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As transformações no turismo e inspirações para a retomada das viagens

Cascata Invertida é atração diferente no coração das cordilheiras do Chile

Cascata Invertida, em Maule, no Chile - Getty Images/imageBROKER RF
Cascata Invertida, em Maule, no Chile Imagem: Getty Images/imageBROKER RF

Luciano Nagel

Colaboração para Nossa, de San Clemente, Chile

14/12/2021 04h00

Se você está pensando em viajar para o Chile, saiba que existem muitos lugares a serem visitados, ainda pouco conhecidos pelos turistas. As belezas naturais do país andino, considerado o mais estreito do mundo, vão além de Santiago, Vina del Mar, Valparaíso, Atacama ou Torres del Paine, no extremo sul do continente Sul-americano.

Uma das regiões sugeridas para os apaixonados em aventuras é Maule (VII Región), que conta com uma diversidade de paisagens e atrativos que permitem os turistas se desligar do mundo urbano e se encantar com paisagens compostas por montanhas, vales, vinhas, lagos e dezenas de cascatas, entre elas a Cascata Invertida — em espanhol, Cascada Invertida, também connhecida como Cascada Arco-Íris.

Situada bem próximo ao Paso Pehuenche, na fronteira com a Argentina, em meio a Cordilheira dos Andes, o salto, que tem mais de 100 metros de queda de águas geladas e cristalinas, se encontra precipício abaixo com o rio Maule, que na língua mapudungún significa "Rio de Chuva".

Cascata Invertida, em Maule, no Chile - Divulgação/Prefeitura de San Clemente - Divulgação/Prefeitura de San Clemente
Cascata Invertida, em Maule, no Chile
Imagem: Divulgação/Prefeitura de San Clemente

O fenômeno-destaque

No entanto, o que chama a atenção dos visitantes é um fenômeno causado pelos fortes ventos que batem de frente com a cachoeira, desafiando a gravidade e literalmente mudando parte de seu percurso para cima e formando um belo arco-íris. A imagem é deslumbrante e hipnotiza por alguns segundos qualquer visitante que ali chega.

Vale lembrar que nem sempre a cascata apresenta seu formato invertido, pois sua particularidade se deve às condições do tempo, ou seja, quando há fortes precipitações de vento.

Cascata Invertida, em Maule, no Chile - Divulgação/Sofia Olave - Divulgação/Sofia Olave
Cascata Invertida, em Maule, no Chile
Imagem: Divulgação/Sofia Olave
Detalhe da Cascata Invertida, em Maule, no Chile - Divulgação/Prefeitura de San Clemente - Divulgação/Prefeitura de San Clemente
Detalhe da Cascata Invertida, em Maule, no Chile
Imagem: Divulgação/Prefeitura de San Clemente

As melhores épocas para se visitar o local são durante a primavera, verão e início de outono. Já no inverno, o acesso à cascata é mais arriscado devido a grande quantidade de neve, o que pode esconder várias fendas entre as rochas e causar acidentes.

'É realmente lindo. Tivemos sorte de chegar no local e presenciar esse fenômeno da natureza. O caminho é de fácil acesso, porém um pouco perigoso, pois as rochas são escorregadias e precisa ter muito cuidado.

Naquele dia não podíamos chegar muito perto por questões de segurança'', disse a chilena Sofia Olave, de 26 anos, que levou o seu filho pequeno José Tomás para conhecer a cascata no final do mês de agosto deste ano. ''Ele adorou e disse que quer voltar'', comentou a mãe.

Sofia e José Tomás na Laguna de Maule - Luciano Nagel - Luciano Nagel
Sofia e José Tomás na Laguna de Maule
Imagem: Luciano Nagel

Beleza próxima

Já nas proximidades da Cascata Invertida, pouco menos de 20 quilômetros à frente, no sentido Paso Pehuenche, encontra-se a Laguna del Maule, a 2.300 metros acima do nível do mar e com uma área de 68 km². Esse é outro local considerado ''ponto obrigatório''.

Com suas águas de cores verde-turquesa, abaixo dessa laguna encontra-se um complexo vulcânico cuja atividade incomum nos últimos tempos, como a elevação do solo (cerca de 20 centímetros ao ano) devido ao magma vulcânico e o aquecimento da água, tem atraído dezenas de cientistas de vários países que tentam desvendar quando será a próxima erupção.

Laguna del Maule, no Chile - Getty Images - Getty Images
Laguna del Maule, no Chile
Imagem: Getty Images

De acordo com informações do Serviço Nacional de Geologia e Mineração, as evidências indicam que dentro do complexo existe uma rocha chamada "riolito", que possui altas concentrações de gases e pode produzir erupções violentas.

"De uns três anos para cá, notamos que muitas aves da região morreram por asfixia, devido a emissão de gases em pequenas fissuras nas rochas em volta da laguna'', disse o chefe da Rede Nacional de Vigilância Vulcânica de Chile, Álvaro Amigo.

Laguna del Maule - Getty Images - Getty Images
Laguna del Maule, no Chile
Imagem: Getty Images

Entretanto, não há motivos de pânico ao visitar a laguna, pois o complexo é monitorado por profissionais do Serviço Nacional de Geologia e Mineração do Chile, 24 horas por dia, durante os sete dias da semana. Também é durante os meses de novembro a abril que ocorre a temporada de pesca na lagoa onde é pessoal pescar grandes quantidades de trutas, muito apreciadas na região.

Como chegar

A "Ruta Pehuenche" foi nomeada recentemente pelo Serviço Nacional de Turismo do Chile (Sernatur) como Área de Interesse Turístico.

É possível chegar até a Castata Invertida em uma boa estrada, totalmente pavimentada e bem sinalizada, seja partindo de Talca, município distante a 132 quilômetros do local ou vindo de Malargüe, cidade da Argentina, localizada na bela província de Mendoza. Também há algumas agências de turismo que levam os turistas até a cachoeira.

Partindo de Talca, o condutor deve acessar a Ruta 115-Ch, antes de chegar ao Paso Fronterizo Pehuenche, divisa entre Chile e Argentina. A Cascata Invertida fica no km 125 da rodovia e o visitante deve estacionar o veículo às margens da estrada. Apenas uma placa indica o caminho e a partir daí, o turista segue a pé por uma trilha de terra e pedras que levam ao destino. O percurso dura no máximo 15 minutos e o visual é de tirar o fôlego.

Valle de los Condores, caminho para a Laguna del Maule - Nicolás Gutiérrez/Unsplash - Nicolás Gutiérrez/Unsplash
Valle de los Condores, caminho para a Laguna del Maule
Imagem: Nicolás Gutiérrez/Unsplash

Depois de apreciar a paisagem, vale a pena, caso tenha disposição, encarar uma descida até as margens do rio Maule em meio ao vale montanhoso. É aconselhável ir com alguém que conheça bem o caminho ou contratar um guia turístico que o leve para fazer um hiking — uma caminhada em trilha mais acessível e rápida de apenas um dia.

No entanto, não esqueça de calçar uma bota (ideal para trekking), camiseta dry-fit, bastão de caminhada, calça básica com bolsos além de mochila com garrafa de água, barras de cereais, e claro, um protetor solar.