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Mariana Godoy não teme comparações com 'Aqui na Band': 'Não olho para trás'

Mariana Godoy terá Zeca Camargo como diretor em seu matinal - Reprodução / Internet
Mariana Godoy terá Zeca Camargo como diretor em seu matinal Imagem: Reprodução / Internet
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

06/08/2020 13h57

Resumo da notícia

  • Em entrevista para a coluna, apresentadora afirma que novo programa terá "a cara do Brasil"
  • A jornalista diz que, ao contrário do antecessor, evitará dar nomes a políticos
  • Mariana ainda revela que descobriu adiamento da atração por meio de Datena

Mariana Godoy tem trabalhado em ritmo acelerado nas últimas semanas. Prestes a estrear um novo matinal na Band em parceria com Zeca Camargo, que assumiu a direção, a apresentadora está otimista com o futuro. Para ela, a atração, cujo nome só será anunciado no dia da estreia, falará diretamente para os brasileiros e ouvirá o que os espectadores têm a dizer. A jornalista, no entanto, avisa: ao contrário do "Aqui na Band", não falará de políticos, com nome e sobrenome, mas, sim, de política, no sentido mais amplo.

A atração contará com Verônica Oliveira, faxineira popular nas redes sociais, que dará dicas de economia doméstica. Audino Vilão, que ganhou destaque como "filósofo da quebrada" nos últimos tempos por falar de filosofia de maneira simples e com linguagem coloquial em seu canal do YouTube, fará comentários sobre questões cotidianas. Ele se juntará a outro produtor de conteúdo nas redes sociais, Bruno Ferreira, do canal "Manual do Jovem Adulto", que dará dicas de lifestyle. O programa terá ainda uma especialista em transportes: Elisângela Machado é pesquisadora e consultora e já foi professora. Além deles, o chef Dalton Rangel seguirá falando de gastronomia nas manhãs da emissora e encerrará o programa, que contará ainda com vídeos enviados por espectadores. Leia a entrevista com Mariana abaixo:

Você vai conseguir ficar mesmo sem saber o nome de seu programa até a estreia?
Eu pedi para eles me fazerem a surpresa, mas eu sou a mãe, né? Uma hora acho que vou descobrir, olhando para o ultrassom, se é menino ou menina. Na semana passada, seria surpresa mesmo. Nessa não sei. Se eu tiver de gravar novas chamadas, acho que já vai ter o nome. Eu pedi para a Band para não saber, mas eles decidem. O que eu sei é que só vão passar o nome nesse fim de semana para a produção gráfica.

É bem ousado vender um projeto sem nome. O que você achou da ideia quando ela surgiu?
Achei super ousado! Acho que abrir uma votação para algo tão importante quanto o nome o programa mostra disposição, mostra que a gente quer ouvir o que as pessoas têm a dizer. E tem sido assim. Vou te dizer que, desde o dia em que anunciei no Twitter, recebi várias sugestões de pauta que foram aceitas e já estão em produção. A ideia é ter muita interação mesmo. A gente vai ter mensagens e vídeos das pessoas de casa o tempo todo. Ao final de cada programa, já anunciaremos o tema do seguinte e pediremos a participação dos espectadores.

O programa terá temas específicos então?
Sim! A cada dia teremos um tema para discussão. O do programa de estreia é "a cara do Brasil e do brasileiro". O que define o brasileiro? O que tem na alma desse país? Que país é esse? Acho que o Zeca Camargo estava escutando Legião Urbana quando teve essa ideia. Eu acho um diferencial ouvir as pessoas. A gente sabe que é super difícil fazer algo diferente na televisão, mas vou tentar essa interação ao máximo.

As manhãs costumam ser bem disputadas. O que vai ter de diferente no seu programa?
Todo horário é disputado, tem gente fazendo TV o tempo inteiro. Não tem nenhum horário que as emissoras deixam com tela preta. O que eu achei inovador nesse projeto é a possibilidade de dar espaço para gente que tem opinião e não é necessariamente conhecida, não é especialista. São pessoas que têm opinião e têm uma cara, cara de Brasil, e que a gente conheceu pelas redes sociais. Teremos quatro comentaristas. Um deles tem 18 anos e me lembrou muito o Renê Silva na gravação do piloto. O Audino já falava com linguagem própria, falou "da quebrada", como ele mesmo disse. São pessoas que falam do seus lugares, trazem a visão de onde estão. São pessoas comuns, que podem falar sobre todos os assuntos. Além do que, claro, vamos usar o jornalismo da Band o quanto pudermos. Se durante o programa acontecer um atentado, por exemplo, eu tenho condições de entrar com um correspondente naquele minuto. Acho que esse é um diferencial meu, que trabalhei por tanto tempo na cobertura jornalística, e da Band.

Você considera que colocou de vez o pé no entretenimento?
Acho que pus mesmo. No talk show, eu entrevistava os artistas, já era um pouco assim. Eu acho que tudo é muito parecido. Um jornalista é uma pessoa, não é um robô, uma máquina de conteúdo. A única diferença é que as minhas perguntas não representam meu ponto de vista. Elas são provocações. Tem uma técnica de entrevista, posso fazer o advogado do diabo às vezes. Mas o importante é ter o entendimento de que gente vai fazer companhia um pro outro. Televisão é companhia.

Ficou insegura com o adiamento do programa?
Pelo contrário. Fiquei mais segura. Deu tempo de fazer mais pilotos, testar mais modelos. A gente tinha feito poucos pilotos em três dias. Agora, essa semana inteira a gente já gravou outras coisas. A gente estava com o problema de receber pessoas e seguiremos com esse problema durante a pandemia. As cadeiras estarão bem distantes e não conseguiremos receber os cinco convidados do dia de uma só vez. Vou ter muitos convidados por Skype. Com essa semana a mais, me ambientei melhor no cenário.

Houve quem achasse que o programa não estava pronto para a estreia.
Estava pronto na semana passada e está pronto para a próxima. A única coisa é: quanto mais tempo se tem mais se ajusta. E também vai ter ajustes ao longo do caminho. É natural. E, se quiserem adiar de novo também, a gente segue ajustando.

Vocês trabalham com o dia 10 para a estreia?
Estamos, mas pergunta pro Datena, que ele que sabe! Ele que me falou, ao vivo, que não ia estrear dia 3 e, no final das contas, ele estava certo! (risos)

Procede que o programa não terá espaço para a política?
Claro que tem espaço para política! Viver é um ato político, se expressar é um ato político. O que não faremos é focar em personagens políticos. É política falar de assuntos como cidadania, políticas públicas, o modo de se maquiar e se vestir. Eu sou uma pessoa política e politizada. Não dá para se esconder do que é importante. O programa vai se aprofundar quando o tema exigir e ser mais leve quando o público quiser, mas não vamos ficar falando de políticos com nome e sobrenome. Isso não precisa.

Como tem sido a parceria com o Zeca Camargo?
Ele não para! Ele não é ligado no 220, ele é no 440! Zeca é muito parceiro, trouxe uma equipe linda, que se integrou super bem com a equipe da Band. Não temos uma equipe grande, são cerca de 15 pessoas trabalhando muito para colocar um programa diário no ar. A equipe do estúdio é incrível, reencontrei amigos da época da Manchete, da Globo e do SBT. É um ambiente super bacana.

Você vai ajudar no preparo das receitas do Dalton Rangel?
Ele vai cozinhar e eu vou comer. Por enquanto. A não ser que ele queira que eu dê uma receita minha, mas ele cozinha bem melhor que eu, essa área é dele.

Teme comparações com o "Aqui na Band"?
Não. É outro programa, com outra pessoa. E se tiver quem queira fazer isso, que fiquem à vontade para comparar. Eu não olho para trás e não me preocupo com o passado. Eu olho para a frente e estou preocupada em estrear com o Brasil inteiro junto com a gente. É muito importante fazer companhia para quem assiste. A televisão é companhia. A gente tem que aproveitar o que tem e apostar em uma troca bacana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL