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Chico Barney

Narcisa e Chiquinho Scarpa conversam sobre a pandemia em live caótica

Chiquinho Scarpa e Narcisa Tamborindeguy na live mais pitoresca da temporada - Reprodução/Instagram
Chiquinho Scarpa e Narcisa Tamborindeguy na live mais pitoresca da temporada Imagem: Reprodução/Instagram
Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Colunista do UOL

19/05/2020 21h03

Chiquinho Scarpa é mais um cidadão brasileiro a embarcar na onda das lives. Nesse período de isolamento social, as transmissões ao vivo pela internet estão representando uma importante alternativa de entretenimento para o público.

Na noite de terça-feira, o conde recebeu Narcisa Tamborindeguy para um bate-papo rápido, mas razoavelmente intenso, no Instagram. Ao fim dos 30 minutos, me senti exausto, tamanha a energia da troca.

Para apresentar a amiga, Chiquinho leu um generoso texto contando um pouco sobre a carreira e ações humanitárias empreendidas por Tamborindeguy. "Não gosto dessa palavra socialite", preferindo chamá-la de "essa grande mulher carioca".

Ao abrir a câmera, a interlocutora estava com o rosto coberto por um pedaço de pano nas cores do arco-íris. "Eu tô com a máscara LGBT! Prestigiar a diversidade do mundo!", exclamou, antes de engatar um delirante discurso. "Vamos mandar abraço para os médicos, enfermeiros, coveiros! Os coveiros também! Tá todo mundo sendo enterrado! Parece filme de terror!"

A conversa seguiu em alta octanagem, muito embora chamar o evento de diálogo possa parecer um exagero. Chiquinho tentava estabelecer contato, mas Narcisa irradiava uma poderosa energia caótica. Logo na sequência, ela quis saber: "Conseguiu vender aquela mansão maravilhosa?"

Talvez para sublinhar a urgência de uma negociação, Chiquinho começou a responder já adiantando o endereço de casa. "Praça Nicolau Scarpa, 6. Tá a venda há 8 anos já. Vamos ver se consigo um comprador. Eu nasci nessa casa."

O papo foi brevemente interrompido pelo barulho de algum celular tocando. Contrariado, Chiquinho denunciou: "Desculpa, é o telefone do Rob Tulli, que não tem educação", disse, em referência ao seu grande amigo, que estava no mesmo recinto.

Narcisa perguntou como estava a vida de Scarpa durante a pandemia. "A rotina minha não muda", tranquilizou, explicando que trabalha de casa há anos. "Tenho videoconferências com todos os diretores de todas as minhas empresas e, graças a Deus, está tudo em ordem."

O fluxo de consciência da socialite trilha por caminhos surpreendentes. Como tréplica, veio uma memória de tempos passados. "Lembra quando a gente saía até de manhã? Era uma bateria rock and roll." E falaram da alegria que era passar a virada do ano na casa dela com champanhe e caviar.

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Narcisa queria entender como Chiquinho estava fazendo para comer. "Apesar de eu ter cozinheiro aqui em casa, eu peço muito delivery, principalmente para os amigos meus restaraunteurs." Quando citou garçons e maîtres, a mente da convidada novamente resgatou lembranças, dessa vez a respeito de gorjetas. "Ele passa o dinheiro no ferro! Manda passar. Fica tudo passadinho! A pessoa ama."

A essa altura do campeonato, o anfitrião já estava convertido em entrevistado. Tamborindeguy questionou se os seus famosos animais exóticos estavam fazendo companhia na 'quarentena'. "Animal não passa o coronavírus. Então eu tô tranquilo com eles", disse o conde.

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Sei lá por qual motivo, Chiquinho perguntou "e a sandália que você me deu?", e Narcisa respondeu "qual seu número?". "Você me deu!", insistiu Chiquinho. "Eu vou dar outra". "Você me deu uma Rider", ele rebateu, e complementou rapidamente que o calçado estava no barco, quando questionado se ainda possuía o presente.

