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Nova HQ do Pantera Negra reflete nova fase da Marvel para os clássicos

Andreza Delgado

Andreza Delgado, baiana da terra do cacau, é uma das criadoras da Perifacon, a Comic Con da favela. Tem um canal no YouTube para resenhar séries, HQ's, filmes e livros e o game perifa, mas quando dá tempo tuíta pelos cotovelos.

Colunista do UOL

14/08/2020 18h16

Vou contar para vocês, enquanto entusiasta do movimento afrofuturista (que mistura elementos tecnológicos e futuristas com o passado da cultura negra), a primeira coisa que imaginei quando peguei a HQ "Pantera Negra: Império Intergaláctico de Wakanda" foi:

Isso aqui deve estar muito bom

capa pantera negra e o imperio intergaláctico - divulgação - divulgação
capa pantera negra e o imperio intergaláctico
Imagem: divulgação

E eu não estava enganada. Lançada em maio no Brasil pela editora Panini, a obra marca a nova fase criativa da Marvel com alguns títulos clássicos. É um trabalho do premiadíssimo Ta-Nehisi Coates ("Capitão América"), que agora ganha as artes de Daniel Acuña (também do "Capitão América").

Você será apresentado ao império Intergalático de Wakanda, que já foi citado em Guerras Secretas. Mas o que interessa aqui não é ficar trazendo minidetalhes, mas te dizer que ser apresentado ao Império Intergalático de Wakanda foi uma das experiências de leitura, com sua mistura de ficção científica e questão racial, mais maneiras que já tive

Primeiro que o prazer dos quadrinhos é justamente ver o desenvolvimento de um universo, coisa que quem só acompanha por filme vai assistir durante cinquenta minutos no cinema, ter que esperar dois ou três anos para ver na tela, e acabar na grande criação de expectativa.

Como a sinopse bem apresenta, T'challa acaba descobrindo que tudo aquilo que sabe de Wakanda é pouco para imensidão do reino. Acordando numa prisão no meio de uma tentativa de fuga dos presos, ele claramente está numa nova posição e não é a de Rei, mas de prisioneiro numa disputa política.

Vamos descobrindo juntamente ao personagem, enquanto ele retoma sua memória, o que é aquele universo tomado por tecnologias inimagináveis. Uma das coisas que mais me chama atenção é o quanto a ancestralidade é apresentada em cada diálogo ou peça do cenário. Ao mesmo tempo que qualquer discussão racial está de plano de fundo, os conflitos ali são outros.

contra capa pantera - divulgação panini - divulgação panini
Imagem: divulgação panini

A escolha da tradução foi bem assertiva, todos os elementos escolhidos fazem com que a história te prenda. O enfrentamento aos Askari, que são a força policial do império e agentes do tráfico de escravos, propõe uma discussão política e moral de casta política e de decisões sobre comando.

A leitura dessa HQ nos coloca em uma perspectiva de um novo império e novas descobertas. Vale muito a pena a leitura dessa nova fase da Marvel com seus clássicos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.