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Alinhado politicamente contra Bolsonaro, Boni aponta erros da Globo

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, durante entrevista para o "Roda Viva" - Reprodução/YouTube
José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, durante entrevista para o "Roda Viva" Imagem: Reprodução/YouTube
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

14/09/2020 23h44

Resumo da notícia

  • Ex-Todo Poderoso da Globo acredita que não há possibilidade de governo tirar concessão da emissora
  • Para Boni, "politicamente correto" virou uma espécie de censura
  • Empresário defende ainda que jornalismo da Globo seja mais plural e acha que abrir mão da Libertadores e Fórmula 1 foi um erro

Entrevistado do "Roda Viva" na semana em que a TV brasileira completa 70 anos, Boni segue cirúrgico e apontando novos caminhos para o veículo. Para o empresário, responsável pelos anos de ouro da Globo, as novelas seguirão salvando as emissoras - "o tempo ideal de uma novela é de seis meses" -, falta programação infantil para ajudar a formar novos públicos - por isso as crianças recorreriam ao YouTube - e vê repetição no jornalismo - "falta pluralidade e ampliar a pauta".

A relação do jornalismo da Globo com o governo de Jair Bolsonaro, no entanto, não passou batida. Nesse sentido, ele parece alinhado com sua antiga casa. "A guerra do Bolsonaro não é contra a Globo, a imprensa ou a televisão. É contra a democracia", afirmou ele, que não acredita que emissora corre risco de perder a concessão e diz que isso seria pior que uma revolução. Para ele, algo parecido só ocorreria em tempos de ditadura, como aconteceu com a Excelsior e a Tupi: "Não é concessão de serviço público pra servir o governo. É concessão de serviço público para servir o público".

Apesar de estar na mesma página politicamente, Boni parece discordar de algumas decisões da Globo e culpa o politicamente correto comparando-o à censura. O ex-diretor jura não ter recebido queixas no que diz respeito a assédio sexual ou moral e advogou em favor de investigações profundas em casos como o de José Mayer. Ao falar sobre a dramaturgia, torceu para que não façam uma novela sobre a covid-19. Talvez ele não queira assistir a "Amor de Mãe" após a retomada das gravações, uma vez que a pandemia será retratada na trama de Manuela Dias.

Da mesma maneira, mostrou-se preocupado com a perda de direitos esportivos pela Globo, que decidiu abrir mão da Fórmula 1 e da Libertadores: "É fundamental que uma emissora que queira ser líder domine o esporte. Me preocupa violentamente a questão, não só da diminuição da participação, mas do desenvolvimento de outros esportes. Ela tem de adquirir o maior número de direitos possíveis".

No que diz respeito ao futuro, Boni acredita que pode haver uma bolha do streaming - chamada de TV do assinante -, uma vez que nem todo mundo poderá pagar por todos. Já a televisão "do anunciante", como ele mesmo chama, seguirá firme.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL