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Após perder pernas em acidente, ele visitou 46 países de cadeira de rodas

John, no Rio de Janeiro - Arquivo pessoal
John, no Rio de Janeiro
Imagem: Arquivo pessoal

Marcel Vincenti

Colaboração para Nossa

30/08/2021 04h00

Durante toda a sua vida, o estadunidense John Morris foi um apaixonado por viagens. "Pegava aviões pelo simples prazer de voar e explorei lugares em todos os cantos do planeta. Viajar foi meu primeiro amor", conta ele.

Em 2012, porém, um fato mudou tudo: "no outono daquele ano, em um acidente de carro, queimaduras gravíssimas me fizeram perder parte das minhas duas pernas e do meu braço direito. Tive que lutar contra muitas emoções, como choque, medo, raiva, tristeza e desespero", relata.

Mesmo com a mobilidade prejudicada, a vontade de explorar o mundo persistiu. Pouco mais de um ano após o acidente, ele voltou a viajar — agora, sobre uma cadeira de rodas.

John nas Pirâmides de Gizé, em Cairo, no Egito - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
John nas Pirâmides de Gizé, em Cairo, no Egito
Imagem: Arquivo pessoal

"Minha primeira viagem na condição de pessoa com deficiência foi para Los Angeles, em 2014. Fui assistir à final do campeonato universitário de futebol americano, que acabou sendo conquistado pela universidade onde estudei", conta.

Nesta oportunidade, percebi que era possível voltar a viajar e curtir as mesmas coisas que antes".

Quase 50 países

John, em Bruxelas, na Bélgica - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
John, em Bruxelas, na Bélgica
Imagem: Arquivo pessoal

Hoje com 31 anos, John visitou de cadeira de rodas 46 países. Quênia, Canadá, Colômbia, África do Sul, Egito e Brasil são exemplos. "As primeiras foram feitas na companhia de familiares, mas agora viajo quase sempre sozinho", explica.

Em cada um desses passeios, John aprendeu novas formas de circular. "Faço uma ampla pesquisa para descobrir os graus de acessibilidade oferecidos pelos meios de transporte locais, como ônibus urbanos, metrô e táxis."

A questão do transporte é a minha maior preocupação".

John e a estátua de Carlos Drummond de Andrade, no Rio de Janeiro - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
John e a estátua de Carlos Drummond de Andrade, no Rio de Janeiro
Imagem: Arquivo pessoal

O americano vai a qualquer lugar onde sua cadeira de rodas possa deslizar e caber. No Rio de Janeiro, curtiu o Bondinho do Pão de Açúcar e tirou foto com a estátua de Carlos Drummond de Andrade na orla de Copacabana.

Já na região da Cidade do Cabo, na África do Sul, visitou mirantes com vista para o mar. No Maasai Mara National Reserve, no Quênia, realizou um dos mais fantásticos safáris do mundo.

Segundo Jogn, as melhores cidades para turistas cadeirantes são Londres, na Inglaterra, e Washington, DC., capital dos Estados Unidos.

"Washington tem ampla oferta de hotéis, táxis e Uber com acessibilidade, um ótimo sistema de transporte público e excelentes museus para pessoas com deficiência", avalia ele.

John no Quebec, no Canadá - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
John no Quebec, no Canadá
Imagem: Arquivo pessoal

Em Londres, o destaque vai para os táxis pretos da cidade, que têm rampas para cadeiras, e para o Uber, que oferece opções de carros acessíveis.

São duas cidades que recomendo para cadeirantes que estão começando a viajar".

Expert em viagens para cadeirantes

John em Pitsburgo, nos Estados Unidos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
John em Pitsburgo, nos Estados Unidos
Imagem: Arquivo pessoal

Como enfrentou dificuldades para achar informações de qualidade sobre acessibilidade em viagens na internet, John criou o WheelchairTravel.org.

O site, que apresente roteiros e dicas para viajantes cadeirantes, virou referência nos Estados Unidos. "Para mim, planejar uma viagem era difícil. Nada do que eu lia mostrava a realidade de como é viajar com uma cadeira de rodas", lembra.

Seu papel passou a ser de desbravador: "Também visito locais onde me proponho descobrir possibilidades de acessibilidade, para levar essas informações para outros cadeirantes que queiram explorar o mundo".

John, no litoral da África do Sul - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
John, no litoral da África do Sul
Imagem: Arquivo pessoal

No Rio de Janeiro, por exemplo, ele se hospedou em quatro hotéis diferentes para ver quais deles ofereciam as melhores estruturas. As praias cariocas foram criticadas. Para ele, faltam esteiras sobre a areia da praia para chegar do calçadão ao mar.

Apesar dos contratempos, John acredita que, com planejamento, é possível curtir grande parte dos destinos. "Um dos meus objetivos é mostrar maneiras de aproveitar locais carentes de acessibilidade".

Tenho o sonho de visitar todos os países do mundo. E acho que posso fazer isso com minha cadeira de rodas".