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"Lista vermelha" aponta que 30% das espécies analisadas estão ameaçadas

Imagem ilustrativa de dragão de komodo; um trabalhador na Indonésia foi atacado por um desses animais - Wikimedia Commons
Imagem ilustrativa de dragão de komodo; um trabalhador na Indonésia foi atacado por um desses animais Imagem: Wikimedia Commons

04/09/2021 13h17

Reunida num congresso em Marselha, no sul da França, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) publicou neste sábado (4) a "Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas". Os cientistas avaliaram 138.374 espécies, das quais quase 30% estão sob ameaça.

Entre as espécies emblemáticas que sofrem graves ameaças está o dragão de Komodo, o maior lagarto do mundo e, também, um dos mais antigos. As condições de vida desses gigantes, que medem até três metros de comprimento e pesam 90 quilos, estão ameaçadas tanto pelo aquecimento global quanto pela atividade humana. A União Internacional advertiu que o aumento do nível do mar, causado pelo aquecimento global, deve reduzir em 30% o habitat destes animais nos próximos 45 anos.

Os pesquisadores alertam para uma verdadeira hecatombe da biodiversidade mundial que já está em curso. De acordo com a IUCN, "a tendência mostra um nível entre 100 e 1.000 vezes acima das taxas normais de extinção. A "Lista Vermelha" de espécies ameaçadas classifica animais e plantas em nove categorias, de acordo com o grau de ameaça que sofrem. Do total investigado, 38.543 foram classificadas em diferentes níveis de comprometimento.

Outras vítimas das atividades humanas são os tubarões e arraias. A reavaliação da situação global dessas espécies mostrou que 37% delas entraram nas categorias de animais ameaçados, contra 24%, em 2014. Além da pesca predatória, esses animais enfrentam a degradação de seu ambiente natural e as consequências do aquecimento global.

"Muitos tubarões e arraias estão sendo mortos e as medidas contra a pesca predatória são lamentavelmente inadequadas", com uma exploração "muitas vezes legal, mesmo que não seja sustentável", explica Nick Dulvy, da universidade canadense Simon Fraser.

"Essas avaliações da Lista Vermelha demonstram quão intimamente nossas vidas e meios de subsistência estão ligados à biodiversidade", afirmou o diretor-geral da IUCN, Bruno Oberle, em um comunicado.

Lista verde

Esse tipo de estudo é feito desde 1964. Desta vez, o balanço veio acompanhado de uma "lista verde", reunindo os sucessos de conservação. O "Green Status of Species", tem "dois objetivos principais: medir a regeneração das espécies, o que nunca foi feito, e conhecer o impacto dos programas de conservação", explica Molly Grace, coordenadora do Green Status Working Group.

"Prevenir a extinção não é suficiente", insistiu ela, para quem o Status Verde ajuda a "tornar visível o trabalho discreto de proteção" das espécies.

Um exemplo é o condor californiano, classificado como "criticamente em perigo" desde os anos 1990, mas cuja população está crescendo muito lentamente na natureza, com 93 adultos atualmente, graças à reintrodução de indivíduos e forte proteção. "Sem isso, ele teria desaparecido na selva", destaca Grace.

A IUCN também anunciou que algumas espécies de atum pescados comercialmente estão em via de recuperação, graças à aplicação de quotas regionais. Das sete espécies mais pescadas, quatro viram a sua classificação para baixo na lista. O atum rabilho do Atlântico, por exemplo, passou de "em perigo" para "menos preocupante", três categorias abaixo. Porém, apesar desta boa notícia, a União alerta que os estoques regionais de atum continuam empobrecendo.

"Essas avaliações são a prova de que as abordagens de pesca sustentável funcionam, com enormes benefícios de longo prazo para a atividade econômica e a biodiversidade", disse Bruce Collette, presidente do Grupo de Especialistas em Atum da IUCN.

Assim como a Lista Vermelha, o "Status Verde das Espécies" tem nove categorias, que vão de "recuperação total" a "extinção na natureza", passando por vários estágios como "diminuição leve", "diminuição moderada", "diminuição significativa" e "crítica". A lista verde deve permitir ver o potencial de recuperação de uma espécie a curto e longo prazo, até um século.

Essa classificação conta, por enquanto, com 181 espécies avaliadas, longe das 38.500 que constam da Lista Vermelha. Outras estão em avaliação e serão divulgadas no fim do ano.

"A Lista Vermelha e o Status Verde fornecem avaliações separadas, mas relacionadas e complementares da situação de conservação de uma espécie", explica a IUCN.

Áreas protegidas

Ao mesmo tempo, a IUCN criou uma "Lista Verde de Áreas Protegidas e Conservadas". Ela contém um total de 59 locais em todo o mundo e se baseia em 17 critérios, em quatro áreas: "boa governança, design e planejamento robustos, gestão eficaz e resultados de conservação eficazes".

O Congresso da IUCN é uma oportunidade para os gestores públicos e a sociedade civil multiplicarem as mensagens sobre esse elo entre o colapso em curso da biodiversidade e as condições de vida dos humanos no planeta, também ameaçados pelas mudanças climáticas.

(Com informações da AFP)