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Aline Ramos

BBB 21: Por que a escolha de Nego Di para o VIP não é racismo reverso

Reprodução/ Globoplay
Imagem: Reprodução/ Globoplay
Aline Ramos

Aline Ramos é jornalista, mas tá mais pra palpiteira, por isso cria conteúdo na internet desde 2014. Você com certeza já fez algum teste dela no BuzzFeed, onde foi redatora por dois anos. É especialista em diversidade e dá consultoria para marcas em temas como raça e gênero. Mas o que ama mesmo é escrever sobre entretenimento e dar opinião sobre tudo, se bobear até sobre a sua vida.

Colunista do UOL

29/01/2021 16h15

Assim que a Globo fez o anúncio da lista de participantes do BBB 21, o elenco foi celebrado por ser o mais diverso em toda a história do programa. Ao todo, são nove participantes negros, quase metade do número total de pessoas na casa.

Esse foi um avanço relevante, já que essa diversidade faz com que o BBB esteja mais próximo do que é a sociedade brasileira. Porém, mais diversidade também pode representar mais conflitos dentro e fora da casa.

Na noite da última quinta (28), Nego Di e Lucas Penteado venceram a prova do líder. Lucas ficou com o prêmio de R$10 mil e Nego Di com a liderança. É papel de todo líder escolher quem deve ficar VIP com ele, e assim o grupo passa a ter acesso ao quarto do líder, à cozinha mais equipada e a uma maior quantidade e variedade de alimentos.

Nego Di escolheu todos os colegas negros da casa e mais a Viih Tube, que é branca. Quando questionado sobre o critério de escolha, o humorista explicou que deu prioridade para as mulheres e seguiu algumas ideologias. Não explicou quais.

Racismo reverso não existe

A situação foi vista com maus olhos por algumas pessoas, incluindo Tainá Galvão, irmã do Fiuk. Para muitos, o que Nego Di fez foi uma espécie de preconceito ou racismo reverso contra brancos.

Porém, racismo reverso não existe. O racismo se baseia em um conjunto de fatores sociais e econômicos que excluem um grupo étnico/racial da sociedade de maneira contínua. No Brasil, não há uma estrutura social que exclua brancos.

Um programa como BBB demorar 21 edições para ter um elenco com uma quantidade significativa de participantes negros é um exemplo desse racismo estrutural. Brancos nunca foram excluídos dos programas de televisão.

Pessoas brancas até podem ser alvo de preconceito, mas jamais de racismo. E pelo que vimos, Nego Di não foi preconceituoso, apenas escolheu as pessoas que ele mais se identifica dentro da casa.

E se fosse o contrário?

Essa é uma ótima pergunta, afinal, o contrário do que o Nego Di fez sempre foi o padrão. Invariavelmente, o VIP era composto por uma maioria de pessoas brancas, tendo uma ou duas negras.

A escolha do humorista chama atenção justamente por ser algo raro, uma exceção daquilo que estamos acostumados a acompanhar. Se fossem todos brancos, não seria o contrário.