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Vistas da Via Láctea de lago congelado e deserto ganham concurso de fotos

"Ice Age", de Alvin Wu, no TIbet   - Divulgação
"Ice Age", de Alvin Wu, no TIbet
Imagem: Divulgação

Eduardo Vessoni

Colaboração para Nossa

19/05/2022 04h00

O inverno no Hemisfério Norte é a época em que muito viajante cruza a Linha do Equador em busca de dias mais quentes do lado de cá do planeta.

Exceto para esses caçadores de Via Láctea que, a procura de imagens impactantes da galáxia, viajam para os lugares mais remotos em busca dos melhores registros dos céus do Norte.

Em sua 5ª edição, o "Milk Way Photographer of the Year" promovido pelo site Capture the Atlas acaba de divulgar as 25 melhores fotografias da Via Láctea, selecionadas a partir de uma lista com mais de 700 registros do gênero.

Com a pandemia, notamos que as fotos estavam um pouco limitadas com relação à localização porque as pessoas viajaram menos. Mas em 2022 voltamos a ter uma variedade de lugares", conta Dan Zafra, astrofotógrafo espanhol e editor do site.

Fotos como "Winter sky over the mountains", de Tomás Slovinsky (Eslováquia), são bem complicadas porque poucos lugares dá para ver neve e Via Láctea na mesma imagem - Divulgação - Divulgação
Fotos como "Winter sky over the mountains", de Tomás Slovinsky (Eslováquia), são bem complicadas porque poucos lugares dá para ver neve e Via Láctea na mesma imagem
Imagem: Divulgação

A divulgação dos trabalhos vencedores costuma ser no final de maio, pois coincide com o pico da temporada de avistamento da Via Láctea no Hemisfério Norte, que vai de fevereiro a outubro.

Já no Hemisfério Sul, a melhor época para esse tipo de registro é entre janeiro e novembro, aproximadamente.

Fotos inspiradoras

Um dos registros vencedores deste ano é a foto "Ice Age", feita em um lago congelado a 5.070 metros de altitude, em Pumoungcuo, no Tibet.

Além da composição artística desse trabalho do chinês Alvin Wu, que inclui registro de diferentes constelações e nebulosas, como as manchas vermelhas no céu, essa é uma fotografia inédita.

Ela é bem especial porque reúne tudo que procuramos. É um registro de um lugar de difícil acesso por motivos políticos e logísticos, onde a Via Láctea nunca tinha sido fotografada antes", justifica Dan Zafra.

Para ele, a luz no lago complementa bem as cores, entre o azul do gelo e o amarelo da luz [artificial]. "Tecnicamente, ela é perfeita", completa esse espanhol que costuma dar dicas para quem quer fazer fotografias noturnas, sobretudo da Via Láctea.

"Vinchina Blue Nights", do argentino Gonzalo Javier Santile  - Divulgação - Divulgação
"Vinchina Blue Nights", do argentino Gonzalo Javier Santile
Imagem: Divulgação

Esta edição foi marcada também por outras imagens de lugares remotos onde a Via Láctea também não tinha sido registrada, como o trabalho "Vinchina Blue Nights", de Gonzalo Javier Santile.

Realizada no povoado de Vinchina, na província de La Rioja, no Norte da Argentina, a imagem é um registro bastante raro da Corona del Inca, "cujo acesso é muito difícil e que exige ascensão com oxigênio devido à altitude", explica Zafra.

Outro registro na América do Sul que impressiona nesta edição é "The Salt Road", em que Alexis Trigo fez em um deserto de sal no Atacama, no norte do Chile, "onde a camada de sal reflete e potencializa a luz escassa, que vem principalmente da luz zodiacal e se traduz em menos ruído na fotografia", como descreve o próprio autor do trabalho.

"The Salt Road", de Alexis Trigo, no Deserto do Atacama  - Divulgação - Divulgação
"The Salt Road", de Alexis Trigo, no Deserto do Atacama
Imagem: Divulgação

Assim como Dan Zafra conta para a reportagem, são estabelecidos diversos critérios na hora da seleção das melhores fotografias.

Além de ser fonte de inspiração para as pessoas conhecerem a galáxia, o registro precisa estar "tecnicamente bem feito, com as estrelas bem focadas", e ter uma boa composição com componentes artísticos.

No ano passado, um dos selecionados foi o brasileiro Victor Lima com a imagem da Via Láctea sobre a Garganta do Diabo, no Parque Nacional Iguaçu, no Paraná.

Garganta do Diabo, no interior do Parque Nacional Iguaçu, no Paraná - Victor Lima - Victor Lima
Garganta do Diabo, no interior do Parque Nacional Iguaçu, no Paraná
Imagem: Victor Lima

Como o espanhol contou na época para a reportagem, a foto valia tanto pelo risco de se trabalhar em uma área com presença de animais selvagens como também pela insistência em conseguir uma autorização especial para entrar à noite no parque nacional.

Outros destaques

A pedido da reportagem, Zafra selecionou alguns dos trabalhos preferidos que foram selecionados nesta edição do "Milk Way Photographer of the Year".

"Solitude" de Nick Faulkner
Nova Zelândia

"Solitude", de Nick Faulkner, na Nova Zelândia  - Divulgação - Divulgação
"Solitude", de Nick Faulkner, na Nova Zelândia
Imagem: Divulgação

"É muito especial pois é uma panorâmica muito grande de uns 200 graus de amplitude, o que é tecnicamente muito complexo.

Para mim é única porque tem muita neve e isso é complicado porque, geralmente, em poucos lugares dá para ver neve e Via Láctea na mesma foto.

No Hemisfério Norte quanto mais ao norte viajamos, menos Via Láctea tem [para ver]. Mas se vamos ao Hemisfério Sul, sobretudo no extremo, como na Patagônia ou na Nova Zelândia há certas regiões e certas épocas do ano onde é possível fotografá-la com neve."

"Secret" de Marcin Zajac
Califórnia/Estados Unidos

"Secret", de Marcin Zajac, na Serra Nevada, na Califórnia (EUA)  - Divulgação - Divulgação
"Secret", de Marcin Zajac, na Serra Nevada, na Califórnia (EUA)
Imagem: Divulgação

"O que chama a atenção nessa foto são os petróglifos encravados na pedra.

Isso me pareceu muito interessante pela conexão que se pode ver entre o Homem e as estrelas. É algo que te transporta um pouco para a época em que foram feitos, há milhares de anos."

"Lightning the Milk Way" de Jinyi He
China

"Lightning the Milk Way", de Jinyi He, na China - Divulgação - Divulgação
"Lightning the Milk Way", de Jinyi He, na China
Imagem: Divulgação

"Assim como a foto feita no Tibet, essa no deserto de Dahaidao, no território autônomo de Xinjiang, é um lugar muito remoto e muito difícil de chegar.

Essa foto é o primeiro registro da Via Láctea na região."