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Arte Fora do Museu

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

São Paulo ganha estátua de Itamar Assumpção

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Andre Deak / Felipe Lavignatti

O projeto Arte Fora do Museu nasceu em 2011 com os pesquisadores e jornalistas Andre Deak e Felipe Lavignatti, como um levantamento de obras de arte nas ruas da cidade de São Paulo. Hoje em mais de 500 cidades do mundo, milhares de obras e centenas de artistas, é um guia de arte urbana que inclui arquitetura, escultura, graffiti e mural. Andre Deak e Felipe Lavignatti são também sócios na produtora Liquid Media Lab, com projetos de comunicação digital, arte e diversos trabalhos no campo da inovação.

Colunista do UOL

14/12/2021 12h57Atualizada em 14/12/2021 17h23

A sub-representação de negros, mulheres e indígenas em monumentos de São Paulo já é um fato conhecido e discutido há algum tempo. Na terra dos bandeirantes, é louvável quando se instala uma obra na rua que diminua essa diferença, como a que teremos a partir de amanhã. Em celebração do primeiro ano do Museu Itamar Assumpção - MU.ITA, será inaugurada uma peça em bronze do cantor em frente ao Centro Cultural da Penha.

Após a abertura da MU.ITA Ocupação no CCPenha, em 20 de novembro, a inauguração da estátua dá continuidade às comemorações do primeiro ano de existência do Museu Itamar Assumpção - MU.ITA. A obra em bronze, com 1,80 m de altura, é assinada pelo artista plástico Leandro Júnior. Criador de peças expostas em museus de Nova Iorque, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, Júnior é professor de arte e escultura em comunidades quilombolas e tem um trabalho voltado para a ancestralidade africana e a história da escravização no Brasil.

Leandro Júnior, autor da estátua de Itamar Assumpção - Divulgação - Divulgação
Leandro Júnior, autor da estátua de Itamar Assumpção
Imagem: Divulgação

A estátua do cantor é a primeira de cinco em homenagem a personalidades negras anunciadas este ano pela Prefeitura de São Paulo. Essas obras apontam para uma nova visão de ocupação das ruas. "É fundamental que toda a comunidade negra se movimente para estar presente e fazer ecoar este acontecimento. Não é todo dia que um artista negro brasileiro ganha uma estátua ou que a memória dos nossos é reverenciada. Num momento de tantos retrocessos, precisamos mirar no afrofuturo e reconstruir este país a partir das vivências e potências pretas", provoca Anelis Assumpção, cantora, compositora e diretora geral do museu que leva o nome do seu pai, Itamar Assumpção.

Uma programação especial foi pensada para celebrar o dia, que começa às 11h, com uma Missa Afro na Igreja do Largo do Rosário dos Pretos, que segue em procissão até o local da estátua, em frente ao CCPenha. A solenidade de inauguração conta com as presenças do ex-ministro da Cultura e Conselheiro do MU.ITA, Gilberto Gil; da Secretária de Cultura do município, Aline Torres e, claro, da família Assumpção.As Pastoras do Rosário, grupo formado por mulheres negras do bairro da Penha, cantam após a cerimônia e, a partir daí, o microfone fica aberto para a participação do público: poesia, rimas, músicas, todas e todos serão bem-vindes. O Bloco da Micaela anima a tarde no Largo e, às 17h, no Teatro Martins Penna, Anelis Assumpção apresenta um show muito especial, apenas com canções do Itamar e com a participação de Rincon Sapiência. O Bloco Ilu Obá de Min traz seus tambores, pernas de pau e toda potência da cultura preta, a partir das 18h, no encerramento das comemorações do dia.

Nascido em Tietê, no interior de São Paulo, Itamar viveu durante mais de vinte anos no bairro da Penha. Na capital, desenvolveu sua carreira como um artista autodidata e criou uma linguagem única que lhe deu o posto de um dos mais importantes nomes da Vanguarda Paulista. Com inspirações que vão de Jimi Hendrix a Adoniran Barbosa, Itamar compôs dezenas de parcerias, entre elas "Dor Elegante", com Paulo Leminski; registrada também por Zélia Duncan. O músico faleceu cedo, aos 53 anos, vítima de um câncer em 2003. Em 2020, o MU.ITA - Museu Itamar Assumpção é inaugurado e se torna o primeiro museu virtual dedicado a um artista negro brasileiro.