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Sexy, sem ser cafona: arquiteta de motéis revela inspiração para suítes

Fabiola Fera em uma das suítes projetadas por ela - Divulgação
Fabiola Fera em uma das suítes projetadas por ela Imagem: Divulgação

Carol Scolforo

Colaboração para Nossa

16/05/2022 04h00

Esqueça por um momento as cafonices que você tem em mente ao pensar num quarto de motel. No que depender da arquiteta Fabiola Fera, que já criou 150 suítes no Brasil e nos Estados Unidos, elas são coisa do passado.

A busca, nos projetos que desenha, é por tornar os quartos cada vez mais instagramáveis para que as pessoas queiram mostrar que eles vão muito além de um cenário para o sexo.

Em São Paulo, os motéis são passados de pai para filho. Muitos espaços não se atualizaram e perpetuaram uma decoração feita pelo viés masculino, quase de um 'equipamento para fazer sexo'.

Ela conta que alguns pareciam abatedouro, uma experiência feita para agradar apenas o homem. "O olhar moderno e feminino torna o cenário mais romântico e isso aumenta o prazer entre as pessoas", acredita.

Fabíola em uma das suítes - Divulgação - Divulgação
Fabíola em uma das suítes
Imagem: Divulgação

Especialista em motéis

Fabíola conta que entrou no ramo já no primeiro ano de faculdade, em 1994. "Tínhamos que fazer trabalho sobre algum espaço corporativo. Eu e meu grupo escolhemos um motel", relembra.

Em 2010, quando já estava trabalhando em escritório, planejou a arquitetura de um motel boutique para fazer, com a ideia de transformar a hospedagem em uma experiência. Depois, já em carreira solo, apareceu outro estabelecimento com 60 suítes para fazer.

Nessa época o motel, no Brasil, já era um assunto em declínio, não havia novidades. Queríamos desenhar quartos para a energia da entrega de uma pessoa. Um lugar fora do lugar-comum, que mexa com o lúdico."

Olhar dela

Para ela, o interessante do negócio é que o profissional prepara tudo, mas não vê o cliente consumindo o serviço. E quando se trata de público, não é nada do imaginário popular, esse era um lugar dos escondidos, dos ilícitos, da infidelidade ou da prostituição.

Curiosamente, tivemos em mãos uma pesquisa que comprovava que casais fixos eram os maiores frequentadores. Com isso, vimos que comemorações davam o maior ticket, e o desejo por elas vinha da mulher."

Para fazer as suítes, então, era necessário trazer esse olhar mais feminino nos símbolos geométricos, nas cores, tornar esses espaços mais vibrantes.

E não é só como profissional que Fabiola está atenta a esses detalhes: a cada inauguração ela se hospeda na suíte para ter uma ideia de como fazer na próxima.

O que não pode faltar

Fabiola acredita que, num bom quarto, a escolha dos materiais deve ser bem feita — nada de materiais muito caros e nobres, porque é preciso trocar de tempos em tempos. Outro ponto imprescindível são os itens de rápida e fácil limpeza, que não absorvam cheiro, nada que facilite escorregar, nada que tenha degraus, e passo longe do capitonê, que pode abrigar sujidades difíceis de limpar.

No projeto, a arquiteta aposta em superfícies lisas e minimalistas, compensadas com cor e nada de muita quina. A iluminação deve ter várias combinações, a cama precisa ser tamanho king.

Uso poucos elementos, afinal, muita textura e troca de cor podem desconcentrar no sexo."

Além do básico

Para escapar da mesmice, Fabiola conta que pretende começar a trabalhar com projeção, holografia, superfície monocromática, maping, para a pessoa sentir como se estivesse num show. Por ora, as ousadias estão restritas aos cantinhos e bancadas para um kama sutra.

Suite Splash fogo da Lush - Divulgação - Divulgação
Suite Splash fogo da Lush
Imagem: Divulgação

A profissional, por outro lado, evita cadeiras eróticas "por incitar um viés medieval".

Coisas que remetem a meios de tortura, violência ou são meio ginecológicas, sempre que possível passo por cima.

Fabiola conta que a cultura moteleira no Brasil é tão avançada quanto nos Estados Unidos, mas que lá já soube de um quarto inteiramente revestido de pelúcia. "É pela experiência de viver o kitsch, que eles amam. Não achei nada prático para limpar", diz.

Do motel para casa

Fabiola entrega algumas dicas para fazer o quarto de casa estimular mais o sexo.

Para começar, evite os 50 tons de bege ou cinza no quarto de casal. A casa em geral deveria ser mais colorida e vibrante. Para quem tem quarto branco, lâmpada Led com cor pode ser uma boa aposta.

Suíte Glam - Divulgação - Divulgação
Suíte Glam
Imagem: Divulgação

Outra indicação é usar várias opções de iluminação, espelhos nas portas de armários, uma cabeceira legal, acolhedora, que tenha praticidade de limpeza, um bom som, além de uma cama grande e confortável.

Lembrando que o sexo depende do casal, da disposição, da admiração. Quando a pessoa vai ao motel, ela tem o sexo em mente como intenção. É preciso ter isso em casa também."