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Só a Pixar pode ajudar Globo a encerrar Amor de Mãe com dignidade

Lurdes (Regina Casé) enfrenta Àlvaro (Irandhir Santos) em Amor de Mãe - REPRODUÇÃO/REDE GLOBO
Lurdes (Regina Casé) enfrenta Àlvaro (Irandhir Santos) em Amor de Mãe Imagem: REPRODUÇÃO/REDE GLOBO
Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Colunista do UOL

06/07/2020 13h39

Com os efeitos nefastos da pandemia ainda em franca expansão pelo país, retomar as gravações de novelas não deve ser uma possibilidade para o futuro próximo. A menos que a Globo pretenda encampar o movimento "Desencana, Brasil", o que também iria contra todo o posicionamento da emissora até aqui.

A ansiedade artística e comercial para o retorno de produções inéditas deve se intensificar nas próximas semanas. Quem aguenta mais uma série gravada em casa sobre as questões de classe média no isolamento social? Estamos exaustos.

Frente a uma situação tão extrema quanto a atual, com o sistema de saúde entrando em colapso após 120 dias de uma quarentena muito da desenxabida, tocada de soslaio pelo poder público e pela população, como seguir adiante?

Um dos mais importantes preceitos do livre mercado é a adaptação constante. Não adianta continuar dando marretadas na realidade para tentar adequá-la aos nossos desígnios. Chegou a hora de inovar com coragem.

Imagine só como será afetado o roteiro original de Amor de Mãe caso voltem com as gravações antes de ser plenamente seguro para todos os envolvidos —incluindo aí vários dos mais luminosos contratos da TV brasileira.

Sem a possibilidade de interações físicas contundentes, alguns personagens perderão completamente a função. Pior ainda, como imaginar alguém respeitando o distanciamento mínimo na casa de Dona Lurdes?

Por isso, apenas estúdios de animação como a Pixar poderão ajudar a Globo a encerrar a novela com a merecida dignidade. O respeito às ideias da autora Manuela Dias, que cativou público e crítica, parece ainda mais fundamental após a exibição da tragédia barrense de Fina Estampa.

Novos problemas demandam novas soluções. Animadores podem trabalhar de casa, inclusive de qualquer parte do mundo. E os atores dublam seus personagens com a tranquilidade de um áudio do WhatsApp.

Já existe tecnologia para evoluir o assunto com agilidade e destreza. É possível até contar com a captura de movimentos para replicar com perfeição toda a eloquência dramatúrgica de figuras como Juliano Carrazé, o eterno Adauto Chupetinha.

E o resto há de ser história.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL