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Tripulantes descansam em 'quartos secretos' dentro de aviões; conheça

O compartimento de descanso dos comissários da Emirates, em um Boeing 777 operado pela companhia - Divulgação/Emirates
O compartimento de descanso dos comissários da Emirates, em um Boeing 777 operado pela companhia Imagem: Divulgação/Emirates

De Nossa

05/07/2022 04h00

Você já imaginou como relaxam comissários e pilotos quando o voo entra naquela fase de puro silêncio, especialmente nas viagens mais longas no meio da noite?

Tripulantes têm, na verdade, seu próprio espaço para descansar, reconhecido por órgãos internacionais como a F.A.A. (Federal Aviation Administration, a Anac americana) ou a EASA (European Union Aviation Safety Agency, sua versão europeia) pela sigla CRC.

O que significa? CRC é "Crew Rest Compartment" ou, literalmente, o compartimento de descanso da tripulação. Ele pode ser encontrado em aeronaves de grande porte, que geralmente realizam voos transatlânticos — mais longos e, por isso, que demandam que os funcionários possam mesmo esticar todo o corpo por questões de saúde.

São elas todas as versões de Airbus A330, A340, A350, A380, Boeings 747, 767, 777 e 787, além de outras como Antonov An-124 e Tupolev Tu-114. Apesar de serem grandes aviões, o espaço disponível é apertado — e o resultado destes compartimentos é bem parecido com um hotel cápsula no Japão.

O acesso à área de descanso de aeronaves Airbus - P. Masclet/Divulgação Airbus - P. Masclet/Divulgação Airbus
O acesso à área de descanso de aeronaves Airbus
Imagem: P. Masclet/Divulgação Airbus

Nas mais modernas aeronaves, como o Boeing 787 e o Airbus A350, o CRC de comissários está localizado acima da cabine principal, junto à fuselagem superior. Mas nas mais antigas, ele estava muitas vezes situado junto ao compartimento de carga ou até no meio da cabine principal. Há ainda sempre um segundo, para os pilotos, acima do cockpit, informou o site Business Insider.

Alguns confortos são obrigatórios, segundo as agências reguladoras da aviação civil internacional. Os compartimentos de descanso precisam ter sempre ajuste de iluminação e temperatura, circulação de ar satisfatória e mínimo desconforto em relação a som e odores do restante da aeronave.

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Os mais recentes ainda contam com "beliches", em que cada cama precisa ter, no mínimo, 198 centímetros de comprimento por 76 centímetros de largura e 1 metro cúbico de espaço ao redor, para que o tripulante possa se movimentar minimamente. É necessário também um espaço comum para que comissários ou pilotos possam se trocar.

"Pode ser bastante confortável. Nós recebemos lençóis, similares aos usados na classe executiva dos nossos voos internacionais. Gosto deles, mas eu tenho apenas 1,73 m, se você colocar alguém de 1,93 m ali, vai ficar um pouco apertado", opinou a comissária da United Airlines Susannah Carr à CNN americana.

Os beliches podem ser claustrofóbicos, segundo a comissária da United Airlines - Divulgação/Boeing - Divulgação/Boeing
Os beliches podem ser claustrofóbicos, segundo a comissária da United Airlines
Imagem: Divulgação/Boeing

Para ela, em alguns aspectos, o CRC é mais confortável do que um assento de primeira classe. Mas em outros, não é bem assim.

"Os beliches podem ser mais largos do que a primeira classe e, para mim, pessoalmente, dependendo da aeronave, ganho mais espaço para as pernas. Mas se você é claustrofóbico, você realmente pode se sentir [desconfortável] ali — é um avião, você só tem espaço até um certo ponto e eles realmente utilizam cada centímetro".

A área de descanso dos tripulantes no A350 da Qatar Airways - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
A área de descanso dos tripulantes no A350 da Qatar Airways
Imagem: Reprodução/Twitter

Susannah costuma voar em aeronaves Boeing 787, 777 e 767. Nesta última, segundo o veículo dos EUA, a área de descanso na cabine principal consiste em simples assentos reclináveis. Assim, a privacidade é bem menor e o barulho da cabine também pode interromper com maior frequência o momento de relaxamento dos tripulantes.

Mas e quem está pilotando o avião?

Dependendo da duração do voo, é normal que um avião tenha até quatro pilotos a bordo. Eles, então, trabalham em turnos — sempre há dois no cockpit, enquanto um ou dois descansa no CRC.

Este tipo de revezamento, assim como a pausa dos tripulantes, é estratégico.

Pilotos também têm seu espaço para relaxar, aqui em aeronaves Boeing - Divulgação/Boeing - Divulgação/Boeing
Pilotos também têm seu espaço para relaxar, aqui em aeronaves Boeing
Imagem: Divulgação/Boeing

"Este é o momento do voo em que não atendemos a chamados dos passageiros ou realizamos qualquer outra tarefa a não ser descansar, permitir que nossos pés e nossa cabeça tenham seu intervalo. O propósito é manter uma mentalidade alerta e pronta durante todo o voo, para que, se qualquer coisa inesperada acontecer, estejamos prontos para agir", explicou ainda à emissora a comissária Karolina Åman, da Finnair.

Ela ainda estima que tripulantes passem no mínimo 10% do voo no CRC ou, pelo menos, 1h30 nas viagens mais longas.