Então ela quis saber qual era a solução para a pandemia. "Rezar. Não podemos fazer nada. Não sair de casa", respondeu Chiquinho. "É, não sair de casa. Cadê minhas outras perguntas? Quarentena você foi muito bem", prosseguiu Narcisa.

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"Você já perguntou isso. Caiu na travessa... É uma bagunça!", disse Chiquinho, enquanto se divertia após uma repetição sem nexo de algum ponto da pauta. E Narcisa falou que o conde é "delicado, inteligente, sensual".

Chiquinho explicou que seu maior defeito "é fazer certinho", e relembrou a campanha em que enterrou um Bentley em nome da doação de órgãos. Garantiu que não sairá candidato a vereador, ou pelo menos afirmou que "por enquanto, nada decidido".

Antes de começar um lisérgico bate-bola, Narcisa mostrou algumas flores da loja da sobrinha, e falou que conseguiria algumas quando Chiquinho estivesse no Rio.

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Questionado se o pai seria seu herói, Chiquinho negou. "Sou eu mesmo. Me viro em sete, acho que meu herói sou eu mesmo."

Quanto ao vilão, o conde tergiversou. "Cê sabe, Narcisa. Não conheço nenhum vilão. Eu realmente até conheço, mas não tenho ligação nenhuma. Então eu não saberia dizer quem é um vilão." A amiga ficou orgulhosa. "É verdade, uma resposta elegante."

Talvez traumatizado por conta da célebre entrevista com Ibrahim Sued que quase lhe custou milhões de reais, Chiquinho também fugiu quando Narcisa pediu para indicar um ícone internacional. "Não posso citar para você, é muita gente."

Em vez de uma música, o conde surpreendeu ao mandar logo duas: "All Of Me, do Frank Sinatra. E outra do Jorge Aragão, Papel de Pão, que é uma beleza."

"O que te dá sono?", seguiu o quiz. "Um remédio que se chama dalmadorm, 8 horas exatas de sono." Narcisa se empolgou. "Que maravilha, vou mudar para esse remédio."

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Por vezes, Chiquinho ficava desconfortável, mas sem perder o bom humor. "Live com a Narcisa é uma tranquilidade, ela pergunta e responde, troca tudo. Ela nem tá me escutando." Quando tentou reverter a situação e se colocar como entrevistador, a coisa fluiu de maneira ainda mais pitoresca.

"Me conta a história dos ovos em Copacabana", questionou. Mas Narcisa elucidou daquele jeitinho todo especial. "Os ovos eram Ipanema! Mas já passou."

Chiquinho perguntou então das atividades da socialite durante "essa pandemia toda". "Eu tava viajando, tô fazendo ioga, tô fazendo distanciamento social, entrevistei pessoas, entrevistei aquele cantor, como é o nome, Jorge Ben Jor... Tudo com distanciamento ou live."

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Parecia que o papo ia acabar com menos de 20 minutos (que mais pareciam duas horas, tamanha a intensidade). Aí Narcisa colocou novamente a máscara e berrou: "LGBT! Beijo para os gays! Diversidade!"

Sem ninguém perguntar, ela prosseguiu. "A corrupção é "vilão"! Lava Jato é vilão! Chiquinho, você vai casar com a Fernanda?"

"Espero que sim! Se ela aceitar...", ao passo que a Fernanda, namorada do playboy, respondeu ao fundo: "Isso é um pedido?"

Logo ela apareceu também na tela e revelou que "Chiquinho Scarpa vai fazer uma tatuagem". Narcisa até tentou descobrir em qual parte do corpo, mas o conde interrompeu para falar sobre Fernanda. "Ela é cheia de tatuagem... Até no..."

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Dá gosto ver como Narcisa se empolga com facilidade. "Minha filha quer fazer várias tatuagens depois da pandemia! Vamos fazer uma e fiquem na minha casa!"

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Na reta final, Chiquinho tentou ponderar. "Queria beijar todo mundo, mas como não posso, vai meu abraço carinhoso." E prometeu: "Quando tudo isso passar, nós dois vamos fazer uma festa, Rio e São Paulo."

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL