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Preto à Porter

Um resgaste da realeza negra


Das cotas ao poder, 'Preto à Porter' responde por que preto e dinheiro não são palavras rivais

Lucas Veloso

Colaboração para o UOL, de São Paulo

14/09/2021 11h00

Profissionais pretos em posições de poder e que se destacam na sociedade pelo trabalho que desenvolvem. É este o pano de fundo do quarto episódio de Preto à Porter, no ar a partir desta terça-feira (14).

Dirigido por Rodrigo Pitta, em parceria com a MOV, a produtora de vídeos do UOL, e o coletivo de entretenimento internacional TEAM O!, o episódio "Cotação alta" discute ainda os caminhos do sucesso profissional, o significado de "reparação histórica" e a criação das cotas raciais como política pública para reverter os efeitos nocivos do racismo estrutural sobre a população negra no Brasil.

Frases como "cota é que gera preconceito", "tem que levar em conta o conhecimento, não a cor das pessoas", "somos todos iguais, somos seres humanos", são desconstruídas ao longo do programa. A cantora Bia Ferreira, autora da composição "Cota Não é Esmola", explica por exemplo o que é e para que serve esse tipo de política afirmativa no país.

Segundo um estudo divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em 2016, os alunos negros cotistas de universidades públicas apresentaram desempenho próximo, similar ou até melhor em relação aos não-cotistas, quebrando a expectativa de que estudantes cotistas diminuiriam a qualidade das instituições.

Entre os convidados e convidadas do programa, Nina Silva, considerada a "diva do movimento Black Money", recebe a cientista social Dariane e a gestora ambiental Daiana para contar sobre suas experiências no mercado de trabalho e nas universidades, e como suas trajetórias foram impactadas pelo racismo.

A "rainha do carimbó" Eliana Pittman retorna a Preto à Porter para bater um papo com Benedita da Silva, deputada federal (PT-RJ) e ex-governadora do Rio. Na conversa, a parlamentar falou sobre suas bandeiras contra o racismo, a violência das mulheres e em prol da juventude negra. "Se não investir na população negra, não há mudanças", atesta.

Entre as histórias de sucesso mostradas no episódio está a da publicitária Andrea Pitta, dona de sua própria agência. Ela fala da surpresa que as pessoas possuem ao se deparar com uma mulher negra à frente do próprio negócio e conta que isso já está mudando. "Mas o mundo está caminhando para que um dia isso seja normal", pontua.

Um de seus clientes é Luciano Lucas, líder de parcerias para a América Latina da Coca Cola, que também participa do papo e fala de algumas situações adversas. Em um evento profissional em que era convidado, o executivo já foi confundido com valet e recebeu a chave para estacionar um carro. Em outra situação, já mandaram-no carregar caixas durante uma montagem de um evento que ele tinha contratado.

Dos corredores de hospitais, a oncohematologista pediátrica Magmília Pitta explica como a frase "ser duas vezes melhor" se aplica ao seu cotidiano profissional. A cineasta Sabrina Fidalgo analisa ainda o setor audiovisual brasileiro e a ausência de pessoas negras em lugares de destaque.

O quadro Tela Porter recebe a promotora de Justiça Livia Vaz, eleita pelo Mipad (Most Influential People of African Descent, na sigla em inglês) uma das 100 pessoas de descendência africana mais influentes do mundo.

O ator Taiguara Nazareth conversa sobre trajetória profissional com a empresária Rachel Maia, que começou como contadora até ocupar cargos de chefia em importantes empresas internacionais, como a Lacoste. Para ela, as empresas não podem mais ignorar a diversidade e a inclusão dentro de suas diretrizes e políticas internas.

No estúdio, os apresentadores falam sobre importantes fíguras negras de que pouco ouvimos falar, como o engenheiro André Rebouças, o primeiro negro presidente do Brasil Nilo Peçannha, o Machado de Assis, além da escritora Carolina Maria de Jesus e da primeira deputada estaudla negra Antonieta de Barros.

Onde assistir "Preto à Porter"
A série conta com episódios novos toda terça-feira transmitidos no Canal UOL. Ao longo de cinco capítulos semanais, o público poderá acompanhar histórias, entrevistas e conteúdos relacionados à existência negra, como religião, colorismo, pretos em posições de poder e ancestralidade.