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Argentina começa a cogitar abrir as fronteiras para imunizados na primavera

Monserrat e Recoleta, bairros de Buenos Aires - Getty Images/Westend61
Monserrat e Recoleta, bairros de Buenos Aires Imagem: Getty Images/Westend61

Luciana Rosa

Colaboração para Nossa, de Buenos Aires (Argentina)

05/08/2021 16h34Atualizada em 06/08/2021 11h45

"Estamos pensando já em permitir os estrangeiros com duas doses, como está pensando o Uruguai, ou como vai começar a exigir Estados Unidos, para poder começar a movimentar a indústria do turismo", comentou a diretora nacional de imigração, Florencia Carignano, na manhã desta quinta (5) em entrevista à rádio argentina "La Red".

Atualmente, a Argentina tem suspensos os voos diretos com origem como de origem do Brasil, Chile, Índia, Grã-Bretanha, Irlanda do Norte e países do continente africano.

"Essa é a nova ordem que se está gerando'', disse trazendo o exemplo das novas exigências impostas pela União Europeia ao ingresso de turistas vindos do exterior.

Nesse caso, disse que a Argentina não teria os mesmos conflitos em relação à validação de vacinas, já seu órgão regulador, a Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (ANMT) aprovou "praticamente todas as vacinas que estão circulando a nível global, ou seja, esse não será um problema".

Passageiros chegam ao Aeroporto Internacional de Buenos Aires - Getty Images - Getty Images
Passageiros chegam ao Aeroporto Internacional de Buenos Aires
Imagem: Getty Images

"Desejamos voltar a receber turistas porque é uma indústria muito importante que gera muito trabalho e traz muitas divisas ao nosso país. E quanto antes isso aconteça, melhor!", expressou, mas foi cautelosa ao fixar ao estabelecer um prazo.

"Não vou dar uma data, mas estamos muito perto", disse Florencia à La Red e confirmou a Nossa que "não existe nada concreto ainda, a verdade é que não temos nada definido, estamos observando como estão fazendo os outros países, para começar a pensar nisso em algum momento", reforçando que suas palavras não se tratam de um anúncio oficial de reabertura.

"Se tudo seguir da mesma maneira, se as pessoas entendem que isso é benéfico para todos" — referindo-se à quarentena de 7 dias exigida àqueles que ao chegam à Argentina — "e se as províncias realmente controlarem o seu cumprimento, isso poderia acontecer no próximo mês", disse a responsável pelo setor de imigração, sem deixar de alertar para o fato de que tudo poderia vir abaixo caso haja uma explosão de casos.

Segundo ela, este período de quarentena seria também exigido aos turistas que entrassem ao país.

"Essa abertura está sendo estudada pelo Ministério da Saúde", diz ela, e explica que o passaporte sanitário para os argentinos seria uma possibilidade, mas, como a maioria dos países, estão "esperando uma determinação da Organização Mundial da Saúde", para que sejam expedidos seguindo os mesmos critérios globalmente.

Vizinhos devem ter vantagem

Segundo declaração do presidente Alberto Fernández nesta sexta (6), "No plano de recuperação da atividade, quando as condições forem atendidas, vamos viabilizar o turismo para quem tem o esquema de vacinação completo a partir de países da região. E assim continuaremos avançando ", afirmou.

Vacinação e quarentena possibilitam flexibilização

Casa Rosada, em Buenos Aires - Getty Images - Getty Images
Casa Rosada, em Buenos Aires
Imagem: Getty Images

Carignano foi questionada também sobre o relaxamento das restrições de entrada no país por parte dos argentinos e residentes já que hoje está permitida a entrada de somente 900 pessoas por dia, devido à queda nos casos de coronavírus.

Amanhã, mais tardar no sábado, será anunciado pelo chefe de gabinete, Santiago Cafiero, a modificação no número de pessoas que se permite entrar no país", respondeu.

Para o governo foi um balanço positivo das últimas medidas, no sentido de que conseguiu diminuir o não-cumprimento da quarentena, "começamos junho com um 40% e agora estamos em 10%, conseguimos conscientizar a população e muito através dos meios de comunicação", festejou Florencia.

Infelizmente, tivemos um caso muito concreto de não cumprimento, que foi o caso zero de Córdoba, uma pessoa que gerou mais de 800 isolados e mais de 20 positivos".

Por outro lado, ela lembra que junto ao endurecimento nas políticas de entrada ao país "foram aplicadas mais de 12 milhões de doses da vacina no último mês", que serviram para que os argentinos estejam em uma situação mais confortável frente ao avanço da cepa Delta a nível mundial.

A Argentina passou de mais de 22 mil casos diários no final de junho para somar 13 mil casos nestes primeiros dias de agosto, o país tem um total de 4.975.616 contagiados e 106.747 mortos por covid-19.

Além do maior número de pessoas ingressando ao país, a Argentina deve facilitar também a revinculação de pessoas que têm familiares no exterior: mães, pais, irmãos, filhos e cônjuges que não podiam entrar no país se não fossem argentinos. "Nós facilitamos esse ingresso porque pensamos que a reunificação familiar é um direito. É o primeiro que vamos instalar, a partir de sábado!", garantiu.

Bariloche esperançosa

Uma das cidades argentinas mais procuradas pelos turistas brasileiros, Bariloche, está atravessando seu segundo inverno com as estações de esqui trabalhando em uma capacidade reduzida, já que somente o turismo interno está permitido.

Bariloche - iStockphotos - iStockphotos
Bariloche
Imagem: iStockphotos

"Tomara que aconteça essa abertura", comenta Gastón Burlon, secretário de turismo de Bariloche, sobre o aceno da diretora de imigração, "estamos todos com esperança de que possam voltar os turistas estrangeiros, que para Bariloche representam um 30% do total de turistas que nos visitam por ano, o que é um número considerável e, além disso, elevam muito o consumo médio na cidade".

Ele explica ainda que com a vantagem oferecida pela desvalorização do peso argentino, os turistas de fora poderiam ver o sul argentino como um destino atrativo também economicamente.

O impacto da falta de turistas na cidade não pode ser medido diretamente pela ausência de brasileiros, mas, em total, no ano passado a cidade deixou de faturar cerca de " 25 bilhões de pesos por causa das restrições",

Porém, Burlón reconhece que a maioria desses 30% de estrangeiros que visitam Bariloche, são do Brasil. "Em 2020, tínhamos 20 voos diretos do Brasil autorizados, sem contar os aqueles que fazem escala em Buenos Aires", exemplifica sobre o impacto do fechamento de fronteiras entre os países vizinhos.

"O mercado brasileiro é muito importante para nós e temos a esperança de que logo possam voltar a visitar-nos", completa.