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Preto à Porter

Um resgaste da realeza negra


Preto à Porter: série vai da Bahia a Rio e SP para responder: 'o que é ser negro no Brasil?'

Lucas Veloso

Colaboração para o UOL, em São Paulo

24/08/2021 11h00

Quem são e de onde vieram os pretos trazidos para cá? Como é que diz: preto ou negro? Personalidades de várias cidades do país entram em cena para costurar o episódio de estreia de "Preto à Porter", que debate o significado da ancestralidade negra no Brasil.

"É sempre importante resgatar a nossa história para que a gente nunca esqueça o que aconteceu e saiba valorizar e reconhecer a nossa origem ancestral", destaca o fotógrafo Roger Cipó, que divide a apresentação com o ator Hélio de La Peña, a empreendedora Neyzona (Loo Nascimento) e a historiadora Caroline Sodré.

Assim como fizeram os portugueses em 1500, a série desembarca na Bahia. Por lá, quem começa a jornada de descobertas é o artista visual Alberto Pitta, que conversa com especialistas sobre a origem do povo negro enquanto anda pelas ruas de Salvador.

Da antropóloga Jamile Borges, ele ouve que 70% da população negra veio de Angola. Também saíram pessoas trazidas em regime de escravidão do Congo e da região da Costa da Mina, que corresponde ao que hoje é a faixa litorânea de Gana, Togo, Benim e Nigéria.

No bairro de Curuzu, em Salvador, a conversa continua com Vovô do Ilê, fundador do bloco afro Ilê Aiyê, que vê avanços para a população negra, apesar da persistência do racismo estrutural. "Eu vejo uma vitória, que foi a partir do momento que o povo negro passou a se reconhecer, a se assumir como negro", diz.

A autodeclaração das pessoas negras aumentou nos últimos 20 anos, escrevem o economista Josimar Gonçalves de Jesus e o agrônomo Rodolfo Hoffmann, ambos especialistas em distribuição de renda no Brasil, no estudo "De norte a sul, de leste a oeste: mudança na identificação racial no Brasil". Em 1995, cerca de 68,17 milhões de pessoas se autodeclararam pretas e pardas, número que subiu para 79,6 milhões em 2001 e chegou a 107,06 milhões de brasileiros em 2015.

Da Bahia, a produção vai até o Rio de Janeiro, onde Rodrigo Pitta,diretor e roteirista de "Preto à Porter", bate um papo com Hélio de la Peña sobre fama, preconceito e ancestralidade. Após fazer um teste de DNA, Hélio descobriu que descende dos Tikar, um grupo étnico de Camarões.

Também no Rio, Caroline Sodré passeia com a atriz e cantora Eliana Pittman por locais cariocas que fazem parte da chamada Pequena África, como o Cais do Valongo e a Pedra do Sal.

No centro de São Paulo, o rapper Edi Rock e a jornalista Rudimira Fula visitam locais importantes para a cultura negra. Em Los Angeles (EUA), a cantora Flor Jorge e a modelo Luz Jorge fazem uma videochamada com o historiador João Bigon para falar sobre personalidades negras que ainda não são reconhecidas.

De forma didática, a jornalista Glória Maria faz uma participação especial para explicar os termos "negro" e "preto" no contexto racial brasileiro.

Onde assistir "Preto à Porter"
Com estreia nesta terça-feira (24) de agosto, às 11h, no Canal UOL, a série conta com episódios novos toda terça-feira. Ao longo de cinco episódios semanais, o público poderá acompanhar histórias, entrevistas e conteúdos relacionados à existência negra, como religião, colorismo, pretos em posições de poder e ancestralidade.

Imagens: Getty Images


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