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Autobiografia de Xuxa agrada fãs, mas deixa de lado histórias importantes

Xuxa com seu livro, "Memórias" - Blad Meneghel/Divulgação
Xuxa com seu livro, "Memórias" Imagem: Blad Meneghel/Divulgação
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

01/10/2020 17h09

Resumo da notícia

  • Apresentadora deixa de fora detalhes do rompimento com Marlene Mattos e com a Globo
  • Relações com Pelé e Ayrton Senna, no entanto, ganham bons capítulos no livro
  • Xuxa parece ter descoberto a vocação para advogar por causas de minorias - e isso é bom

Esgotada em várias livrarias atualmente, "Memórias" (Globo Livros, 272 págs., R$ 44,90), a autobiografia de Xuxa Meneghel, é uma leitura fácil. Com capítulos curtos e narrativa leve, a Rainha dos Baixinhos relembra boa parte de sua vida e da carreira. Se no que diz respeito à intimidade ele toca em temas espinhos - já no começo aborda os abusos que sofreu na infância -, no que diz respeito ao trabalho, boa parte das controvérsias acaba deixada de lado.

O fim da parceria com Marlene Mattos, por exemplo, é explicado em menos de um parágrafo. Segundo a apresentadora, o fato de seguir fazendo projetos para crianças fez com que se afastasse da diretora, que discordava da decisão. Nada sobre as tensões de bastidor, as acusações posteriores ou até mesmo o ambiente tenso de gravações, constantemente relatado pelas paquitas. As assistentes de palco, aliás, são citadas, de maneira geral, sem se ater a histórias específicas.

Da mesma maneira, a saída da Globo e a ida para a Record é contada de maneira pouco aprofundada. Sobre a nova emissora, embora afirme que passou a enfrentar novos desafios, como o uso de ponto e o ao vivo, Xuxa dedica poucos parágrafos. Sobre o fim de seu primeiro programa semanal e noturno no canal, nem uma palavra. Assim como o fim da relação com a antiga emissora não recebe grande destaque.

É nas causas, no entanto, que Xuxa parece ter se encontrado. Ao relatar os abusos que sofreu quando criança, divulga a melhor maneira de denunciar. Ao falar extensamente sobre a decisão de virar vegana, explica como o consumo de carne pode ser prejudicial. Ao falar de preconceito, condena a LGBTfobia. No livro, a impressão que dá é de que a apresentadora entendeu que se posicionar quando a determinadas questões é importantíssimo. A Rainha parece ter descoberto a vocação para advogar por causas de minorias - e isso é bom.

No que diz respeito à vida pessoal, há histórias curiosas sobre a amizade com Luiza Brunet e os tempos de modelo. Os capítulos sobre o namoro com Pelé também trazem revelações: o jogador não queria ficar com ela enquanto ainda fosse virgem e, depois de anos, a traía e ainda contava - afinal, todos sabem, há o Pelé e o Edson. A relação com Ayrton Senna (1960-1994) é explicada de maneira sensível e emocionante. Fica bem claro o quanto ela era apaixonada, assim como é hoje, por Junno Andrade.

Ao final de muitos dos capítulos, Xuxa agradece os carinhos dos fãs. Repetidamente, mostra-se consciente do privilégio e do quanto é amada, mas tenta, a todo custo, se mostrar como pessoa física, longe da figura mítica. Uma pena que tenha deixado uma parte tão relevante de sua história de fora. Quem sabe num próximo livro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL