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Lore Improta: 'No puerpério, perdi o controle sobre mim pela primeira vez e isso me desestabilizou'

Nathalia Geraldo

De Universa, em São Paulo

13/04/2022 17h00

Com quase 13 milhões de seguidores no Instagram, Lore Improta entrega muitas dancinhas virais que pipocam nas redes sociais, mas poucos sabem que a expressão artística está na vida dela há muito tempo. Movimentar o corpo faz parte da rotina da dançarina desde os 9 anos e, ainda na infância, chegou a ser campeã de natação e caratê.

Participante da atual temporada da "Dança dos Famosos", no "Domingão com Huck", e musa da Viradouro, escola de samba que desfila na madrugada do dia 23, no Rio de Janeiro, ela contou para a maquiadora Fabi Gomes neste episódio do "E Aí, Beleza?" como a exposição da vida pessoal na internet —seu trabalho— já interferiu no relacionamento com o cantor Léo Santana. "Precisei buscar um equilíbrio para não ser invasiva com ele, e ele teve que ceder e entender que isso faz parte do meu dia a dia."

Mãe de Liz, de seis meses, fruto do casamento com o músico, Lore também explicou como viveu as mudanças do corpo na gestação e os desafios do puerpério. "É muito mágica a mudança que teve na minha cabeça em relação a isso e me sinto orgulhosa por ter passado por essa fase: ter aceitado meu corpo do jeito que ele é, entender que ele é poderoso demais."

"Foi a primeira vez que eu não consegui ter controle sobre a minha pessoa, e isso me deixava totalmente desestabilizada emocionalmente".

A seguir, confira os principais trechos da conversa.

Você começou a dançar aos 9 anos e lutou caratê, sendo campeã baiana na categoria duas vezes. De onde vem esse desejo de se movimentar e explorar todas as possibilidades do corpo?
Sempre fui do esporte e gostava muito de me movimentar, botando a energia para fora. Minha mãe tentou me colocar no balécom 4 anos, e eu não gostei porque era muito parado. Então, entrei no karatê e fiquei até meus 12 ou 13. Também nadei durante quase sete anos.

Mas você tem uma relação profunda com essa coisa de movimentar o corpo?
Sempre gostei do novo. A dança chegou na minha vida quando eu tinha 9 anos. Estava andando em um shopping e um produtor me parou e falou que aconteceria o aniversário "surpresa" da Carla Perez. Ele me perguntou se eu não queria imitá-la dançando. Eu disse: "Quero", na mesma hora. Foi aí que entrei no grupo dela.

Lore Improta e a filha Liz, hoje com seis meses Imagem: Reprodução Instagram

Como a maternidade mudou a relação com o seu corpo? Você compartilhou bastante as dificuldades do puerpério.
Fiquei muito incomodada com o corpo no início da gestação. Sempre trabalhei com a minha imagem, sou extremamente vaidosa. O que mais me impactou no início foi justamente a falta de energia, os enjoos. Por eu já estar triste por cauda disso, impactava na questão visual, física.

Mas quando entendi que faz parte do processo e que estamos gerando uma vida, que meu corpo estava sendo morada de outra pessoa, tudo mudou para mim. Tanto que não fiz dieta na gravidez, comia tudo que tinha vontade. Fiquei com muita espinha no rosto, estrias apareceram.

Uma coisa que me incomodaria antes seria a questão dos seios, já fiz duas reduções de mama antes da gravidez. Meu peito era muito grande e isso me incomodava muito para dançar. O biquíni me incomodava, tinha má postura.

Hoje meu peito caiu e pensei que fosse me incomodar muito mais por conta de já ter feito redução e ter buscado essa 'perfeição' do seio. Quando entendi o que é a amamentação, que você está nutrindo seu filho, fiquei orgulhosa por ter passado por essa fase e aceitado meu corpo do jeito que ele é, entendido que ele é poderoso demais.

São muitas mudanças no corpo, os hormônios. De repente, você fica com raiva de algumas pessoas, sem motivo, começa a achar o cheiro do marido estranho... Você passou por esse momento?
Muito! O Léo tinha um perfume que enjoei demais do cheiro. Fui eu quem dei, o perfume e o hidratante. E ele viciou. A gente brigava sério. Sempre fui muito dengosinha, então ele achava que era isso. Teve um dia que passei muito mal e escondi os produtos. Ele nunca mais usou. Quando as pessoas me contavam, eu duvidava, não achava que era capaz de enjoar nesse ponto.

Algo que você falou que é muito importante é o baby blues. Muita gente não faz ideia do que seja.
Procurei entender um pouco sobre a maternidade durante a gestação para não ser pega de surpresa. Mas fui pega de surpresa da mesma maneira. Por mais que a gente leia, nunca é igual para cada mulher. O baby blues me pegou desprevenida. Foi a primeira vez que não consegui ter controle sobre a minha pessoa, e isso me deixava totalmente desestabilizada emocionalmente. Eu chorava por nada. O Léo falava que me amava, eu chorava, e quando não falava, chorava!

