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Ao subverter o gênero, séries deixam heróis mais interessantes que cinema

Antony Starr e Erin Moriarty em uma cena de "The Boys", do Amazon Prime - Reprodução / Internet
Antony Starr e Erin Moriarty em uma cena de "The Boys", do Amazon Prime Imagem: Reprodução / Internet
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

20/10/2020 18h40

Resumo da notícia

  • "The Boys" e "The Umbrella Academy" vão na contramão dos grandes blockbusters do cinema
  • Nas séries, super-heróis podem viver de aparências e ter grandes falhas de caráter
  • A subversão da imagem perfeitinha dos personagens aponta para um bom caminho para o gênero

Muita coisa ruim já foi produzida na televisão envolvendo super-heróis. Com forte apelo adolescente, algumas produções caíram no esquecimento ou conseguiram espaço no coração de espectadores exatamente por apelarem para clichês. Foi no cinema que os personagens da Marvel e da DC parecem ter se encontrado, com sucessos grandiosos de filmes como "Vingadores: Ultimato", "Batman - O Cavaleiro das Trevas", "Mulher Maravilha" ou "Capitão América: Guerra Civil".

Embora ainda muito rentável, o gênero não tem apresentado tantas novidades ou mudanças nos últimos anos. É na televisão - mais precisamente no streaming - que os super-heróis têm se tornado figuras muito mais interessantes e carismáticas nos últimos tempos. A prova disso são as bem-sucedidas adaptações de "The Boys" e "The Umbrella Academy" feitas respectivamente pela Amazon Prime e pela Netflix. E a razão disso é bem simples: os seriados preferem subverter o gênero e não apostar em figuras livres de defeitos e movidas apenas por motivações nobres.

"The Boys", por exemplo, segue uma trupe de bandidos que tentam se voltar contra um time de heróis que lembra a Liga da Justiça. Há ali figuras que lembram o Super-Homem, a Mulher Maravilha, o Aquaman ou o Flash. Nenhum deles é movido por ações altruístas. Todos fazem parte de um esquema multimilionário de marketing financiado pela indústria farmacêutica. No fim das contas, muitos deles são, na verdade, bem malvados. As situações criadas pela série, no entanto, garantem grande diversão. Tanto que ela conseguiu a proeza de ter produzido uma segunda temporada melhor que a primeira, o que é raríssimo de ocorrer. Ao longo dos episódios, questões sociais servem de pano de fundo e paralelo com o mundo atual.

Talvez essa seja a grande sacada de "The Umbrella Acadamy", a adaptação da HQ homônima de Gerard Way e Gabriel Bá, cuja segunda leva de episódios falou bastante sobre racismo e segregação. Os protagonistas podem ter superpoderes, mas seguem imperfeitos - um deles, inclusive, adora consumir substâncias lisérgicas. O mesmo pode se dizer de "Patrulha do Destino" da HBO. Até mesmo "Titãs", da DC, em cartaz aqui pela Netflix, ganhou ares mais adultos, longe da vibe perfeitinha das séries da editora que a antecederam.

Em suma, parece que conferir personalidades falhas - e acima de tudo humanas - aos super-heróis parece ser um caminho para que o assunto não se desgaste. É nessa espécie de sátira levada a sério que pode estar o futuro do gênero.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL