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'Casamento às Cegas' atualiza namoro na TV de modo constrangedor e viciante

Cameron pede Lauren em casamento em "Casamento às Cegas" - Netflix/Reprodução
Cameron pede Lauren em casamento em 'Casamento às Cegas' Imagem: Netflix/Reprodução
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

04/03/2020 15h09

Resumo da notícia

  • Reality show mais assistido dos EUA virou vício no Brasil
  • Netflix exibirá lavação de roupa suja entre os participantes nesta quinta (5)
  • Programa é versão atualizada - e mais radical - do namoro na TV

Reality show mais assistido dos Estados Unidos atualmente, "Casamento às Cegas", da Netflix, tem ganhado espectadores fieis no Brasil e virado alvo de acalorados debates nas redes sociais. Intitulado "Love Is Blind" no exterior, o programa tem como objetivo saber se o amor é de fato cego, mas as linhas gerais não explicam o quão longe o entretenimento vai. Sem se ver, nem mesmo a silhueta, participantes interagem em encontros às cegas por 10 dias. Depois disso, têm de decidir se devem se casar com seus escolhidos, com direito a lua de mel e também a morar junto por 40 dias, tempo até que a cerimônia se realize.

O que se vê na atração é uma versão atualizada - e bem mais radical - do antigo namoro na TV. Ao invés de aparecer por trás de um biombo ou só mostrar partes do corpo, caso de programas como "Beija Sapo" e "Fica Comigo", os concorrentes se interessam primeiro pelo intelecto e pelas aspirações de seu pretendente. É quase como um Tinder sem fotos ou dicas. Parece uma ideia que Silvio Santos certamente levaria a cabo no saudoso "Em Nome do Amor". O que chama a atenção, no entanto, é o nível de constrangimento a que os participantes podem chegar. Em questão de dias, já dizem "Eu te amo" e planejam até mesmo filhos. Para quem assiste, a recomendação é mais por consulta com terapeuta do que noivado.

Superado a fase de se assustar com pessoas que decidem casar com quem nunca viram na vida, "Casamento às Cegas" vira uma grande opção de entretenimento. Nos bastidores, há candidatas disputando o mesmo pretendente. Uma delas, aliás, chega a firmar compromisso com sua segunda opção e parece nunca superar o fora que levou, indo atrás do noivo da amiga. Há quem não conte todos os segredos de cara e surpreenda a noiva. Há quem queira ter noivado sem sexo. Há questões que envolvem relacionamentos interraciais discutidas. E há, acima de tudo, pessoas desesperadas para casar.

Há algumas semanas, o "Saturday Night Live" fez um esquete em que dizia que a Netflix produzia reality shows degradantes demais para serem exibidos na TV. Faz sentido, mas isso não exclui o fato de que, para alguns, esse experimento deu certo. Para se ter uma ideia, os casais que chegaram "aos finalmentes" tiveram de ficar um ano e meio sem contar para ninguém que casaram. Eram proibidos por contrato de publicar fotos juntos nas redes sociais até que o programa fosse ao ar. Agora, estão finalmente livres. E, nesta quinta (5), a Netflix exibirá uma reunião com todos os candidatos, na qual haverá uma lavação de roupa suja. Provavelmente será como toda a temporada: constrangedor, mas absolutamente viciante.