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Fora da mídia, famosos encontram na homofobia uma alavanca de popularidade

Gilberto Barros pareceu deixar Sonia Abrão incrédula ao ser homofóbico durante entrevista - Reprodução/YouTube
Gilberto Barros pareceu deixar Sonia Abrão incrédula ao ser homofóbico durante entrevista Imagem: Reprodução/YouTube
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

15/09/2020 12h28

Resumo da notícia

  • Em live, Gilberto Barros afirmou que bateria em dois homens que se beijassem em sua frente
  • Na semana passada, Ana Paula Valadão afirmou que gays são culpados pela Aids - o que é largamente desmentido pela ciência
  • Não é de hoje que famosos tentam voltar para os holofotes usando homofobia como artifício

Fora do ar desde 2015, quando perdeu seu programa na RedeTV!, Gilberto Barros voltou ao noticiário esta semana após uma declaração dada em seu canal no YouTube. "Eu tinha que acordar às 2h30, 2h, e ainda presenciar, onde eu guardava o carro na garagem, beijo de língua de dois 'bigode', porque tinha uma boate gay ali na frente. Não tenho nada contra, mas eu sou gente. Naquela época ainda, chegando do interior. Hoje em dia, se quiser fazer na minha frente, faz. Apanha os dois, mas faz", afirmou. Participando da live com ele, Sonia Abrão ouviu tudo incrédula. Se o que o apresentador queria era voltar às manchetes, conseguiu.

Acostumado a ganhar holofotes em cima do que considera "controvérsia", Gilberto Barros mostrou-se apenas um triste homofóbico. Por causa disso, virou alvo - com razão - de uma ação no Ministério Público de São Paulo. Longe da televisão, acabará lembrado por ameaçar de agressão pessoas que professam o próprio amor. Provavelmente, o "Leão", como se denomina, não gostaria de apanhar por beijar sua namorada ou esposa em público. Da mesma maneira, ele, que exibia dançarinas de axé em closes desabonadores em seus programas, não deve mudar de canal ao ver um beijo entre atores heterossexuais nas novelas.

Na semana passada, Ana Paula Valadão, cantora gospel, que normalmente vira piada por surgir em vídeos se dizendo "sufocada" por ter feito cinco fotos com uma fã ou fazer músicas infantis com frases como "quem pecar vai pagar, quem pecar vai morrer", virou notícia ao dizer que gays são culpados pela Aids - os números atualmente mostram que o índice de contaminação é maior entre heterossexuais. Também acabou alvo de um processo por homofobia.

Há dois meses, Leandro Narloch, na CNN, cometeu erro parecido. Perdeu o emprego, mas logo foi contratado pela rádio Jovem Pan. Em 2014, Mara Maravilha, até então sumida da mídia, disse que homossexuais seriam aberrações. Ganhou vaga em "A Fazenda" e posteriormente foi contratada pelo SBT. Ao contrário dos citados anteriormente, no entanto, a apresentadora pediu desculpas e, hoje, tem discurso diferente.

O que casos como esses mostram é que não são poucas as personalidades da mídia que tentam fugir do ostracismo apelando para a homofobia. Ao incentivar discursos de ódio, muitos deles voltam ao noticiário e ampliam seu número de seguidores. É hora de se questionar se, ao dar destaque para estas figuras, não acabamos por premiá-las. O processo para atrair uma parcela de fãs reacionários a partir da discriminação tem ficado cada vez mais manjado. E é sempre bom lembrar: preconceito não é opinião.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL