Merlot ou cabernet? Como as margens de Bordeaux influenciam seus vinhos

Bordeaux é talvez a mais prestigiosa região produtora de vinhos do mundo. Com certeza, é a mais influente. Suas uvas foram plantadas em praticamente todo o mundo. E as mais conhecidas delas são a cabernet sauvignon e a merlot. Na estreia do programa "Vamos de Vinho", os jornalistas Vinícius Mesquita e Rodrigo Barradas conversam sobre as áreas de Bordeaux em que cada uma se sai melhor.

Localizada no sudoeste da França, a região de Bordeaux é dividida em duas partes pelo estuário do Gironde. Por causa disso, fala-se em duas margens, a esquerda e a direita (do ponto de vista de quem está indo em direção ao mar).

As áreas próximas ao Gironde da margem esquerda são perfeitas para a cabernet sauvignon. No solo pedregoso do Médoc (uma sub-região de Bordeaux), que era um pântano antes de ser drenado pelos holandeses no século 17, a cepa se desenvolve bem e atinge ótima maturação. Por causa disso, os grandes vinhos da margem esquerda costumam ter muito cabernet na sua composição.

Do outro lado do rio, as plantações de uvas são mais antigas, provavelmente do início do milênio passado. Ali, a rainha é a merlot, embora a cabernet franc também se expresse muito bem. As denominações mais famosas dessa área são Pomerol e Saint-Émillion.

A merlot é uma variedade que produz vinhos em geral muito sedosos, com taninos macios, e aromas de frutas como cerejas e ameixas. Já sua parceira da margem esquerda é mais nervosa, quase apimentada, com taninos mais notáveis e aromas que mesclam cerejas pretas, groselha, grafite e até tabaco.

Na prática, as duas uvas aparecem juntas em quase todos os vinhos, formando a parte mais importante do famoso corte bordalês, junto com cabernet franc, petit verdot, malbec e carménère.

Aquecimento global pode alterar um clássico de Bordeaux?

No "Vamos de Vinho" desta semana, Mesquita e Barradas também falaram sobre como o aquecimento global pode alterar o famoso corte bordalês (Bordeaux blend, em inglês).

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Em 2021, o Inao (instituto que regula as denominações na França) aprovou o plantio e o uso de touriga nacional, marselan, arinarnoa e castets, em quantidades limitadas.

A ideia é experimentar uvas que têm capacidade de tolerar temperaturas mais altas. A touriga nacional, por exemplo, faz vinhos de alta qualidade nos verões muito quentes do Douro, em Portugal.

Vamos de Vinho:

Apresentado pelos jornalistas Vinícius Mesquita e Rodrigo Barradas, o videocast combina conhecimento especializado e uma abordagem descontraída sobre temas como os diferentes tipos de uvas e as regiões de destaque no mundo do vinho.

Os episódios são disponibilizados toda quinta, a partir das 19h, no Canal UOL e no Youtube de Nossa. Assista ao primeiro episódio completo:

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