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Diabetes em cães e gatos tem tratamento. Saiba como detectar e cuidar

Diabetes em cães e gatos tem detalhes específicos para o tutor ficar de olho - Getty Images/iStockphoto
Diabetes em cães e gatos tem detalhes específicos para o tutor ficar de olho
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Juliana Finardi

Colaboração para Nossa

14/01/2022 04h00

Assim como acontece entre os humanos, o diabetes pode afetar os animais de estimação. E os primeiros sinais de que algo não vai bem são, principalmente, aumento da sede e do volume e frequência urinários, além de aumento no apetite acompanhado, geralmente, de uma perda de peso rápida apesar da boa alimentação.

A observação destes sintomas associada à mensuração da glicose sanguínea, que vai estar persistentemente acima dos valores ideais de referência, em geral são suficientes para comprovar o diagnóstico.

Da mesma forma como acomete os humanos, o diabetes pode ocorrer entre os pets por uma incapacidade de produção de insulina, que é o hormônio responsável pela entrada da glicose dentro das células dos músculos e das células de gordura.

Ou, então, por uma incapacidade de funcionamento da insulina quando algum fator, como outras doenças e obesidade, está bloqueando seu efeito.

Pet está bebendo muita água? Pode ser sinal de diabetes - Getty Images - Getty Images
Pet está bebendo muita água? Pode ser sinal de diabetes
Imagem: Getty Images

"Dessa forma, a glicose permanece elevada na circulação e promove uma série de alterações fisiológicas que reduzem a qualidade e expectativa de vida dos animais, quando a doença não é tratada adequadamente", diz Juliano Dal Pizzol, veterinário especialista e consultor da DrogaVet,

O profissional acrescenta, ainda, que alguns medicamentos também podem promover resistência insulínica e aumentar as chances do surgimento do diabetes.

Doença de cães e gatos

A ciência mostra a predisposição racial e familiar para desenvolver a doença entre algumas raças de cães, apesar de não ser o único fator levado em consideração, como alerta Janaina Duarte, coordenadora do curso de Veterinária da faculdade Anhanguera de São José dos Campos.

São elas: Keeshhond, Malamute do Alaska, Spitz, Golden Retriever, Whippet, Puli, Cairn Terrier, Schnauzer, Pinscher miniatura, Terrier e o mestiço SRD (sem raça definida). Por outro lado, raças como Cocker Spaniel, Pastor Alemão, Collie, Pequines e Boxer apresentam menor risco.

Keeshhond, uma das raças de cães mais propensas a diabetes - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Keeshhond, uma das raças de cães mais propensas a diabetes
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Entre os gatos, não parece haver uma maior predisposição genética, com exceção para a raça Burmês.

Entre os gatos, o tipo mais comum de diabetes é o semelhante ao 2 dos humanos por conta de resistência insulínica decorrida da obesidade e, em cães, o que mais aparece é o tipo parecido com o 1 dos humanos, o diabetes mellitus, relacionado a uma inflamação autoimune (que é quando o sistema imunológico do organismo ataca as células saudáveis).

Isso, no entanto, não quer dizer que a obesidade também não seja um fator de perigo para os caninos. "A maioria dos cães com a doença têm histórico prévio de obesidade", conta Caroline Gonçalves, veterinária endocrinologista da clínica Seres/Petz.

Obesidade está diretamente relacionada à diabete em gatinhos - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Obesidade está diretamente relacionada à diabete em gatinhos
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Tanto em cães quanto nos felinos, o diabetes pode gerar consequências como o desenvolvimento de catarata nos cãezinhos.

Caroline acrescenta que, gatos podem ter neuropatia diabética, uma alteração no andar principalmente nas patas traseiras. Apesar disso, são animais que apresentam uma qualidade de vida boa e expectativa de vida normal desde que sejam bem monitorados com exames e acompanhamento periódico.

Como prevenir

A melhor maneira, portanto, de prevenção, ainda de acordo com a endocrinologista, é manter os pets saudáveis e longe do sobrepeso, além de ter o hábito de fazer checkups anuais para verificar todos os exames que possam constatar se não existem outras doenças que poderiam levar ao diabetes.

Visita ao veterinário é essencial para detectar e tratar a diabetes - Getty Images - Getty Images
Visita ao veterinário é essencial para detectar e tratar a diabetes
Imagem: Getty Images

Outra forma de prevenção, segundo Dal Pizzol, nos cães, é a castração das fêmeas com a redução do risco de diabetes induzido por progesterona.

E tanto para cães, como para gatos, a identificação precoce e o tratamento adequado das doenças como o hipercortisolismo e a pancreatite, também reduzem o surgimento do diabetes.

Tratamento

Uma vez detectada a doença — através de exames de sangue e de urina — deve-se iniciar o tratamento.

Perda do excesso de peso ajuda a controlar diabetes dos gatos - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Perda do excesso de peso ajuda a controlar diabetes dos gatos
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Os gatos que apresentam diabetes e que têm um histórico prévio de obesidade precisam emagrecer. Ao longo do tratamento associado à insulina, a perda do excesso de peso pode, de acordo com Caroline, ocasionar em uma remissão do diabetes nos felinos.

Já os cães serão insulino-dependentes durante toda a vida. Por isso, que a dieta, caso seja baseada em alimentação caseira, tem de ser reformulada. Também pode-se utilizar uma ração coadjuvante que seja voltada ao diabetes ou que combine outras doenças que esse animal possa apresentar.

Mudança da dieta é um dos passos do tratamento para diabetes em pets - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Mudança da dieta é um dos passos do tratamento para diabetes em pets
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Uma dieta balanceada é fundamental para o controle da glicemia e considerada, inclusive, como um pilar importante de resposta ao tratamento.

"Embora existam dietas específicas e terapêuticas para pacientes diabéticos, nem todo animal aceita tal dieta. Neste caso, o importante é seguir uma dieta balanceada e sem variações. Deve-se evitar petiscos e trocas de rações constantemente, por exemplo", diz Karin Botteon, consultora Boehringer Ingelheim para assuntos veterinários.

Dal Pizzol explica que algumas cadelas não-castradas podem apresentar um tipo de diabetes induzido pelo aumento do hormônio progesterona e, se castradas e acompanhadas corretamente, também podem voltar ao normal.

Vida normal e controle high-tech

Quando assistidos por tutores engajados e acompanhados por profissionais capacitados, no geral, os animais diabéticos conseguem manter uma excelente qualidade de vida e manter sua expectativa semelhante aos bichinhos não-diabéticos.

"Em síntese, uma rotina regrada de alimentação, atividade física e o tratamento correto com insulina promovem um bom controle da doença e uma importante redução de todas as complicações que podem acontecer a médio e longo prazos", diz Dal Pizzol.

Aplicativo auxilia a controlar rotina do animal diabético - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Aplicativo auxilia a controlar rotina do animal diabético
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Para auxiliar tutores e veterinários há até mesmo um aliado tecnológico: o Pet Diabetes Tracker. O aplicativo, gratuito, idealizado pela MSD Saúde Animal, permite o acompanhamento da saúde do bichinho e também disponibiliza ao veterinário acesso à evolução e aos dados do animal para que ele possa orientar o tutor à distância.

Disponível das lojas para IOS e Android, o app permite que o tutor acompanhe a rotina do animal, gerencie a ingestão de água, consumo de alimentos, necessidade de exercício, condição corporal, peso, e ainda fique alerta quanto à glicose no sangue e na urina.

O serviço também dá a opção de agendar lembretes importantes como consultas e pedidos de compra da injeção de insulina. O app sinaliza o tutor no caso de algum índice estar fora da normalidade e já disponibiliza acesso direto ao veterinário responsável.