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2020 foi pior ano da história da aviação; viagens internacionais caíram 75%

Covid-19 foi responsável por queda na demanda por viagens internacionais em mais de 75% em 2020 - Getty Images/iStockphoto
Covid-19 foi responsável por queda na demanda por viagens internacionais em mais de 75% em 2020 Imagem: Getty Images/iStockphoto

De Nossa

04/08/2021 17h20

Apenas 1,8 bilhão de passageiros voou em 2020, um número 60,2% menor do que os 4,5 bilhões que cruzaram os céus em 2019.

A conclusão é do levantamento World Air Transport Statistics (Estatísticas do Transporte Aéreo Mundial, em tradução livre do inglês) conduzido pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) — que representa cerca de 290 companhias e 82% do tráfego aéreo global — divulgado à imprensa hoje (4).

De acordo com o relatório da organização, a pandemia da covid-19 foi a principal responsável pelo significativo encolhimento no setor no último ano. A demanda por viagens de maneira geral, medida em passageiro pagante por quilômetro, caiu 65,9% quando comparada com os doze meses anteriores.

As viagens internacionais foram especialmente impactadas e tiveram demanda 75,6% inferior a 2019. Já a procura por viagens domésticas — em que passageiros circulam dentro de um mesmo país — diminuiu 48,8%.

A situação nos aeroportos

Com tanta gente voando menos, nada mais natural do que o número de conexões entre voos cair drasticamente também. Este número foi 60% menor em abril de 2020 do que no mesmo período de 2019.

A IATA estima que as perdas líquidas do setor são de cerca de US$ 126,4 bilhões (aproximadamente R$ 656,5 bilhões, em cotação de hoje); a receita total com voos de passageiros chegou a US$ 189 bilhões (em torno de R$ 981,7 bilhões) em 2020, 69% menor do que em 2019.

Estes foram os piores resultados do setor desde o início das análises de números de passageiros pagantes por quilômetro, em 1950.

"2020 foi um ano que todos nós gostaríamos de esquecer. No auge da crise em abril de 2020, 66% da frota de transporte aéreo comercial do mundo foi paralisada porque os governos fecharam fronteiras ou impuseram quarentenas rigorosas. Um milhão de empregos desapareceram", apontou Willie Walsh, diretor geral da IATA, no relatório.

Aviões mais vazios e recuperação 'a jato' na China

A taxa de ocupação de passageiros em todo o sistema de companhias aéreas caiu para 65,1%. Em 2019, este número havia sido de 82,5%. A região do Oriente Médio sofreu a maior perda no tráfego de passageiros com queda de 71,5% em relação a 2019, seguida pela Europa (-69,7%) e África (-68,5%).

Já a China se tornou o maior mercado doméstico de 2020 pela primeira vez desde 1950. A IATA atribui a performance do país à "recuperação mais rápida das viagens aéreas em seu mercado doméstico após seus esforços para controlar a covid-19".

Das cinco companhias aéreas que mais transportaram passageiros em 2020, duas foram chinesas. As outras três são americanas. Elas são, em ordem: American Airlines (124 bilhões); China Southern Airlines (110,7 bilhões); Delta Air Lines (106,5 bilhões); United Airlines (100,2 bilhões) e China Eastern Airlines (88,7 bilhões).

Apesar da recuperação expressiva dos chineses, não foram eles os que mais viajaram: os Estados Unidos lideraram o mercado com (45,7 milhões, ou 9,7% do total de passageiros). Em seguida vieram: Reino Unido (40,8 milhões, ou 8,6% do total de passageiros); Alemanha (30,8 milhões, ou 6,5% do total de passageiros); França (23,3 milhões, ou 4,9% do total de passageiros) e Índia (17,4 milhões, ou 3,7% do total de passageiros).