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Aline Ramos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Juliana Paes tenta ser 'fada sensata', mas desconhece país em que vive

Aline Ramos

Aline Ramos é jornalista, mas tá mais pra palpiteira, por isso cria conteúdo na internet desde 2014. Você com certeza já fez algum teste dela no BuzzFeed, onde foi redatora por dois anos. É especialista em diversidade e dá consultoria para marcas em temas como raça e gênero. Mas o que ama mesmo é escrever sobre entretenimento e dar opinião sobre tudo, se bobear até sobre a sua vida.

Colunista do UOL

03/06/2021 09h46

Após ser duramente criticada por defender a médica bolsonarista Nise Yamaguchi, que prestou depoimento à CPI da Covid na última terça-feira (1), Juliana Paes publicou um desabafo em seu Instagram. Porém, era melhor ela nem ter se posicionado, já que demonstrou não saber muito bem como é o país em que vive.

No vídeo intitulado "Carta a uma colega...", a atriz fala das cobranças que têm recebido por não se posicionar politicamente neste momento. E mais, reivindica o direito de se manter neutra, já que, na sua visão, isso não a torna uma "bolsominion".

A coisa desanda quando a atriz diz que não apoia as "ideias arrogantes da extrema direita", mas que também tem medo dos "delírios comunistas da extrema esquerda", como se fosse essa a oposição de ideias políticas do Brasil no momento. Não é preciso ser de direita ou esquerda para saber que essa comparação é descabida.

Esse discurso, na verdade, faz coro à narrativa bolsonarista que ressalta o medo de uma suposta extrema esquerda comandar o país. Esse foi um dos fatores que ajudou a eleger o atual presidente, amparado por inúmeras fake news. Basta um pouco de boa vontade para saber que o Brasil passou longe de virar uma ditadura comunista.

Juliana Paes busca assumir uma postura de "fada sensata" ao dizer que nenhum lado a agrada e que não se sente representada, mas essa sensatez tem a profundidade de um pires.

A atriz afirmou ter críticas severas a quem nos governa. Mas por que não as faz? Se posicionar neste momento tão complicado não a coloca como apoiadora de um dos lados políticos do debate público, como ela diz.

Se estivéssemos em 2017, talvez esse posicionamento neutro pudesse fazer algum sentido, ainda que sob controvérsias. Porém, estamos em 2021. O Brasil tem quase meio milhão de mortos por Covid-19, número que poderia ser menor caso o atual governo não tivesse feito pouco caso da pandemia.

Juliana Paes negou ser "bolsominion", mas não se deu conta de que fez coro ao discurso bolsonarista para se defender. Na vida, nem tudo é 8 ou 80, como ela argumentou, mas na situação em que vivemos, talvez seja.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL