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Rainha de bateria, Erika Januza já emagreceu 9 kg por personagem: 'Autoestima vai e vem?

Mais E aí, Beleza?
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Luzara Pinho

Colaboração para Universa, de São Paulo

20/04/2022 17h00

Rainha de bateria da Viradouro, escola de samba que desfila nessa nesta sexta-feira (22) na Sapucaí, no Rio de Janeiro, Erika Januza anseia representar "várias mulheres negras" na avenida. A atriz, que perdeu mais de 9 quilos para viver a modelo Laila, de "Verdades Secretas 2", conversou com a maquiadora Fabi Gomes no programa 'E Aí, Beleza', de Universa, que é transmitido toda quarta-feira às 17 horas no Canal UOL.

Erika falou sobre sua relação com o corpo, como demorou para aceitar seus cabelos naturais e autoestima. "Sou uma cacheada, assumidíssima, sem usar química nenhuma, mas foi um processo."

Confira os principais trechos da conversa:


Você se acha bonita? Como foi sua relação com autoimagem ao longo do tempo?
Hoje, me acho bonita, mas já tive fases onde sempre encontrava algum problema em mim. Sempre estava errada aos olhos do mundo. Quando era adolescente, me achava magra demais, que meu cabelo não era bonito. Desde então, tive o cabelo alisado, que é uma coisa que vem de gerações, alisar o cabelo para tentar ser uma espécie de escudo para ser aceita. Uma luta constante com essa adaptação da Érika com o mundo.

Hoje sou uma cacheada assumidíssima, sem usar química nenhuma, mas foi um processo. Me permito usar uma lace curta lisa, e se alguém disser que não gostou, não me importo. Antigamente, a primeira coisa que eu faria era correr para trocar. Não digo que sou a rainha da autoestima, gosto muito de ouvir opiniões e sou aberta, mas hoje estou em um lugar que, sim, posso usar batom vermelho, batom preto, o que eu quiser se estiver me sentindo bem.

Sente que esse processo vai e vem, ou só vai?
Acho que vai e vem, mas depende do momento de vida, o que estou passando afetiva e profissionalmente. Quando você está bem consigo mesma, tudo flui melhor. Estou em uma crescente de me importar menos.

Quando soube que seria Rainha de Bateria, qual foi o 'play' na sua cabeça?
No começo achei que era trote. Mas quando isso se realizou dentro da minha cabeça, por incrível que pareça, eu não fiquei preocupada em engordar, por exemplo. Entendi que não seria a rainha mais gostosa do Carnaval, mas vou ser a mais dedicada. Quando fui convidada, estava começando o processo para a Layla, minha personagem em "Verdades Secretas 2", em que perdi nove quilos. Estava vestindo 36, minhas roupas estavam largas em mim. Uma coisa estranhíssima.

Mas minha preocupação é estar bem, com fôlego, feliz, saber cantar, interagir, conhecer as pessoas. A saúde é muito importante. Estar bem fisicamente de dentro para fora. Não adianta andar metade da Sapucaí e estar morta. É um desgaste físico muito grande.

Laila (Érika Januza) em Verdades Secretas 2 (Reprodução/Globoplay) - (Reprodução/Globoplay) - (Reprodução/Globoplay)
Érika Januza como a modelo Laila em "Verdades Secretas 2"
Imagem: (Reprodução/Globoplay)


Como foi perder nove quilos para viver Layla, a personagem em "Verdades Secretas 2"?
Foi muito bom. Foi a primeira vez que fiz uma transformação tão intensa. Ninguém me impôs, mas cheguei à conclusão que minha personagem precisaria. Se ela tinha distúrbios alimentares, qual sentido de estar com o mesmo corpo? Procurei um nutricionista e um médico para saber se estava bem. Como de tudo, então tive que fazer um corte de carboidrato. Nunca tinha feito dieta na vida, mas descobri que poderia comer o que estava determinado no papel. Fui disciplinada nesse nível. Arrumei um chef de cozinha porque não tinha tempo de cozinhar e nem saberia fazer certas receitas.

Eu tinha esse incentivo, mas f. Fazer dieta é muito difícil. Eu amo comer, sou taurina. Quanto mais emagrecia, ia me sentindo a Layla me naquele corpo ficando estranho. Todas as minhas roupas começaram a cair e percebi que era hora de parar. Cheguei aos 49 quilos. Agora, já estou com 55 kg. Fiz um monte de exames depois e minha saúde estava ótima. Agora, continuo com o chef para ganhar um pesinho para o Carnaval, comendo bem, mas querendo meus quilos de volta.

A relação com seu cabelo mudou ao longo do tempo. Não deixa de ser um processo não só de autoconhecimento, mas de conhecimento mesmo.
Estou nesse momento. Eu vim de Minas, há dez anos, para fazer a série "Subúrbia", com um cabelo alisado, batendo na cintura. Para mim aquele cabelo era meu, até porque comprei. Aí me perguntaram se poderiam cortar o meu cabelo. Naquele momento pensei que iriam tirar o escudo que tenho. Falei que podia porque era para um bem maior, mas só quem passa por questões capilares ao longo da vida -e toda mulher negra acho que vive esse processo-- sabe o quanto isso é pesado. Eu não sabia como era meu cabelo, não tenho memória dele a não ser com tranças.

