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Ela faz, sozinha, trilhas pelo Brasil e elege as três mais desafiadoras

Daiana Antonio da Silva  nos cânions de Santa Catarina - Arquivo pessoal
Daiana Antonio da Silva nos cânions de Santa Catarina Imagem: Arquivo pessoal

Marcel Vincenti

Colaboração com Nossa

24/01/2022 04h00

Antes de virar tendência entre muitas pessoas na pandemia, isolar-se no meio do mato já fazia parte do estilo de vida da engenheira mato-grossense Daiana Antonio da Silva (@daieletrica). Há anos, ela descobriu o prazer de realizar, sozinha, trilhas na natureza. E, até hoje, já fez diversas caminhadas solitárias em áreas selvagens do Brasil e do exterior.

"Trilhas com grandes grupos de pessoas fazem com que o contato com a natureza não seja tão profundo. A gente acaba conversando muito no percurso e diversas coisas passam despercebidas", diz.

Quando estou sozinha, minha concentração aumenta. Consigo prestar mais atenção aos detalhes das paisagens ao meu redor. A conexão com a natureza é total".

Hoje com 34 anos, Daiana já fez, só, aproximadamente 20 trekkings, em lugares paradisíacos como os Alpes suíços e a Noruega.

Porém, mesmo tendo viajado por vários lugares do mundo, ela ressalta que três das trilhas mais especiais que encarou sozinha estão no Brasil: as caminhadas através da serra da Canastra (em Minas Gerais), por cânions no sul do país e o percurso que percorre grande parte das praias de Ilha Grande (RJ).

Na serra da Canastra, ela fez um percurso de cinco dias, acampando no meio do caminho. E o isolamento lhe deu a oportunidade de contemplar a rica natureza da região com toda a calma do mundo, sem distrações causadas por outras pessoas.

Me encantou estar perto do São Francisco, um rio tão importante para o Nordeste. E foi inesperado cruzar com um veado-campeiro, um bicho totalmente selvagem no meio da natureza. Foi incrível me deparar com um animal assim em seu habitat".

Daiana Antonio da Silva na Serra da Canastra - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Daiana Antonio da Silva na Serra da Canastra
Imagem: Arquivo pessoal

Ela também entrou em contato com horizontes grandiosos durante seu trajeto pelo sul do Brasil, onde acampou em áreas cercada por natureza e passou por paisagens como o cânion do Funil e o mirante da serra do rio do Rastro, em Santa Catarina.

"Foram aproximadamente 38 quilômetros atravessados. Um dos momentos altos foi, sem dúvida, o nascer do sol no cânion do Funil.

Eu estava lá completamente sozinha, vendo o sol alaranjado surgir sobre o cânion e ouvindo o som dos passarinhos e o barulho do vento. Foi uma experiência inesquecível".

Daiana Antonio da Silva  nos cânions de Santa Catarina - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Daiana Antonio da Silva nos cânions de Santa Catarina
Imagem: Arquivo pessoal

Já no litoral fluminense, a mato-grossense enfrentou, só, um desafiador percurso que visita grande parte das praias de Ilha Grande. Ela passou cinco dias caminhando pela ilha, cobrindo uma extensão de cerca de 80 quilômetros e dormindo em áreas de camping.

O trajeto tem trechos cansativos no meio da mata Atlântica, mas recompensa os viajantes com paisagens belíssimas.

Daiana Antonio da Silva em Ilha Grande - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Daiana Antonio da Silva em Ilha Grande
Imagem: Arquivo pessoal

"Esta é uma das trilhas mais lindas que já fiz na vida. No meio do caminho, eu parava nas praias e mergulhava no mar com snorkel, onde curtia uma vida marinha abundante, com tartarugas e peixes coloridos. Também dá para visitar um mirante que oferece vista incrível para a praia do Aventureiro. E, quando o sol estava a pino, passei pela praia do Caxadaço, com a água com uma cor que eu nunca tinha visto na vida".

Preparada para a natureza

Quando sai de casa para fazer uma longa trilha sozinha (hoje ela mora no Rio de Janeiro), Daiana sempre está preparada para fazer uma imersão na natureza da maneira mais eficiente possível.

Em seu mochilão, ela frequentemente carrega barraca de camping, saco de dormir, comida que não precisa de refrigeração, fogareiro e panela para preparar refeições no meio do mato, além de roupas impermeáveis.

A mochila de Daiana Antonio da Silva em Ilha Grande - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A mochila de Daiana Antonio da Silva em Ilha Grande
Imagem: Arquivo pessoal

Também entram na lista outros itens básicos para qualquer trilheiro, como calçados especiais para caminhadas em terrenos acidentados, chapéu, bastões de caminhada, óculos de sol, protetor solar e repelente.

E itens de segurança são fundamentais: durante uma trilha solitária, qualquer acidente pode ter graves consequências, pois Daiana fica constantemente a quilômetros de distância de outras pessoas.

"Sempre carrego um kit de primeiros socorros, com remédios, tala, bandagem e outros itens que podem me ajudar em algum acidente. Também dependo muito do meu celular para a minha navegação. Então, sempre levo bateria extra", explica.

E é preciso estar atento a todo momento na trilha. Enquanto caminho, não posso me distrair tirando fotos. É perigoso tropeçar e cair em algum precipício. Fico alerta, pois sei que, sozinha, só posso contar comigo mesma".

Daiana Antonio da Silva recomenda cuidados básicos para quem quer começar a trilhar - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Daiana Antonio da Silva recomenda cuidados básicos para quem quer começar a trilhar
Imagem: Arquivo pessoal

Além disso, a viajante utiliza perneiras, que a protegem de possíveis picadas de cobras.

Daiana conta que nunca teve um acidente sério em seus trekkings, mas afirma já ter passado por perrengues.

"Durante a trilha em Ilha Grande, acabei me deparando com várias cobras. Tomei um susto bem grande quando pisei muito perto de uma delas. E, na travessia dos cânions de Santa Catarina, peguei um trecho com muita cerração. Não conseguia ver nada e perdi a capacidade de me direcionar".

A mato-grossense, porém, costuma se sentir segura nas trilhas que faz. E, mesmo curtindo ficar sozinha, ela nunca está fechada para interagir com outros trilheiros com os quais se depara em suas andanças.

Ela conta que já fez amizade com pessoas que conheceu no meio das trilhas - e com as quais resolveu percorrer parte dos trajetos.

Dicas para trilheiros solitários

Segundo Daiana, a pessoa com vontade de fazer trilhas solitárias deve tomar alguns cuidados para diminuir a possibilidade de percalços na viagem.

As travessias começam com planejamento. É importante comprar um kit de primeiros socorros, baixar mapas, traçar a rota, ver o desnível topográfico do caminho, calcular a quilometragem diária que será percorrida, descobrir onde são os pontos de coleta de água e analisar o histórico da previsão do tempo para o período em que você pretende fazer a trilha, além de estimar a quantidade de comida e os equipamentos que deverão estar na mochila.

Daiana Antonio da Silva na Serra da Canastra - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Daiana Antonio da Silva na Serra da Canastra
Imagem: Arquivo pessoal

"Dependendo da extensão da trilha, leve pilhas extras [para fazer funcionar, por exemplo, lanternas] e um power bank para recarregar o celular. E, logicamente, é importante estar com o físico e a mente preparados para a empreitada".

Daiana diz que, para ela, o maior problema de fazer a trilha sozinha sendo mulher é a questão de segurança em relação às pessoas.