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Artesão traduz a garra do nordestino em esculturas e banquinhos coloridos

Feito à Mão :: Aldemir Elias - Divulgação
Feito à Mão :: Aldemir Elias Imagem: Divulgação

Carol Scolforo

Colaboração para Nossa

19/04/2022 04h00

Aldemir Elias

Aldemir Elias

Quem é

Aldemir Elias, o Mito, é escultor e produz peças utilitárias e artesanais de madeira na cidade de Paulista, Pernambuco.

O Nordeste brasileiro é bastante conhecido pelas dificuldades. Mas o artesão Aldemir Elias prefere olhar sua região por outro ângulo. De suas mãos saem banquinhos e esculturas que evocam a garra do brasileiro diante dessas mazelas: é sobre superação e alegria que seu trabalho fala.

Da infância ele trouxe o apelido Mito, reflexo do talento que o tornaria reconhecido anos depois. Começou a entalhar madeira aos 13 anos, trabalhando com um mestre pernambucano e reproduzindo a fauna e a flora do Brasil.

As figuras humanas entraram 'tarde' no portfólio do artista. E vieram para ficar - Divulgação - Divulgação
As figuras humanas entraram 'tarde' no portfólio do artista. E vieram para ficar
Imagem: Divulgação

Só há cerca de 12 anos, quando se mudou para a cidade de Paulista, próxima do Recife, que passou a esculpir figuras humanas, já adulto. "Quando comecei a agregar as esculturas aos assentos, a coisa pegou", conta.

Logo, o trabalho atraiu a atenção de arquitetos, que inseriam os bancos-esculturas na decoração de casas bacanas. Foi assim que o banquinho com as figuras de mãos dadas virou um carro-chefe. "Para mim eles têm sentimento. Não é só uma peça de madeira", diz o Mito, que leva até cinco dias no processo todo da peça. Por mês são 50 criações.

Os bancos-esculturas viraram seu carro-chefe - Divulgação - Divulgação
Os bancos-esculturas viraram seu carro-chefe
Imagem: Divulgação

Bom observador, ele busca retratar personagens com o máximo de regionalidade: repare nas roupas de chita e nas feições de cada um. Agora são pintadas por toda a sua família — inclusive o filho, que tem a mesma idade com a qual ele começou.

Já morei no exterior e descobri que o melhor lugar é a terra da gente. Nem tudo é tristeza aqui. Vivo feliz e procuro retratar as riquezas pouco mostradas do Nordeste"

O artista transpõe para suas figuras o máximo da regionalidade - Divulgação - Divulgação
O artista transpõe para suas figuras o máximo da regionalidade
Imagem: Divulgação

Tradições se perpetuam

As peças de Aldemir são vendidas por seu Instagram, mas também estão em curadorias importantes. "Ele desenvolve bonecos, bancos, bandejas e outras esculturas para revelar, de forma lúdica, a beleza e a alegria que ele enxerga, mas que acabam não sendo vistas por muita gente. Os bancos dele fazem o maior sucesso", afirma Mariana Oliveira, curadora do e-commerce de artesanato Etnias Mundi.

Os bancos de Aldemir passaram a ser procurados por arquitetos e galerias - Divulgação - Divulgação
Os bancos de Aldemir passaram a ser procurados por arquitetos e galerias
Imagem: Divulgação
Além dos bancos, o artista faz adornos para a parede, utensílios e outras peças - Divulgação - Divulgação
Além dos bancos, o artista faz adornos para a parede, utensílios e outras peças
Imagem: Divulgação

Parece simples, mas esse incentivo leva os mais jovens a continuarem as tradições iniciadas pelos pais e avós. "Uma vez que veem os pais ganhando melhor, eles até saem para buscar qualificação, mas voltam e usam esse conhecimento para gerenciar os negócios", observa Mariana. Isso dá longevidade ao artesanato brasileiro e às tradições populares, tão ricas e diversas.

@s que me inspiram

@mitoescultor

“Eu me inspiro muito pelo crescimento do meu perfil. O trabalho que publico é muito manual. Nunca fiz curso de marketing e as pessoas sempre elogiam. Gosto da maneira como me expresso. Faço a maioria das vendas online por lá.”

@fernandesrodrigues1

“Mestre Fernandes Rodrigues trabalha com barro, no Agreste. Ele faz muito sucesso com suas figuras humanas realistas e retrata bem a região dele. Aqui no Recife tem uma feira anual e sempre nos encontramos.”