Digo que minha profissão me transformou muito como pessoa. Para você aceitar o seu cabelo e como você realmente é, é de dentro para fora. Não adianta ninguém querer que você faça se você não está a fim. Você não vai se amar. À medida que meu cabelo foi vindo, fui percebendo como ele era. Ainda tinha química, não era meu cabelo de fato. Mas me descobrir cacheada foi um novo mundo. Quanto mais pra cima, mais eu gosto.

E na novela "Amor de Mãe", propus para o José Villamarim, nosso diretor, raspar a cabeça porque faria uma tenista de cabelo curto, que não tem tempo de arrumar cabelo, Chamei um barbeiro de Madureira, queria uma pessoa 'raiz' para fazer isso comigo. Levei ele lá para o trabalho, falei para ele ir aos poucos, como se fosse doer. Ele foi me mostrando e quando vi, ele estava na máquina 1.

Depois, um monte de meninas começou a cortar o cabelo também, foi uma coisa linda a identificação. Como o cabelo às vezes faz a mulher sofrer, né?

Antes cortá-lo, perguntei a opinião de um monte de gente. E 98% das pessoas aprovaram. E que se fosse meio a meio, o que importava era eu olhar no espelho e pensar: 'Estou amando!'. Sei que isso é muito difícil, ainda mais quando a pessoa não tem uma rede de apoio e a autoestima não está sólida.

Esses 2% que não gostaram da ideia eram homens?
É o estereótipo. Vivi um estereótipo a minha adolescência toda. A mulher bonita é a do olho claro, do cabelo comprido, liso, do bundão, do peitão. E se eu não tenho isso? Me sentia mal porque eu era muito magra e o legal era ser gostosona.

A atriz em foto publicada nas suas redes sociais - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
A atriz em foto publicada nas suas redes sociais
Imagem: Reprodução/Instagram

Pedimos para você selecionar uma foto de um momento muito especial, em que você estivesse 'se sentindo':
Nessa foto, estava me achando um espetáculo! Foram momentos que me olhava no espelho e falava: 'Gente! Que coisa sensacional!'. Agora gosto de usar roupa diferente, cabelo diferente. Esse dia foi muito importante porque estava como apresentadora de um prêmio que sempre admirei. Ao ser convidada, queria arrasar.'Meu stylist trouxe esse vestido e achei lindo! Talvez um tempo atrás não me permitiria usar isso, mas a Érika de hoje se permite. Queria unir o 'princesinha' com o afro da trança, que é a comunicação dos meus ancestrais e entrar com tudo o que uma mulher negra, antigamente a Érika que achava que não podia nada.

A outra foto é da minha coroação de Rainha de Bateria. Primeiro, sempre sonhei em ser Rainha e foi no Dia da Consciência Negra. Para mim, era a representação de um monte de mulher negra. Estava enaltecendo uma mulher negra, que era eu. No meu discurso, falei: 'A gente pode! Quando que, lá de Minas, sentada no meu sofá, admirando tudo pela televisão, iria imaginar que estaria aqui hoje sendo coroada Rainha?'. Estava me sentindo muito feliz e muito poderosa.

Erika Januza em foto escolhida para participação no "E Aí, Beleza?": na ocasião, ela foi coroada Rainha de bateria da Viradouro - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Erika Januza em foto escolhida para participação no "E Aí, Beleza?": na ocasião, ela foi coroada Rainha de bateria da Viradouro
Imagem: Reprodução/Instagram

Desde quando você tem essa identificação com o samba? É com o samba, com o batuque?
É com o Carnaval. Quando era criança, minha mãe sabia que quando chegava a vinheta de Globeleza, eu ficava enlouquecida. Inclusive, aprendi a sambar assistindo a Globeleza. Eu amanhecia assistindo aquilo, mas nunca imaginei que colocaria o pé no Rio de Janeiro e aquilo faria parte da minha vida. Na adolescência, meu Carnaval era assistir TV. Logo que descobri o Carnaval em Belo Horizonte, vim logo para o Rio e nunca mais deixei de estar na Sapucaí. Choro todo ano como se fosse a primeira vez.

O Carnaval para mim é muito mais do que pegar a fantasia, desfilar e ver os carros bonitos passando. Tem um monte de gente que está escondidinho fazendo tudo aquilo ir para a rua. Carteira assinada, é gente que trabalha muito, que tem turno noturno. Todas as profissões estão ali, só que as pessoas só veem aqueles carros bonitos na rua e acham que é só 'oba oba'. Tem muita coisa por trás disso. Estar como Rainha de Bateria, porque a bateria é o coração pulsante de tudo, é uma honra muito grande. É um negócio que não sei de onde vem, também não quero nem saber, quero viver.

Vamos para um bate bola.

Qual a sua comida favorita?
Canjica. Como o ano inteiro.

Qual personagem você gostaria de fazer?
Xica da Silva.

Acha que a humanidade falhou? Se sim, onde?
Sim. Em quase tudo. As pessoas estão cada vez menos empáticas.

O que mais alegra seu dia?
Sou uma pessoa tão alegre. Sempre acordo bem-humorada. Ir trabalhar me alegra muito.

Se você tivesse que escutar uma música para o resto da vida, qual seria?
"Aliança". Amo Marisa Monte!