Qualquer coisa, podia ser positiva, estava chorando de tristeza, não de alegria. Entendi depois que passou, que era uma junção dos meus medos. Tudo mudou e existe uma nova pessoa na minha vida, a Liz, que depende 100% de mim.

Eu amo meu trabalho. Já acordo pensando no que fazer, em pesquisar músicas, no que vou dançar, no conteúdo que vou produzir. Então, não tinha mais a minha rotina. Com 15 dias de pós-parto, falei para minha médica que tinha que dançar. E quando dancei, virou a chave.

Lore Improta em foto escolhida para o "E Aí, Beleza?" Imagem: Reprodução/Instagram

Pedimos para você escolher uma foto onde você estivesse se sentindo bem gata, poderosa, bonita. Por que essa foto?
Toda vez que olho para essa foto me emociono. Ela representa muito para mim. Me acho muito linda nela, poderosa. Não é a beleza física, é por estar gerando uma vida. A Liz me traz sensações incríveis. Eu olho para essa foto e meu olho enche de lágrima. Me acho 'perfeita de tudo nela', poderosíssima, uma leoa!

A gente associa muito beleza à imagem, ao que está fora. Em que momento da sua vida você se conectou mais com a tua beleza?
Na minha gestação. Era engraçado porque as pessoas falavam que estava muito mais bonita grávida e agora no puerpério. Não é essa questão da beleza física, acho que transcende, é a questão da energia, da luz. Meus olhos brilham quando falo sobre Liz.

Você acha que o universo da dança é inclusivo para corpos fora do padrão? Já se sentiu pressionada a manter uma determinada forma para fazer parte de algum balé?
No passado, sim. Principalmente na Bahia, que tinham muitos grupos de dança para bandas de axé, de pagode. Aqui sempre tivemos muito o 'corpo de baile' para isso. Acho que hoje, principalmente com o movimento que vi muito a Anitta trazendo, há inclusão de mulheres mais cheinhas. Isso tinha que ter acontecido há muitos anos, porque a dança é para todo mundo.

Lore Improta e o marido Leo Santana Imagem: Reprodução Instagram

Você é muito ativa nas redes sociais, costuma mostrar o dia a dia com a família. Tem algum receio quando você expõe sua intimidade dessa maneira? Já passou por alguma situação desagradável?
Já passei por situações desagradáveis. Quando a gente decide expor a nossa vida na internet e meu trabalho é, literalmente, expor a minha, tem que ter um limite do que fazer e até onde mostrar. O Léo é cantor e ele entende que ele é artista quando sai de casa. Dentro da casa dele, ele é Leandro Silva de Santana. Cheguei mudando tudo, porque sou o contrário. Dentro de casa, eu sou artista. Mostro como funciona minha vida, meu dia a dia, minha mãe, meu pai.

Eu e Léo tivemos um embate muito forte no início porque ele não conseguia entender. Tive que buscar um equilíbrio para não ser invasiva, e ele teve que ceder e entender que isso faz parte do meu dia a dia.

O que você leva na sua nécessaire?
Depois que lavo o rosto, passo o tônico, e um sérum para fechar os poros e hidratar a pele. Depois o protetor solar que, para mim, precisa existir a todo momento.

Gosto muito do protetor com cor, porque assim não preciso passar base e pó no rosto. Venho com um corretivo, que eu amo, e as esponjinhas, que não vivo sem. Costumo fazer a pele bem leve, tanto que não passo pó, a não ser que seja uma make noite ou algo assim. O blush, eu amo! Uso ele no nariz também, para ficar bem coradinha mesmo. Estou viciada agora nessa sobrancelha para cima. Duas coisas que finalizam minha make: lip balm e rímel.

Você criou uma plataforma de streaming. Pode nos contar mais?
No ano passado criei o Lore in Play. Entendi que cada vez mais estamos refém dessas plataformas. Quando o Instagram saiu do ar, todo mundo ficou louco. Hoje, todas essas plataformas fazem parte do meu trabalho. E se elas saírem do ar, é como se eu ficasse sem meu escritório e dá desespero só de pensar. Decidi criar a plataforma e colocar conteúdos exclusivos. O Lore in Play tem uma base de 600 filmes.

Chegou para mim que você já viveu um perrengue de beleza que hoje em dia virou 'trend'. O que rolou?
A mesma pessoa faz a minha sobrancelha há dez anos. Só que eu não paro, me movimento o tempo todo, preciso conversar. E ela estava tirando a minha sobrancelha e, em um momento, ela usa um motorzinho para tirar os pelinhos de cima. Só sei que fui dar uma gargalhada e mexi a cabeça. O motor passou na sobrancelha. Ela ficou parada e me falou que tirou metade da minha sobrancelha. Comecei a rir muito. Ela tremia, me acabava de rir.

Vamos para um bate bola. O que mais te irrita em você mesma?
Organização, agenda.

Se você não fosse a Lore, quem você seria?
Eu gostaria de ser minha mãe, Dona Lia.

Se você tivesse que dançar uma só música para o resto da vida, que música seria?
Qualquer uma do Léo, eu amo, dançaria o resto da vida.

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