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Milton Cunha recorda incêndio na Sapucaí há 30 anos: "Desilusão profunda"

Bruno Calixto

Colaboração para Nossa

08/05/2022 04h00

Em 1992, o desfile da Unidos da Viradouro "A magia da sorte chegou", sobre a história dos ciganos, marcou para sempre o Carnaval do Rio de Janeiro. O carnavalesco e comentarista Milton Cunha relembra o acontecimento no mais recente episódio de "Botequim da Teresa" e o define como uma "desilusão profunda".

Quando a escola finalizava os trabalhos na passarela e a plateia gritava "é campeã", um dos carros alegóricos mais bonitos pegou fogo. O incêndio não deixou nenhuma pessoa ferida, mas interrompeu a apresentação, que foi finalizada com 13 minutos de atraso.

O incidente fez a favorita daquele ano perder 13 pontos na nota final, terminar em nono lugar e ficar fora do desfile das campeãs. Milton diz:

"Era início da década de 1990 e a Viradouro entra na avenida com os sons dos ciganos, uma certa a magia e a plateia falando 'é campeã'. Foi uma epifania, estavam todos encantados enquanto a escola ia crescendo".

E então começa um incêndio. A certeza de que só se ganha no final, quando a escola sai e recebe a nota dez. Tudo pode acontecer".

Botequim da Teresa - Milton Cunha e Flávia Oliveira - FGranatieri/UOL - FGranatieri/UOL
Milton Cunha: acompanha Carnaval na avenida e na TV
Imagem: FGranatieri/UOL

De acordo com ele, a Viradouro saiu aos frangalhos e o carnavalesco Max Lopes acabou chorando. Flávia lembra sobre a ausência do elemento fogo na avenida. "Tem um mito ao redor disso. Os ciganos mexem com os quatro elementos e o fogo se deu justamente num carro que tinha geleira".

Nos próximos anos, todas as escolas de samba reforçaram seus protocolos contra incêndio.

A Beija-Flor em "Ratos e Urubus"

Botequim da Teresa - Milton Cunha e Flávia Oliveira - FGranatieri/UOL - FGranatieri/UOL
Flávia encantou-se com "Ratos e Urubus"
Imagem: FGranatieri/UOL

Outro marco reconhecido na história do Carnaval, o desfile "Ratos e Urubus", da Beija-Flor, é citado por Flávia Oliveira como "definitivo" em sua formação carnavalesca. "Foi capaz de mudar minha relação até com a cidade do Rio de Janeiro."

Quando ainda era menina e morava com a mãe, "num quarto e sala de 30 metros quadrados", Flávia adorava assistir aos desfiles das escolas de sambas esticada num colchão na sala, comendo pastéis preparados pela mãe. "Era essa a nossa rotina de Carnaval."

A primeira vez dela na Sapucaí foi em 1994, cinco anos depois de tomar uma decisão importante como carioca. "No carnaval de 1989, eu namorava meu primeiro marido, e a gente foi acampar em Penedo, mas eu era tão fanática, que no camping tinha televisão e acordei 6h30 para sozinha a ver a Beija-Flor".

Após o impacto de "Ratos e Urubus", eu jurei que jamais sairia do Rio no Carnaval. Nunca mais saí. Não conheço nada igual."

Sextas de samba

Botequim da TEresa - Zo Guimaraes/UOL - Zo Guimaraes/UOL
Imagem: Zo Guimaraes/UOL

O "Botequim da Teresa", que vai ao ar todas as sextas, é o programa perfeito para quem ama boa música e papos interessantes. Teresa Cristina resgata a história de bares tradicionais do Rio de Janeiro, faz receitas clássicas de cada um deles e recebe convidados para conversas descontraídas. Assista à nova temporada no site de Nossa, no UOL Play ou no YouTube de Nossa (inscreva-se e receba atualizações fresquinhas).