio de Abreu do comando da teledramaturgia da Globo chega para confirmar rumores que circulavam há alguns meses. Além de ter sido peça fundamental na renovação de autores de novelas da casa, o escritor segue agora o mesmo caminho de outros medalhões da emissora. Assim como Aguinaldo Silva e Walther Negrão, o dramaturgo deixa o canal após uma longa lista de serviços prestados.

É difícil imaginar como seria a teledramaturgia nacional sem Silvio de Abreu. Foi ele quem corajosamente apostou na comédia pastelão e nos deu clássicos como "Guerra dos Sexos" (1983) - que ganhou um remake em 2013 - e "Cambalacho" (1986). "Sassaricando" (1988), outra trama sempre lembrada por seus fãs, eternizou personagens como a Tancinha, vivida por Claudia Raia, e posteriormente interpretada por Mariana Ximenes em "Haja Coração", atualmente sendo reprisada. "Rainha da Sucata" (1990) também foi fenômeno de audiência. Foi também criação do escritor Tina Pepper, que fez Regina Casé explodir nos anos 80.

Com Jorge Fernando (1955-2019), formou uma afiada dupla com grande capacidade de fazer o espectador rir. A sequência em que os personagens de Paulo Autran (1922-2007) e Fernanda Montenegro fazem uma guerra de comida durante o café da manhã entrou para a história. Em Fernandona, aliás, Silvio encontrou uma grande parceira. A transformou em protagonista de "Guerra dos Sexos", "Cambalacho", "As Filhas da Mãe" (2001), "Passione" (2010) e lhe deu a inesquecível vilã Bia Falcão, de "Belíssima" (2005).

Além de exímio autor de comédia, Silvio de Abreu mostrou que um gênero pouco explorado na dramaturgia renderia grandes folhetins. A trama policial de "A Próxima Vítima" (1995) parou o país, com direito a bolsas de apostas para descobrir qual era a identidade do assassino da história. Em "Torre de Babel" (1998), a curiosidade para saber quem explodiu o shopping foi tamanha que a cena final foi gravada minutos antes de ir ao ar, com bastidores mostrados no "Jornal Nacional".

É do dramaturgo também um dos maiores sucessos da televisão brasileira: "Éramos Seis", escrita em parceria com Rubens Ewald Filho (1945-2019). O autor esteve por trás de três versões da trama, na TV Tupi (1977), no SBT (1994) e a mais recente, deste ano, supervisionando os roteiros.

É raro que autores passeiem com tanta destreza por gêneros tão variados. No geral, a carreira de Silvio de Abreu tem muito mais acertos que erros - até mesmo a tão criticada "As Filhas da Mãe" trouxe inovações na época, ao ser narrada em ritmo de cordel e trazer assuntos para discussão como a transsexualidade de Ramona (Claudia Raia).

Ator que virou roteirista e grande apaixonado por cinema, Silvio de Abreu fez história e deve seguir fazendo em outras plataformas e formatos. É inegável que a Rede Globo tem uma dívida histórica imensa com ele. E não será surpresa se o convidarem para escrever uma minissérie ou seriado em algum momento. Não dá para abrir mão da experiência.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL