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Falta de garrafas devido à pandemia faz vinhos envelhecerem mais e mudarem

Vinhos em diferentes vinícolas pelo mundo estão passando tempo demais nos barris - Getty Images
Vinhos em diferentes vinícolas pelo mundo estão passando tempo demais nos barris Imagem: Getty Images

De Nossa

21/10/2021 14h20

Depois de o abastecimento de cerveja nos pubs na Inglaterra ter sido significativamente afetado pela falta de trabalhadores na pandemia, os vinhos agora é que sentem os efeitos da covid-19.

Relatos de falta de vidro e, consequentemente, garrafas para embalar a bebida já foram feitos por diversas vinícolas na Califórnia e na Argentina.

"Nunca passamos por uma escassez como esta. No mínimo, minhas operações foram afetadas por ao menos mais seis meses, porque eu não vou conseguir terminar de engarrafar", disse Mariana Onofri, proprietária da vinícola argentina de mesmo nome, à Bloomberg.

Atualmente, ela precisa de mais 6 mil garrafas para finalizar a meta de 30 mil anuais. No entanto, não há matéria-prima suficiente no mercado.

"Há um grande problema agora em obter o vidro, para toda a indústria. Há formas alternativas de embalar, como latas e caixas, mas você não consegue fazer isso de uma hora para outra se está passando dificuldades em conseguir vidro", opinou ainda Stephanie Honig, da vinícola Honig Vineyard & Winery em Rutherford, no vale de Napa, à plataforma de notícias de rádio Audacy.

A maior parte dos produtores aponta como principal responsável pela situação a atual insuficiência de mão de obra não só em fábricas de vidro, mas sobretudo na cadeia de distribuição — comumente feita por motoristas de caminhões — do material, que estaria 45% mais caro em 2021 em relação aos preços de 2019, segundo estimativa do site Business Insider.

A permanência dos vinhos em seus barris preocupa os produtores, pois pode afetar o aroma e paladar da bebida.

"Muito carvalho mexe com o equilíbrio do vinho. Sobrepõe-se aos sabores frutados característicos e o gosto torna-se esmagadoramente amadeirado", esclareceu Phil Long, proprietário da California's Longevity Wines, ao Business Insider.

"O vidro é o principal ingrediente para engarrafar um vinho. Imagine se você tem uma empresa que fabrica biscoitos e não houvesse farinha. O tempo de espera que já foi medido em horas, agora é medido em semanas", reclamou ainda.

Enquanto isso, no Brasil, os principais restaurantes tiveram seus estoques da bebida afetados pelo crescimento da procura do consumidor para beber em casa em meio ao confinamento.

De acordo com a Ideal Consulting, o mercado nacional assistiu a um crescimento de 27,8% no volume comercializado no primeiro semestre de 2020 em relação aos mesmos meses de 2019. Com isso, as casas já procuram alternativas de rótulos mais baratos e de fácil reposição.

Diante de tantas mudanças, qual será o cenário para os enófilos em 2022? Resta aguardar.