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Bolsonaro, os maricas enfrentam tudo de peito aberto - e querem vacina

"Tem que deixar de ser um país de maricas", diz Bolsonaro sobre covid-19                       - WALLACE MARTINS/ESTADãO CONTEúDO
'Tem que deixar de ser um país de maricas', diz Bolsonaro sobre covid-19 Imagem: WALLACE MARTINS/ESTADãO CONTEúDO
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

10/11/2020 21h07

Resumo da notícia

  • Presidente diz que Brasil 'tem que deixar de ser um país de maricas', quando perguntado sobre a pandemia
  • Bolsonaro não só volta a usar de termo homofóbico como esquece que o brasileiro tem enfrentado corajosamente a covid-19
  • Está na hora de reconhecer que a comunidade LGBTQIA+ não é cortina de fumaça e que governo precisa assumir responsabilidades

Desde março, quando o país entrou em isolamento, 163 mil mortes já ocorreram por causa do coronavírus. São mais de 100 mil famílias diretamente afetadas pela perda de um ente querido. São mais de 100 mil famílias desejando que outras não passem pelo mesmo que elas, torcendo por uma vacina. Nesta terça-feira (9), ao ser questionado pela imprensa sobre a suspensão da Anvisa ao desenvolvimento da vacina Coronavac no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro foi categórico: "Tudo agora é pandemia, tem que acabar com esse negócio, pô. Lamento os mortos, lamento. Todos nós vamos morrer um dia, aqui todo mundo vai morrer. Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas".

Para os não familiarizados com o termo, uma de suas definições no dicionário é: "indivíduo do sexo masculino que se comporta com modos femininos; efeminado". Ou seja: numa só tacada, Bolsonaro desqualifica mulheres e homossexuais. Ainda que se referisse a "maricas" única e exclusivamente como "covarde" - algo que o povo brasileiro não é -, ele deveria saber que, dado seu histórico de declarações, a primeira interpretação é a mais óbvia.

Para o presidente, está na hora de enfrentar a pandemia "de peito aberto". Estivesse atento ao que ocorre no país, Bolsonaro deveria saber que o país está enfrentando tudo de peito aberto desde março. O Brasil tem enfrentado um bruto aumento do desemprego, por exemplo. Segundo o IBGE, entre maio e setembro, mais de 4,1 milhões de brasileiros entraram para a fila do desemprego, o que corresponde a uma alta de 43% em cinco meses. O Brasil tem enfrentado de peito aberto a fome e a violência, tem enfrentado de peito aberto a vida com um auxílio emergencial já diminuído. Alguns enfrentaram de peito aberto a vida sem o auxílio por serem vítimas de problemas no sistema. O Brasil enfrentou, de peito aberto, 163 mil mortes desde março.

O mínimo que os cidadãos esperam é que Bolsonaro, de peito aberto, pare de usar a comunidade LGBTQIA+ como cortina de fumaça a cada vez que surge um escândalo. O que o país precisa é que o governo, de peito aberto, acelere as buscas por uma vacina e esteja atento - em julho, segundo a Pfizer, o Brasil ignorou a oferta por uma vacina com 90% de eficácia.

O Brasil tem aguentado demais de peito aberto, Bolsonaro. Os LGBTs, de peito aberto, têm aguentado demais, especialmente de políticos que parecem esquecer que a foi LGBTfobia criminalizada. A população, de peito aberto, enfrenta um vírus que pode ser mortal. Está na hora de você, presidente, de peito aberto, enfrentar suas responsabilidades.